ALAP

E o jornalista partiu…

Mais um dia

Acordo-me. Deveria, sempre que me acordo, enfeitar meu quarto com bandeirolas virtuais para colorir meu dia. Tenho a mania de, nesses momentos, sempre me revestir de poeta. Quero festejar sempre cada novo dia quando me acordo até quando de fato me acordo para o novo dia. Sabe qual é o meu desafio de cada dia? O imponderável. Todos os dias morro de medo dos abismos, mas sei que devo sempre dar saltos à beira deles. O futuro, visto como numa corda bamba, me deixa estimulado.

Em minha vida nunca pretendi fugir de mim mesmo ou dos becos escuros em que me meteram. Mesmo me defrontando com cenários cruéis, injustos, até, sempre pude renascer das cinzas.(…)

O que há de mais belo na vida? A candura das crianças; a fé, que nos faz enxergar o que só a gente vê; a abnegação de quem abriga um abandonado pelo destino; a dedicação da enfermeira à beira da cama de um moribundo; a superação da mulher ao tratar do marido com Alzheimer; o apego da filha ao cuidar da mãe numa cadeira de rodas, a beleza e o perfume das flores.

O que amo na vida? Seu encanto sutil; minha filha; observar os peixinhos coloridos do meu aquário no seu bailar ao meio das plantas; ler; meditar; ver e escutar o ritmo preguiçoso da chuva fina; de quando o Sol alvorece trazendo a luz de mais um dia e quando a noite engole o Sol e desfaz o dia; da rebentação das ondas do mar; relembrar uma bela poesia; fechar os olhos e ficar a ouvir belas melodia e maravilhosas letras; pensar em Deus, que é uma forma de orar. (…)

Tenho mais um dia pela frente. E isso merece ser comemorado. Quando chegar mais uma noite, quero dormir abraçado com uma namorada da adolescência, época da vida da gente em que paixões não amargam. E não vou me esquecer de dizer a Deus: muito obrigado por mais este dia vivido.

LUÍS VERAS FILHO, cadeira 29.

E nós não vamos nos esquecer de agradecer a este saudoso jornalista por fazer parte da história de nossa cidade, por ter contribuído com o seu profissionalismo, com o seu exemplo de vida a construir um legado jornalístico e literário em Pato Branco.

Gratidão! Descanse em paz, confrade Luís! (24/12/1944 – 18/02/2023)

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