Pato Branco, 70 anos de política

Laiane Carniel

Pato Branco celebra 70 anos de existência. Foram tempos de evolução e de um rápido desenvolvimento em todas as áreas. Somos referência em saúde, polo de educação, temos a agricultura forte, a indústria e o comércio pujante e até no esporte temos nossas conquistas. Em todas as áreas a cidade tem seus destaques e a política anda lado a lado com todas elas.

Foi um ato político que criou Pato Branco, com a assinatura da Lei Estadual nº 790, de 14 de dezembro de 1951, e foi por meio da política que os prefeitos, vice-prefeitos e vereadores foram organizando e traçando os rumos do município, com leis, projetos, programas e ações que serviram de propulsão para o progresso.

Se antes as cidades eram desenvolvidas no entorno das igrejas, agora toda uma região pode nascer com base nos investimentos públicos feitos em determinado local, seja por meio da criação de um parque industrial, a construção de uma praça, a abertura de uma nova escola e até aprovação de um novo loteamento.

São decisões políticas que provocam mudanças sociais, para o bem ou para mal de uma cidade. A cada novo mandato, os prefeitos e vereadores trazem consigo suas visões e deixam para a população um legado. Em Pato Branco, tivemos prefeitos com objetivos variados, alguns mais voltados às obras, que construíram espaços esportivos e culturais, novas unidades de saúde, escolas, praças e outros tantos espaços utilizados até a atualidade. Também houveram prefeitos que são lembrados até hoje pela qualidade dos serviços que prestaram para a população à frente do Poder Público. Cada mandato foi único e contribuiu para consolidar Pato Branco como o município que é.

Primeira lei aprovada em Pato Branco, Lei nº 01, de 29 de janeiro de 1953, com o “Regulamento para cobrança de Alvarás de Licença de Indústria e Profissões”, sancionada pelo prefeito Plácido Machado

Mandatos

Ao longo dos 70 anos de Pato Branco, a Câmara Municipal de Vereadores e a Prefeitura de Pato Branco tiveram até o momento, 17 Legislaturas, ou seja, de 1952 até 2022, a cidade teve 17 eleições, nas quais elegeu seus vereadores e prefeitos, com seus vice-prefeitos. No Poder Legislativo, o número de cadeiras de vereadores teve variações, de 1952 até 1983 – da 1ª até a até a 7ª Legislatura – eram nove vereadores eleitos a cada eleição. Nas duas eleições seguintes, nas quais os vereadores exerceram seu mandato de 1984 até 1988 e de 1989 até 1992, a Câmara foi composta por 11 vereadores. De 1993 até 2004, foram três Legislaturas com 15 vereadores, a 10ª, 11ª e 12ª. Na 13º e 14ª Legislaturas – 2005 a 2012 – eram 10 vereadores. O número atual, de 11 vereadores, vem sendo mantido desde 2013.

O cálculo de quantas cadeiras podem haver em uma Câmara de Vereadores e, consequentemente, quantos parlamentares podem ser eleitos a cada pleito, é feito com base no número de habitantes do município. Atualmente, a Câmara de Vereadores de Pato Branco poderia ter até 17 vereadores eleitos.

Já no Poder Executivo, apesar das 17 gestões, foram 19 prefeitos exercendo a função de comandar a cidade, isso porque, na primeira gestão, em 1952, o prefeito eleito, Plácido Machado, não exerceu o mandato até o final, tendo sido concluído pelo presidente da Câmara de Vereadores na época, João Viganó. Na Gestão 1997 a 2000, o prefeito eleito, Alceni Ângelo Guerra, renunciou ao cargo, que foi assumido pelo vice-prefeito, Astério Rigon, o qual, concluiu o mandato.

Com isso, Pato Branco teve à frente da prefeitura: Plácido Machado (1952-1955), João Viganó (1955-1956), Harri Valdir Graeff (1956-1960), Ivo Thomazoni (1960-1964), Astério Rigon (1964-1969), Alberto Stéfano Cattani (1969-1973), Milton Popija (1973-1977), Roberto Zamberlan (1977-1983), Astério Rigon (1983-1988), Clóvis Santo Padoan (1989-1992), Delvino Longhi (1993-1996), Alceni Ângelo Guerra (1997-2000), Astério Rigon (2000), Clóvis Santo Padoan (2001-2004), Roberto Salvador Viganó (2005-2008 e 2009-2012), Augustinho Zucchi (2013-2016 e 2017-2020) e, atualmente, Robson Cantu (2021-2024).

