Seguro rural despenca no Paraná e preocupa produtores

homem lavoura

A redução na contratação de seguro rural no Paraná tem acendido um alerta no setor agropecuário. Dados recentes mostram queda expressiva tanto na arrecadação quanto no número de apólices contratadas, cenário que preocupa produtores diante do aumento dos eventos climáticos extremos.

Produtor de soja e milho em Marechal Cândido Rondon, no Oeste do Paraná, Cevio Alberto Mengarda afirma que deixou de contratar seguro rural há cerca de cinco anos. Segundo ele, os custos elevados e a redução das coberturas tornaram o serviço inviável.

“Antes eu e meu pai fazíamos até campanha para incentivar outros produtores a contratar o seguro. Mas já faz cinco anos que abandonei a prática. Com a deficiência hídrica na região, que afetou a produção de milho, e os recorrentes atrasos do governo no pagamento da subvenção, as apólices ficaram caras e a cobertura diminuiu, tornando o serviço desinteressante”, relata.

Número de apólices caiu mais de 68%

Dados da Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais (CNseg) apontam que a arrecadação do seguro rural no Paraná caiu de R$ 2,3 bilhões em 2022 para R$ 1,9 bilhão em 2025, redução de 17%.

O recuo é ainda mais significativo no número de contratos. Informações do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), do Ministério da Agricultura e Pecuária, mostram que o número de apólices no Estado caiu de 82 mil em 2021 para apenas 26 mil em 2025, retração de 68,3%.

Para o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, os cortes nos recursos federais destinados à subvenção têm impacto direto na redução das contratações.

“Parte significativa dessa queda está relacionada aos cortes anunciados pelo governo federal, nos últimos anos, para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural. Isso desestimula o agricultor e coloca toda a atividade em risco”, afirma.

Segundo ele, o seguro rural é fundamental para proteger a produção agrícola diante das recorrentes perdas provocadas pelo clima.

“O seguro rural é uma ferramenta fundamental que precisa ser valorizada e fomentada. Do contrário, diante das recorrentes intempéries climáticas, a produção de alimentos fica descoberta”, complementa Meneguette.

Área assegurada também diminuiu

Além da redução das apólices, a área segurada no Paraná também caiu de forma significativa. Em 2021, mais de 3,8 milhões de hectares estavam protegidos no Estado. Em 2025, esse número caiu para 1,25 milhão de hectares, redução de 63,8%.

“Sem o seguro, o produtor fica exposto aos riscos. Por outro lado, sem a subvenção, a conta não fecha e o agricultor acaba assumindo sozinho os prejuízos. Esse cenário precisa ser revisto. Com menos adesão, as apólices ficam mais caras e o ciclo se agrava”, reforça Meneguette.

Produtores relatam dificuldades

Mesmo entre os agricultores que ainda mantêm o seguro rural, o desânimo é crescente.

Produtor em Alvorada do Sul, Eduardo Martins afirma que continua contratando o serviço para parte da produção de soja e milho, mas considera que a cobertura atual está longe do ideal.

“O contrato traz segurança para o produtor investir. Mas, hoje, as indenizações não cobrem todo o prejuízo e, com a redução da subvenção, o custo ficou muito alto, o que dificulta a contratação”, afirma.

Já o produtor Admilson Tavarez, de Arapuã, relata que muitos agricultores não conseguem mais absorver prejuízos sem proteção adequada.

“Sem o seguro, o produtor acaba tendo que vender o gado, máquinas, caminhões e até parte das terras para cobrir prejuízos. É uma realidade difícil”, destaca.

Em São Mateus do Sul, o agricultor Marcos Pires deixou de contratar seguro rural há mais de seis anos.

“O preço dos nossos produtos não acompanhou a inflação. Pelo contrário, teve queda na última safra. Sem ajuda do governo, o custo do seguro não cabe na planilha”, afirma.

Cenário nacional também preocupa

Historicamente, o Paraná lidera a contratação de seguro rural no Brasil. Em 2024, o Estado respondeu por 37,5% das apólices contratadas via Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural.

Mesmo assim, a retração ocorre em todo o país. Segundo a CNseg, a área segurada nacional caiu de 13,7 milhões de hectares em 2021 para 3,2 milhões em 2025, redução de 76,6%.

A arrecadação do setor também apresentou queda nacional de 8,8%, passando de R$ 14,2 bilhões para R$ 12,9 bilhões no período.