Valores cobrados por médica que supostamente forjava diagnósticos de câncer já chegam a R$ 92 mil

A Polícia Civil de Pato Branco já concluiu que os valores pagos pelas vítimas à médica Carolina Biscaia Carminatti chegam, até o momento, a R$ 92 mil, e ainda faltam quatro vítimas a serem ouvidas. Uma das vítimas chegou a desembolsar R$ 13 mil pelo atendimento. São ao todo 22 denúncias feitas contra a médica que, conforme já noticiado pelo Diário do Sudoeste, está sendo investigada por fraudes ao emitir diagnósticos falsos de câncer de pele, visando obter lucro por meio da realização de cirurgias desnecessárias.

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De acordo com o delegado chefe da 5a Subdivisão Policial – SDP, Helder Lauria, em consultas de rotina ou afim de investigar uma mancha ou pinta, pacientes eram induzidos pela médica a suspeitarem de câncer de pele. Diante dessa possibilidade, a médica realizava, no próprio consultório, uma coleta de material para exame. “A partir daí, quando o resultado do exame retornava chamava a pessoa de volta para nova consulta quando mostrava o exame que tudo indica era falsificado”, explica o delegado, complementando que o resultado indicaria a necessidade de outra intervenção cirúrgica, agora para retirada da área afetada. “Então ela fazia o procedimento de ampliação de imagem, retirando uma área maior em volta do local”, esclarece.

Algumas vítimas decidiram buscar um novo diagnóstico que confirmasse ou não a suspeita inicial. Uma delas, ao não receber atendimento para o pedido de laudo por parte da médica, procurou o laboratório. Em seguida, de posse dos resultados originais, buscou a orientação de um oncologista, que confirmou o resultado negativo para câncer.

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Além disso, também havia casos em que a médica fornecia detalhes dos resultados por aplicativo de mensagens, enviando uma imagem repleta de imprecisões. Quando foram ao laboratório indicado no documento para esclarecer as informações, perceberam que a própria empresa também estaria sendo envolvida na suposta fraude. A maioria dos exames realizados não era disponibilizada integralmente às vítimas, sendo apenas fragmentos fotografados, o que levanta ainda mais suspeitas sobre a conduta da profissional.

Ainda conforme as investigações, os pacientes conseguiam pagar as consultas pelo plano de saúde, porém, os procedimentos cirúrgicos não poderiam ser cobertos dessa forma. Houve casos de pagamentos com cartão, mas a maioria teria sido em dinheiro ou via PIX. As investigações também revelaram que a médica não possui registro de especialidade em dermatologia, além de já ter sido denunciada e julgada anteriormente por anunciar indevidamente a especialidade.

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Todas essas circunstâncias culminaram na solicitação de busca e apreensão na residência e no consultório médico da suspeita. Foram apreendidos celulares, computadores e diversos documentos, incluindo prontuários médicos, que aparentemente eram falsificados. Tais documentos estão sendo submetidos à perícia para comparação.

De acordo com Lauria, os possíveis crimes praticados em um caso como esse envolvem lesão corporal, com pena de 3 meses a 1 ano de detenção; estelionato, de 1 a 5 anos; e falsificação de documento, também de 1 a 5 anos de detenção.

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