Até o momento, apenas dois prefeitos exerceram o cargo em mais de uma ocasião, Astério Rigon e Clóvis Santo Padoan, e apenas dois foram reeleitos, Roberto Salvador Viganó e Augustinho Zucchi. É possível perceber que, tanto nos mandatos do Legislativo quanto do Executivo, algumas Legislaturas e Gestões se encerravam no mesmo ano que as novas se iniciavam, isso acontecia porque, em várias ocasiões, a cerimônia de posse não era realizada no primeiro dia do ano seguinte ao da eleição, mas sim, realizada ainda no mesmo ano, em 14 de dezembro, data em que Pato Branco teve sua instalação.

Como acompanhar o cotidiano do Município

Para conhecer todos os vereadores, titulares e suplentes que passaram pela Câmara de Vereadores de Pato Branco, basta escanear o QR Code ao lado e visualizar todas as Legislaturas.

Já os prefeitos e vice-prefeitos, são apresentados pelo site da Prefeitura de Pato Branco, no QR Code ao lado.

Todos as Leis já sancionadas estão disponíveis para consulta, pelo site da Câmara Municipal de Pato Branco. Basta acessar www.patobranco.pr.leg.br, clicar em SAPL (na barra superior) e escolher a opção “Normas Jurídicas”.

Revolta dos Posseiros

Pedrinho Barbeiro, foi o único homem em atividade pública, dos envolvidos no conflito, a ser morto pelos jagunços – Crédito: Acervo Câmara PB

Ainda no campo das conquistas políticas, não podemos deixar de lado a Revolta dos Posseiros, ocorrida em 1957. A organização garantiu a vitória do povo, perante as companhias de terra, fazendo com que a agricultura familiar se sagrasse vencedora do conflito de terra, que contou com nomes até hoje lembrados e estudados, como o vereador Pedro José da Silva, o Pedrinho Barbeiro, que, de acordo com a historiadora Nery França Fornari Bocchese, foi o único homem em atividade pública, dos envolvidos no conflito, a ser morto pelos jagunços.

Seu parceiro como vereador, Germano Corona, também desempenhou papel importante no conflito, assim como Ivo Thomazoni que, em um pronunciamento pela Rádio Colmeia, motivou os representantes dos colonos e as autoridades a unirem-se na luta pela terra. Thomazoni que, mais tarde, viria a ser prefeito de Pato Branco, contou com o apoio de Jácomo Trento, o Porto Alegre, que liderou o movimento.

70 anos de nascer e crescer

Os 70 anos do nascer e crescer de Pato Branco evidenciam a importância da organização política do povo, que aqui escolheu se estabelecer. Os pioneiros acreditaram no potencial da terra, lutaram em defesa dela e a edificaram. Fazendo com que os primeiros anos da história tenham sido marcantes, passando das ruas de barro e das casas de madeira, para o asfalto e os edifícios, os quais impressionam os visitantes que recebemos, seja para os negócios ou para o turismo. A política fez parte de todo esse ciclo evolutivo, juntamente, com o trabalho incansável dos munícipes pelo desenvolvimento da cidade, atuando localmente e buscando parcerias no Estado e no País, ou seja, o diferencial da cidade foi e continua sendo, os pato-branquenses.

Bandeira, Brasão e Hino de Pato Branco

Ainda sobre ações políticas no cotidiano dos pato-branquenses, temos os três símbolos de Pato Branco – a Bandeira, o Brasão e o Hino – que foram definidos mediante iniciativa do Poder Público.

Bandeira

Após um concurso promovido pela Prefeitura de Pato Branco, em 1967, ano em que estava à frente do Poder Executivo o prefeito Astério Rigon, foi escolhida a Bandeira de Pato Branco, cuja autoria é de Luiz Francisco Silva, o Pernambuco. Toda a descrição das cores, imagens, tamanho e utilização da Bandeira de Pato Branco foi regulamentada pela Lei nº 665, de 3 de maio de 1986.

