A busca por um estilo de vida saudável e por um corpo em forma, o chamado “shape”, deixou de ser uma tendência passageira e se consolidou como prioridade para muitas pessoas. No entanto, promessas de resultados rápidos e a disseminação de desinformação podem desviar o foco da saúde e levar à adoção de práticas radicais e arriscadas, com impactos negativos a curto e longo prazo.
A alimentação equilibrada é um dos principais pilares para quem deseja melhorar a composição corporal. De acordo com a nutricionista esportiva Gabriela Yoshimura, do Espaço Einstein de Reabilitação e Esporte, do Hospital Israelita Albert Einstein, quem está iniciando um processo de reeducação alimentar deve apostar em uma rotina estruturada, baseada em alimentos naturais e em escolhas conscientes. Segundo ela, é fundamental compreender o que comer, quando comer e em que proporção, para que a alimentação se torne uma aliada e não uma fonte constante de frustração.
Isso inclui práticas como distribuir as refeições ao longo do dia, respeitando horários e rotinas de treino para manter níveis estáveis de energia e controlar a fome; priorizar alimentos in natura ou minimamente processados; e combinar adequadamente todos os grupos alimentares, como vegetais, frutas, cereais integrais, leguminosas e carnes magras. O objetivo é unir saúde e prazer à mesa.
Alimentação e exercício caminham juntos
Um corpo mais saudável está diretamente relacionado à prática regular de exercícios físicos. No entanto, aumentar a intensidade ou o volume de treinos de forma abrupta, sem preparo físico e nutricional adequado, eleva significativamente o risco de lesões. Para garantir eficiência e segurança, o organismo precisa de carboidratos, principal fonte de energia; proteínas, essenciais para construção e reparação muscular; além de gorduras, vitaminas e minerais, indispensáveis para processos hormonais, saúde óssea e outras funções fisiológicas.
Sem essa base nutricional, até mesmo uma rotina consistente de exercícios pode se tornar prejudicial. A repetição de treinos intensos sem suporte alimentar adequado gera acúmulo de estresse nos tecidos, aumentando o risco de lesões ao longo do tempo.
Erros comuns na busca por um corpo saudável
Um dos equívocos mais frequentes é focar apenas na aparência física. Mais do que o reflexo no espelho, a saúde deve ser avaliada por indicadores como funcionamento adequado do metabolismo, ausência de deficiências nutricionais, bom desempenho físico e recuperação eficiente após os treinos, além de níveis adequados de energia, sono de qualidade e estabilidade de humor.
Outro erro recorrente é a adoção de medidas extremas sem acompanhamento profissional, como dietas altamente restritivas ou a exclusão de grupos alimentares. O acompanhamento com nutricionista é essencial para definir estratégias alinhadas à realidade e aos objetivos individuais, garantindo um balanço calórico que sustente a energia e promova perda de peso de forma saudável e sustentável.
Dietas sem orientação podem provocar fadiga, irritabilidade, queda de desempenho, maior risco de lesões e episódios de compulsão alimentar. A longo prazo, podem surgir deficiências nutricionais, anemia, osteoporose, problemas de pele e cabelo, perda de massa muscular e redução do metabolismo basal, favorecendo o chamado efeito sanfona.
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Atenção aos sinais do corpo e aos medicamentos
Quando dieta e exercícios não produzem os resultados esperados, pode haver desequilíbrios hormonais ou metabólicos. Nesses casos, a avaliação médica é indicada, especialmente se houver sintomas como cansaço excessivo, alterações de humor e sono, queda de cabelo, irregularidades menstruais ou palpitações. Disfunções da tireoide, excesso de cortisol e deficiência de hormônios sexuais estão entre as condições que dificultam a mudança da composição corporal.
Outro ponto de atenção é o uso indiscriminado de medicamentos agonistas do GLP-1, popularmente chamados de “canetas emagrecedoras”. A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica orientam que esses medicamentos sejam tratados como terapias para obesidade, indicadas apenas em casos específicos e sempre com acompanhamento médico.
O uso com finalidade estética, sem indicação clínica, aumenta o risco de perda de massa muscular e outros efeitos adversos. Desde junho de 2025, a venda desses medicamentos no Brasil passou a exigir retenção de receita, justamente para coibir o uso inadequado.
A busca por um corpo saudável, portanto, passa necessariamente por informação de qualidade, acompanhamento profissional e escolhas equilibradas, priorizando o bem-estar e a saúde a longo prazo.
Fonte: Agência Einstein





