O Conselho de Ética da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) ouviu nesta segunda-feira (16) o deputado estadual Renato Freitas (PT), que apresentou sua defesa em dois processos disciplinares que tramitam contra ele no colegiado. A reunião ocorreu no Auditório Legislativo e foi conduzida pelo presidente do Conselho, deputado Delegado Jacovós (PL).
As representações analisadas tratam da atuação do parlamentar em dois episódios distintos: uma confusão registrada nas dependências da Assembleia Legislativa e uma manifestação realizada em um supermercado de Curitiba. Durante a sessão, o Conselho também redesignou a relatoria de um terceiro processo que envolve o deputado.
Discussão na CCJ motivou primeiro processo
Renato Freitas apresentou inicialmente sua versão no processo 03457-12/2025, que o acusa de quebra de decoro parlamentar em um episódio ocorrido em 24 de fevereiro de 2025 durante sessão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
A confusão envolveu o deputado estadual Márcio Pacheco (PP) e o assessor parlamentar Kenny Niedzwiedz, que atua no gabinete do parlamentar. A denúncia foi apresentada pelo deputado Delegado Tito Barichello (União).
Segundo a representação, Freitas teria ofendido os dois durante a discussão, chamando Pacheco de “coronelzinho de meia pataca” e o assessor de “idiota”. O documento também sustenta que o deputado teria desferido um “golpe violento” contra o assessor após o encerramento da reunião.
As imagens da sessão indicam que o desentendimento ocorreu em dois momentos. A divergência começou enquanto Freitas lia seu voto sobre um projeto analisado pela CCJ, relacionado à criação de cargos comissionados na estrutura da Polícia Militar.
De acordo com o relato, o parlamentar interrompeu a leitura após perceber risadas do assessor Kenny Niedzwiedz. Em seguida, passou a criticar a postura do funcionário, momento em que Márcio Pacheco interveio e iniciou a discussão com Freitas.
Após o encerramento da sessão, no saguão ao lado do Auditório Legislativo, Freitas e o assessor voltaram a discutir. Foi nesse momento que teria ocorrido o episódio citado na denúncia.
Deputado nega agressão e apresenta versão
Durante a reunião do Conselho de Ética, o relator do caso, deputado Doutor Leônidas (CDN), e o advogado de defesa, Edson Vieira Abdala, fizeram questionamentos ao parlamentar.
Renato Freitas afirmou que sua crítica foi direcionada apenas à postura do assessor e negou ter caminhado em direção a ele para iniciar confronto.
“Depois do que ocorreu aqui, a última coisa que imaginava é que ele estaria me esperando do lado de fora, como se aquilo fosse uma briga de colégio”, declarou o deputado.
Ele afirmou ainda que apenas afastou o assessor quando este teria se aproximado de forma direta. “Ele veio até mim para dar réplica, mas de forma corpo a corpo. Foi aí que eu o afastei, mas não caminhei em direção a ele; fui em direção ao elevador”, disse.
Freitas também afirmou que não houve novos conflitos após o episódio e que não foi ouvido no processo disciplinar que analisou a conduta do servidor envolvido.
Testemunhas já foram ouvidas pelo Conselho
A atual fase do processo ocorre após a oitiva de testemunhas realizada em 10 de fevereiro. Na ocasião, foram ouvidos o assessor Kenny Niedzwiedz e dois integrantes do Gabinete Militar da Assembleia Legislativa.
O assessor afirmou que não ironizou o deputado e declarou que foi empurrado após tentar esclarecer a situação. Já os militares relataram que atuaram para conter o tumulto, mas disseram não ter presenciado a agressão.
Testemunhas indicadas pela defesa de Renato Freitas sustentaram que o assessor teria provocado o parlamentar durante a sessão e também no saguão, por meio de risadas e gestos.
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Conselho também analisa protesto em supermercado
Na mesma reunião, Renato Freitas apresentou sua defesa no processo 24178-41.2025, que apura sua conduta em um protesto realizado em um supermercado de Curitiba.
A representação foi apresentada pelos vereadores de Curitiba Bruno Secco (Republicanos) e Guilherme Kilter (Novo), além dos deputados estaduais Delegado Tito Barichello (União) e Ricardo Arruda (PL).
Segundo a denúncia, Freitas e apoiadores teriam impedido o funcionamento de uma unidade da rede Super Muffato. O documento afirma que o deputado retirou cestas de compras das mãos de clientes e criou um ambiente de tensão.
O protesto ocorreu em 25 de junho do ano passado e foi registrado em vídeos divulgados nas redes sociais.
Durante a reunião do Conselho, Renato Freitas respondeu a questionamentos do relator Artagão Júnior (PSD), do deputado Márcio Pacheco, do deputado Doutor Leônidas e do advogado de defesa.
O parlamentar afirmou que a manifestação foi pacífica e negou ter retirado cestas de compras de clientes.
“As imagens mostram de forma cristalina que retirei uma caixa de papelão com produtos de reposição do caixa, e não da mão de ninguém”, afirmou.
Deputado afirma que protesto denunciava morte de jovem
Renato Freitas declarou que o ato tinha como objetivo protestar contra a morte de um jovem de 22 anos por funcionários do supermercado. Segundo ele, o crime teria sido motivado pelo furto de uma barra de chocolate.
O deputado afirmou que os manifestantes decidiram obstruir os caixas por cerca de 15 minutos como forma de protesto.
“Não com violência ou agressão, mas com convencimento”, afirmou o parlamentar.
Na etapa anterior do processo, realizada em 9 de fevereiro, cinco testemunhas indicadas pela defesa prestaram depoimento. Todas afirmaram que a manifestação ocorreu de forma pacífica e não prejudicou o funcionamento do supermercado.
Antes do depoimento desta segunda-feira, o advogado Edson Vieira Abdala solicitou o adiamento da oitiva. Ele argumentou que autos de um processo do Ministério Público, que arquivou investigação sobre o caso, não foram anexados ao processo do Conselho de Ética.
O presidente do colegiado, Delegado Jacovós, indeferiu o pedido.
Processos seguem para fase final
Agora, tanto a acusação quanto a defesa terão três dias úteis para apresentar as alegações finais, conforme prevê o Código de Ética da Assembleia Legislativa.
Depois disso, os relatores terão prazo de dez dias úteis para elaborar relatório recomendando a procedência ou improcedência das representações.
Conselho redefine relatoria de outro processo
Durante a reunião, o Conselho de Ética também redesignou a relatoria do processo SEI 02598-19.2026, apresentado pelo deputado Delegado Tito Barichello contra Renato Freitas.
O deputado Thiago Bührer (União), inicialmente indicado para relatar o caso, declarou impedimento por integrar o mesmo partido do autor da denúncia.
Com isso, a relatoria foi transferida para o deputado Artagão Júnior (PSD).
A representação sustenta que Renato Freitas teria quebrado o decoro parlamentar ao proferir ofensas contra parlamentares durante reunião do colegiado em 10 de fevereiro deste ano.
Oitiva de outro processo foi adiada
O Conselho também decidiu adiar a oitiva de testemunhas de um quarto processo que apura o envolvimento de Renato Freitas em uma briga corporal no Centro de Curitiba, registrada em 19 de novembro.
O adiamento ocorreu após pedido do advogado Edson Vieira Abdala. Uma das testemunhas indicadas pelo relator solicitou a remarcação do depoimento.
Segundo a defesa, a mudança contrariaria a ordem de depoimentos prevista no Código de Ética, que estabelece que primeiro sejam ouvidas as testemunhas do autor da representação, depois as convocadas pelo Conselho e, por último, as indicadas pelo representado.





