A Previsão Subjetiva de Safra (PSS) de janeiro, elaborada pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), confirma um dos cenários agrícolas mais expressivos dos últimos anos no Paraná. O principal destaque é a safra de verão robusta, impulsionada pela soja, que deve ultrapassar 22 milhões de toneladas e sustentar uma produção total estimada em 25,9 milhões de toneladas nas lavouras de verão.
Mesmo com o ritmo de colheita mais lento em função das chuvas, as condições gerais das lavouras seguem favoráveis. A projeção permanece otimista para o ciclo 2025/26. O levantamento também traz dados atualizados sobre ovos, leite, frutas e horticultura no Estado.
Soja lidera produção e sustenta safra recorde
A safra de verão se confirma como o grande motor da agricultura paranaense neste início de ano. Os dados da PSS indicam estabilidade em relação ao levantamento anterior. O bom desenvolvimento das lavouras, aliado à ampla área cultivada, sustenta a expectativa de um volume superior ao registrado na safra passada.
A soja mantém papel central nesse desempenho. Com área próxima de 5,8 milhões de hectares, a produção projetada supera 22 milhões de toneladas, consolidando mais uma colheita histórica. Até o final de janeiro, cerca de 5% da área havia sido colhida, ritmo abaixo do observado em anos anteriores devido às chuvas frequentes.
Apesar disso, as lavouras apresentam bom padrão vegetativo. As precipitações previstas são consideradas decisivas para confirmar os rendimentos esperados.
Milho, feijão e horticultura têm cenários distintos
O milho de primeira safra apresenta boas perspectivas produtivas, mesmo ocupando área menor que a soja. A expectativa é de aumento na produção total, ainda que os rendimentos não atinjam os recordes do ciclo anterior. Já o milho de segunda safra começa a ser semeado dentro do calendário recomendado, com avanço do plantio principalmente nas regiões Oeste e Sudoeste, à medida que a soja é colhida. O desempenho dessa etapa será fundamental para o resultado final da safra estadual.
O feijão de primeira safra caminha para o encerramento com redução de área e produção, reflexo dos preços menos atrativos ao produtor no momento do plantio. A produção estimada gira em torno de 184 mil toneladas, cerca de 46% menor que a safra anterior. Para a segunda safra, a área projetada também é inferior à do último ciclo, embora ainda exista expectativa de recuperação produtiva, dependendo das condições climáticas.
Na horticultura, a qualidade dos produtos colhidos é o principal destaque, especialmente batata, cebola e tomate. A batata de primeira safra já tem colheita avançada, com alto padrão de qualidade, enquanto a segunda safra segue em fase de plantio. A cebola concluiu a colheita com produtividades satisfatórias, apesar da redução de área. No tomate, mesmo com leve retração na área plantada, as expectativas apontam para boa produção, embora o setor enfrente preços mais baixos devido ao excesso de oferta.
Paraná lidera geração de empregos no Sul em 2025
Ovos, leite e frutas refletem cenário de pressão nos preços
Em janeiro de 2026, os preços de varejo dos ovos no Paraná registraram forte retração, com queda média de 14,6% em relação a janeiro de 2025 e de 17,5% frente a dezembro. A redução foi mais intensa no ovo extra (-25,2%), seguida pelo ovo grande (-15,8%) e pelo ovo médio (-2,7%). O movimento contrasta com a alta nos preços médios das carnes bovina, suína e de frango, reforçando a competitividade do ovo como fonte de proteína animal. Para fevereiro, projeta-se elevação dos preços por fatores sazonais.
O mercado de leite manteve a trajetória de queda no início de 2026, influenciado pela oferta elevada e pelos custos de produção. O preço médio do leite posto na indústria deve ficar em torno de R$ 2,15 por litro, 22,1% abaixo do registrado em janeiro de 2025. No varejo, o leite UHT foi vendido, em média, a R$ 3,75, com queda mensal de 3,1% e anual de 23,2%. O aumento das importações de leite em pó no final de 2025 também pressionou os preços internos.
Na fruticultura, o Paraná segue ampliando presença no mercado externo. Em 2025, as exportações do setor alcançaram US$ 22,4 milhões, crescimento expressivo na comparação com a última década. Limão, lima, banana e abacate lideram os embarques, reforçando o potencial do segmento como alternativa de diversificação e agregação de valor à produção estadual.
Além da PSS, o Deral divulgou o Boletim Conjuntural semanal, que aponta um cenário de pressão generalizada sobre os preços do agronegócio paranaense neste início de 2026, afetando grãos de verão, proteínas animais e a pecuária leiteira, influenciados tanto pela oferta interna quanto por fatores macroeconômicos.





