Vírus Nipah: Brasil tem risco baixo, mesmo com carnaval

O vírus Nipah voltou ao centro das atenções no fim de janeiro após o registro de dois novos casos na Índia. A repercussão internacional, somada à circulação de conteúdos desinformativos nas redes sociais, fez disparar as buscas pela doença no Brasil, especialmente às vésperas do Carnaval. Diante do cenário, surge a dúvida: há motivo para preocupação no País?

O Ministério da Saúde reforça que não há nenhum caso confirmado de vírus Nipah no Brasil e que o risco de uma pandemia associada ao agente é considerado baixo. Segundo a pasta, o País mantém protocolos permanentes de vigilância a agentes patogênicos emergentes e acompanha de forma contínua os alertas internacionais.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, foram confirmados na Índia apenas dois casos recentes, ambos entre trabalhadores da saúde. Essas pessoas tiveram contato com 198 indivíduos, todos já identificados e testados, com resultados negativos. O último caso foi registrado em 13 de janeiro, o que indica que o evento se aproxima do fim do período de monitoramento.

Potencial epidêmico e vigilância no Brasil

Para Benedito Fonseca, professor de moléstias infecciosas e tropicais da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e membro da Sociedade Brasileira de Infectologia, o vírus tem potencial epidêmico, mas raramente causará uma pandemia.

“O surto de Nipah na Índia está se extinguindo e, portanto, acredito ser mínima a chance de termos infecção pelo Nipah no Brasil”, afirma. Segundo ele, a principal medida é manter a detecção rápida de casos suspeitos, especialmente em pessoas que tenham viajado recentemente à Índia ou a Bangladesh, já que o vírus também pode ser transmitido por secreções respiratórias.

Como ocorre a transmissão do vírus Nipah

O vírus Nipah pode ser transmitido aos seres humanos por contato com animais infectados, ingestão de alimentos contaminados ou diretamente de pessoa para pessoa. Nesse último caso, a transmissão ocorre principalmente em situações de contato próximo, com exposição a fluidos corporais ou gotículas respiratórias.

Os hospedeiros naturais são morcegos da família Pteropodidae, que não existem no Brasil. Outros animais, como porcos e cavalos, também podem ser infectados. A transmissão para humanos pode ocorrer pelo contato com esses animais ou com seus fluidos. Há ainda risco associado ao consumo de frutas e sucos contaminados com urina ou saliva de morcegos infectados.

Sintomas e taxa de letalidade

O período de incubação varia entre quatro e 14 dias. Os sintomas podem ir de quadros assintomáticos ou leves até formas graves, com taxa de letalidade que pode chegar a 75%.

As manifestações iniciais incluem febre, dores no corpo, mal-estar, dor de cabeça e vômitos. Em casos mais severos, pode haver evolução para doença respiratória grave e comprometimento do sistema nervoso central, levando à encefalite, condição associada aos maiores índices de mortalidade.

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Tratamento e ausência de vacina

Até o momento, não há tratamento específico comprovadamente eficaz contra o vírus Nipah. O antiviral remdesivir tem sido utilizado de forma compassiva em alguns casos, mas a conduta padrão permanece baseada no tratamento de suporte, voltado ao controle de sintomas e complicações.

Também não existe vacina disponível para prevenção da infecção. O Ministério da Saúde mantém o monitoramento do cenário internacional e reforça que, no Brasil, não há registros da doença.