Imagem Brasão

Brasão de Armas

Na mesma Lei, também consta a apresentação do Brasão de Armas, de autoria de Arthur Luponi, onde cada elemento que compõe a imagem é descrito e explicado. De acordo com a Lei:

Cores

De acordo com o documento, a cor azul – direita e esquerda do Brasão – foi escolhida por ser o símbolo heráldico de justiça, perseverança, zelo, perfeição, virtude e firmeza incorruptível; o metal prata – no centro do Brasão – pôr ser o símbolo heráldico de paz, amizade, lealdade, pureza, beleza, formosura, felicidade, franqueza, verdade e equidade; o vermelho lembra a cor característica da terra desta região do Sudoeste Paranaense; e o verde lembra os extensos campos, várzeas, colinas e baixadas, e que caracterizam a beleza de sua paisagem natural. A cor verde também simboliza a esperança, cortesia, civilidade, abundância, campo e posse. “A esperança é verde, porque alude aos campos verdejantes na primavera, prenunciando copiosa colheita”, citou o documento.

Símbolos

O arado antigo e o capacete alado de Mercúrio representam simbolicamente a base econômica do Município de Pato Branco: a agricultura e o comércio que constituem no momento a sua fonte de riqueza, graças às atividades desenvolvidas neste campo. A roda dentada, na parte inferior, simboliza a indústria manufatureira e a extrativa que vêm se desenvolvendo de modo acentuado. Para os três símbolos – arado, capacete e roda dentada – escolheu-se a cor do metal ouro, que é o mais nobre metal, por ser o símbolo heráldico de fé, riqueza, força, poder, solidez, prosperidade, constância e amor.

A tocha olímpica acesa é o símbolo de cultura de ciência, de amor e ardor guerreiro. É o emblema de luz, conhecimento e saber. É considerada como nome tutelar para a conquista dos melhores prêmios em todas as competições culturais e esportivas. A chama ardente, por sua vez, é o símbolo de esplendor, fama ilustre e pureza.

O livro aberto é o símbolo de erudição, respeito à lei e à ciência, e a frase latina “SIC ITUR ADASTRA” foi extraída um verso de Estácio: “Macte ânimo, generose puer, sic itur adastra” (Coragem, valente criança, é assim que se vai aos céus).

O pato, de plumagem branca – sob a cor vermelha – e a faixa ondada, representando um rio – sob a cor verde – evocam o nome do Município, revelando assim as Armas Falantos do lugar, ou seja, o Pato Branco foi tirado do rio com mesmo nome.

As duas chaves, de ouro e de prata, postas em aspa – sobre a porta central da coroa – representam, simbolicamente, o Santo Padroeiro do Município de Pato Branco: São Pedro Apóstolo, e ilustram a autoridade conferida por Jesus Cristo ao Apóstolo Pedro, com as seguintes palavras: “E eu te darei as chaves do Reino dos Céus; e tudo o que ligares na terra, será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra, será desligado nos céus”.

A coroa mural de cinco torres visíveis, representada em metal prata, com os portões e janelas em preto, representa as cidades que não são capitais de estados (nas capitais a coroa é em ouro). 

Os dois suportes, representados por um ramo de milho espigado e por um ramo de soja frutificado, simbolizam as duas principais culturas agrícolas.

A abreviatura cronológica “14.11.1951”, indica a data da criação do Município de Pato Branco, por força da Lei Estadual nº 790, da mesma data, o qual se desmembrou de Clevelândia e a abreviatura cronológica “14.12.1952″, indica a data de sua solene instalação, com a posse do 1º prefeito eleito – Plácido Machado – e com a possa da 1ª Câmara Municipal – constituída pelos vereadores Harry Waldir Graeff, Arcênio Gonçalves de Azevedo, Casemiro Gauze, João Viganó, Aristides Manuel Martins, Antonio Zanol, Vitélio Parzianello e Guerino Zandoná.

Hino de Pato Branco

Novamente em uma Gestão do prefeito Astério Rigon, em 1987, um novo concurso foi organizado, desta vez para escolher a composição do Hino de Pato Branco, cujos vencedores foram Francisca Rocilda Alves da Silva, letra, e Valdir Alves da Silva, pela música. Pela Lei nº 783, de 5 de setembro de 1988, o Hino de Pato Branco foi aprovado.

Amamos Pato Branco tão querido,

Tão rico e grandioso em tradição,

Forjado na luta e na coragem

De gente de valor e de ação.

[Estribilho]

Vamos cantar, lutar e enaltecer,

Participar com fé em sua vida e seu crescer!

Cante o fundo de noss’alma;

Pato Branco, tu és nosso lar!

Suporte de saber e de cultura,

És altivo, tens de Deus a proteção,

Teu progresso a teu povo enobrece,

Em tua saga há beleza e gratidão.

Vila Nova, Bom Retiro te chamaram

E, hoje, Pato Branco, com ardor,

Representas a grandeza de teus filhos,

Simbolizas tua fibra e seu vigor.

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