Tortas de Carambeí recebem Indicação Geográfica

Líder nacional no número de produtos com reconhecimento de Indicação Geográfica (IG), o Paraná alcançou nesta quarta-feira (21) a marca de 23 itens certificados na modalidade Indicação de Procedência (IP). O mais novo selo foi concedido às tortas de Carambeí, na região dos Campos Gerais, reconhecimento concedido pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) para atestar procedência, autenticidade e qualidade dos produtos.

As tortas de Carambeí carregam mais de um século de tradição. Introduzidas pelos imigrantes holandeses, elas são produzidas na região desde 1911 e se tornaram patrimônio cultural e gastronômico do município. Com receitas transmitidas entre gerações, os produtos mantêm características artesanais, mesmo com adaptações contemporâneas, e utilizam insumos regionais de alta qualidade, consolidando-se como símbolo da identidade local.

O reconhecimento da Indicação Geográfica gera impacto direto na economia regional ao agregar valor ao produto e fortalecer a identidade territorial. O selo confirma que a qualidade das tortas resulta da combinação de fatores naturais específicos, como solo, vegetação e clima, aliados a processos produtivos tradicionais desenvolvidos ao longo dos anos.

Segundo a consultora do Sebrae/PR, Nádia Joboji, o reconhecimento posiciona as tortas de Carambeí em um grupo seleto de produtos brasileiros. De acordo com ela, a certificação amplia o acesso a novos mercados, fortalece a competitividade dos pequenos negócios e impulsiona o desenvolvimento local e regional, além de contribuir para o turismo gastronômico ao valorizar cultura, identidade e história do município.

Organização dos produtores foi decisiva para a certificação

O reconhecimento do INPI é resultado de um trabalho coletivo dos produtores locais, organizados na Associação dos Produtores de Tortas de Carambeí (APTC). A entidade é formada pelo Museu Parque Histórico de Carambeí, Frederica’s Koffiehuis, Tortas Wolf e Lavandário Het Dorp – Vilarejo Holandês. Em parceria com o Sebrae/PR, o grupo realizou um amplo diagnóstico histórico, cultural e sensorial das tortas, incluindo a avaliação de receitas tradicionais que compõem a identidade gastronômica da cidade.

O presidente da APTC e proprietário de um café, Paulo Ricardo Los, celebrou o reconhecimento. Segundo ele, a Indicação Geográfica representa o resultado de um trabalho acompanhado desde o início, permitindo apresentar ao Brasil as receitas familiares, a afetividade e a construção coletiva em torno da produção das tortas ao longo dos anos.

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Capital Estadual das Tortas e turismo gastronômico em expansão

Desde o ano passado, Carambeí é oficialmente reconhecida como Capital Estadual das Tortas, título concedido pela Lei Estadual nº 22.534/2025. O município também promove, desde 2010, o Festival de Tortas, iniciativa que começou de forma local e se consolidou como uma vitrine turística, atraindo milhares de visitantes todos os anos.

A prefeita Elisangela Pedroso destacou que o turismo gastronômico já atrai mais de 200 mil visitantes por ano ao município. Segundo ela, a Indicação Geográfica consolida oficialmente a fama que Carambeí já possui, além de incentivar a formação de novas torteiras, com cursos voltados ao empreendedorismo local e à ampliação da cadeia produtiva.

Para o diretor-administrativo da APTC e gestor da Frederica’s Koffiehuis, Christian Dykstra, a certificação fortalece a identidade cultural e gastronômica do município. Ele ressalta que a IG preserva a tradição, valoriza a história local e amplia o potencial de atração turística, impulsionando o desenvolvimento econômico, cultural e social da região.

Paraná bate recorde e amplia lista de Indicações Geográficas

Com a inclusão das tortas de Carambeí, o Paraná soma 23 produtos com selo de Indicação Geográfica. Somente em 2025, oito pedidos paranaenses foram reconhecidos, estabelecendo um recorde anual. Entraram na lista as ostras do Cabaraquara, a ponkan de Cerro Azul, as broas de centeio de Curitiba, a cracóvia de Prudentópolis, a carne de onça de Curitiba, o café de Mandaguari, o urucum de Paranacity e o queijo colonial do Sudoeste do Paraná.

Também possuem o reconhecimento produtos como o mel de Ortigueira, os queijos coloniais de Witmarsum, a cachaça e aguardente de Morretes, o melado de Capanema, os cafés especiais e o morango do Norte Pioneiro, os vinhos de Bituruna, a goiaba de Carlópolis, o mel do Oeste do Paraná, o barreado do Litoral do Paraná, a bala de banana de Antonina, a erva-mate de São Matheus, a camomila de Mandirituba e as uvas finas de Marialva.

Além desses, o mel de melato da bracatinga do Planalto Sul do Brasil possui Indicação Geográfica concedida a Santa Catarina, mas envolve municípios do Paraná e do Rio Grande do Sul. O Estado ainda aguarda análise de outros nove pedidos de IG, incluindo produtos como acerola de Pérola, mel de Prudentópolis, caprinos e ovinos da Cantuquiriguaçu, ginseng de Querência do Norte, pão no bafo de Palmeira, cervejas artesanais de Guarapuava, café da serra de Apucarana, mel de Capanema e couro de peixe de Pontal do Paraná.