Boi da cara preta, pega o mercado que tem medo de careta

Fernando Ringel

Em tempos de eleição, os discursos nem sempre são realistas. Enquanto uns estão sempre indignados, outros tem certeza de que tudo nunca esteve tão bem. Entretanto, não existe mágica na economia e pouca coisa é mais frágil que o humor do mercado. Por isso, bom senso nunca é demais, até porque quando o assunto é dinheiro, muitas vezes o silêncio vale ouro. De verdade.

Todo esse cuidado é necessário porque o mercado é como um menino mimado, para não dizer egoísta. A Petrobrás é um exemplo de como nem toda alta na Bolsa de Valores significa um benefício para a população. Porém, em uma época de tantas crises, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, no último dia 31, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Contínua), apontando que o desemprego diminuiu em 0,7%. Isso equivale a uma média de 700 mil brasileiros de volta ao mercado de trabalho, sendo que atualmente o desemprego abrange 10,5% da população, a menor taxa desde 2015. Na prática, a pessoa com emprego se permite gastar mais, impulsionando o comércio, que acelera a recuperação da economia. Este ciclo ajuda a explicar o crescimento de 1% no Produto Interno Bruto (PIB) nos últimos três meses, também divulgado pelo IBGE, no dia 2. Outros países cresceram mais no mesmo período, mas já é alguma coisa.

O copo de água meio cheio

Há quem diga que essa melhoria seja apenas uma recuperação em relação ao tombo da pandemia e que, por causa da inflação, vai desacelerar no segundo semestre. Pessimismo alimentado também quando alguém, como o bilionário Elon Musk, fala em corte de investimentos ou pior, demissão de até 10% em uma de suas empresas. Como o mercado sempre tenta ler nas entrelinhas, acaba tendo medo até da própria sombra. Aí, mesmo que este rumor, divulgado dia 3, não seja verdadeiro, acaba atrapalhando.

De qualquer forma, tem horas em que a situação é tão complicada que o melhor a fazer é valorizar o que há de positivo e seguir trabalhando para melhorar. Pesquisas e índices econômicos nem sempre dizem algo além de um retrato sobre o momento, mas hoje em dia, quando uma notícia sobre a economia não é ruim, já está ótimo.

Comunicador e professor universitário

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