Simepar classifica tornado de São José dos Pinhais como F2

O tornado que atingiu o bairro Guatupê, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, no fim da tarde de sábado (10), foi classificado como F2 na Escala Fujita pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná.

A escala vai até o nível 5, e a categoria F2 corresponde a ventos estimados entre 180 km/h e 253 km/h. Segundo o Simepar, o fenômeno atingiu os valores mais baixos dessa faixa, mas ainda assim provocou danos expressivos.

A análise técnica foi concluída no início da tarde deste domingo (11) por equipes de geointeligência e meteorologia do Simepar. Como parâmetro de comparação, o tornado que atingiu Rio Bonito do Iguaçu, na região central do Paraná, em novembro, foi classificado como F4, a penúltima categoria da Escala Fujita. No caso de São José dos Pinhais, a intensidade menor não impediu a ocorrência de prejuízos significativos em áreas residenciais.

Impactos do tornado em São José dos Pinhais

De acordo com a Defesa Civil Estadual, o tornado atingiu aproximadamente 350 residências e impactou cerca de 1,2 mil pessoas. Duas pessoas sofreram ferimentos leves. Na manhã deste domingo, a Defesa Civil do Paraná encaminhou 2,6 mil telhas ao município para auxiliar na recuperação das casas danificadas.

Além dos estragos em edificações, houve queda de árvores e danos à rede de distribuição de energia elétrica, o que exigiu atuação conjunta de diversos órgãos. As ações envolveram a Defesa Civil municipal, o Corpo de Bombeiros Militar e equipes regionais da Defesa Civil Estadual.

Condições meteorológicas favoreceram tempestades severas

No sábado (10), o Paraná registrou um cenário de forte instabilidade atmosférica, com elevada oferta de calor e umidade. O ambiente foi influenciado por um sistema de baixa pressão que se formou entre o Uruguai e o Rio Grande do Sul e avançou em direção ao oceano. A mudança nos ventos em altitude favoreceu a ocorrência de pancadas de chuva e tempestades em toda a faixa Leste do Estado.

“A célula de tempestade mais severa se desenvolveu no fim da tarde sobre Almirante Tamandaré e Colombo, se deslocou sobre Curitiba provocando ventos intensos e precipitação de granizo, e foi até São José dos Pinhais”, explicou Leonardo Furlan, meteorologista do Simepar.

radar simepar tornado sjp

Rajadas de vento e formação do tornado

Na estação meteorológica do Simepar no bairro Jardim das Américas, em Curitiba, as rajadas chegaram a 56,5 km/h. Em outros pontos da capital, estações da prefeitura registraram ventos mais intensos, como 67,7 km/h no Boqueirão, 66,2 km/h no Pinheirinho, 68 km/h no Portão e 59 km/h em Santa Felicidade.

No aeroporto de São José dos Pinhais, as rajadas alcançaram 68 km/h. Já no bairro Guatupê, na divisa com Piraquara, o tornado se formou dentro da célula de tempestade e percorreu pouco mais de um quilômetro.

“Foi um tornado relativamente estreito, pequeno em extensão horizontal, mas que provocou danos significativos. Em alguns momentos a nuvem funil tocava o solo e em outros se elevava, o que explica os danos pontuais”, detalhou Leonardo Furlan.

Simepar confirma tornado em São José dos Pinhais

Célula de tempestade avançou até o Litoral

Após atingir São José dos Pinhais, a mesma célula de tempestade seguiu em direção ao Litoral paranaense, provocando fortes temporais em Guaratuba e Matinhos. Em Guaratuba, as rajadas de vento superaram 60 km/h e o acumulado de chuva ultrapassou 60 milímetros em menos de meia hora.

Como foi feita a análise do Simepar

Assim que a célula de tempestade severa foi identificada, os meteorologistas de plantão iniciaram a análise. Foram utilizados dados do radar meteorológico localizado no prédio do Simepar, em Curitiba, além de informações de radares de estados vizinhos.

O meteorologista Reinaldo Kneib esteve em São José dos Pinhais ainda na noite de sábado para avaliar os primeiros impactos. Na manhã de domingo, Leonardo Furlan e Júlia Munhoz retornaram ao bairro, acompanhados da gerente de Geointeligência Elizabete Bugalski.

Elizabete realizou sobrevoos com um drone equipado com sensor Lidar para mapeamento da área afetada. As imagens foram repassadas às equipes de meteorologia e à Coordenadoria Estadual de Defesa Civil. Leonardo e Júlia percorreram a pé todo o trajeto do tornado, analisando danos estruturais, vegetação e objetos arremessados.

“Esse tornado foi bem documentado pela população, com muitos vídeos, o que ajudou a determinar a trajetória. Ele percorreu o município de nordeste para sudoeste, começando próximo à divisa com Piraquara e seguindo até o bairro Guatupê”, explicou Júlia Munhoz.

Este foi o segundo tornado registrado no Paraná em 2026. O primeiro ocorreu no município de Mercedes, no fim da tarde do dia 1º de janeiro, e foi classificado como F1 na Escala Fujita, com ventos estimados em cerca de 120 km/h, causando danos na localidade de Arroio Guaçu.

Alerta para novas tempestades no Paraná

O risco de tempestades severas segue neste domingo (11). Boletim de gestão de riscos elaborado pelo Simepar em parceria com a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil indica risco alto no Litoral para enxurradas, destelhamentos e quedas de galhos. Nas regiões dos Campos Gerais e do Norte Pioneiro, podem ocorrer tempestades localmente intensas e com grande atividade elétrica. No extremo Oeste e Sudoeste, o risco é baixo, e nas demais áreas do Estado, moderado.

Na segunda-feira (12), o tempo começa a melhorar no Oeste, mas pancadas de chuva e tempestades irregulares devem retornar às demais regiões durante a tarde, com atenção especial novamente ao Litoral.

Para receber alertas da Defesa Civil, a população pode enviar um SMS com o CEP da residência para o número 40199.