Com a chegada do dia 31 de dezembro, milhões de brasileiros iniciam um verdadeiro roteiro de simpatias de Ano Novo, que vão desde escolhas cuidadosas na cor da roupa até o tradicional mergulho no mar.
Mais do que simples superstições, essas práticas refletem uma mistura de heranças culturais, religiosas e sociais que atravessaram séculos e continuam presentes nas celebrações atuais.
Roupa branca, paz e tradições afro-brasileiras
O hábito de vestir roupas brancas na virada do ano é talvez a simpatia mais conhecida no Brasil. Essa tradição representa a busca por paz, harmonia e proteção no ano que se inicia e foi fortemente influenciada por religiões de matriz africana, como o Candomblé e a Umbanda, nas quais o branco simboliza pureza e equilíbrio espiritual.
Essa prática ganhou ainda mais visibilidade nas décadas de 1950 a 1970, quando praticantes dessas tradições passaram a vestir branco nas praias para saudar Iemanjá, a orixá das águas, transformando um preceito religioso em um símbolo nacional de renovação e esperança.
Pular sete ondas e o significado do número sete
Intimamente ligada à tradição do branco, a prática de pular sete ondas no mar durante a virada também tem forte presença nas celebrações brasileiras. Essa tradição está associada às religiões afro-brasileiras e à homenagem à Iemanjá, considerada a Rainha do Mar, que traz proteção e novos caminhos para quem faz os pedidos ao saltar as ondas.
O número sete é considerado sagrado e cheio de significado espiritual, simbolizando as qualidades e bênçãos que se deseja atrair ao longo do novo ano.
A cada onda que se pula, a superstição recomenda fazer um pedido ou agradecimento, sempre com atenção para não dar as costas ao mar ao finalizar o ritual, para não “espantar” a sorte recém-conquistada.
Virada do Ano terá chuva, tempestades e calor
Cardápio da sorte: lentilha, uvas e romã
A ceia de Ano Novo também tem papéis simbólicos importantes. A lentilha, por exemplo, tem origem europeia, sendo trazida para o Brasil por imigrantes italianos. Na tradição, seu formato semelhante a pequenas moedas associou o alimento à prosperidade financeira e à fartura ao longo do ano.
Outra prática comum é comer 12 uvas à meia-noite, uma para cada mês do ano. Essa tradição remonta à Espanha e simboliza a esperança de que cada mês traga sorte e realizações.
A romã, fruta com forte presença em mitologias antigas, como a grega, onde está relacionada à fertilidade e abundância, também entrou nas tradições brasileiras. Muitas pessoas consomem a romã e guardam algumas sementes na carteira como forma de atrair prosperidade ao longo do ano.
Por que ainda acreditamos nas simpatias?
Mesmo em uma era cada vez mais tecnológica, as simpatias de Ano Novo continuam presentes nas celebrações brasileiras. Para muitos, esses rituais não têm necessariamente uma base científica, mas desempenham uma função social e cultural importante.
Eles funcionam como mecanismos simbólicos que marcam a passagem do tempo, separando o fim de um ciclo do início de outro e criando “frestas de alegria” e esperança para o futuro, ajudando as pessoas a lidar com as incertezas e desafios da vida moderna.
Assim, as simpatias de Ano Novo permanecem enraizadas no Brasil não apenas como superstição, mas como expressões culturais que conectam passado e presente, tradição e desejo coletivo de um ano melhor.





