Além de ser uma das especiarias mais utilizadas na culinária, a canela pode oferecer benefícios importantes para a saúde metabólica e cardiovascular. Um estudo recente reforça que o consumo da especiaria pode ajudar no equilíbrio da glicose no sangue e no controle de colesterol e triglicérides.
A pesquisa foi publicada no periódico científico Frontiers in Nutrition e analisou dezenas de estudos clínicos envolvendo pessoas com diabetes tipo 2 e síndrome metabólica. Essa condição é caracterizada por níveis elevados de glicose, alterações no colesterol e triglicérides, pressão alta e acúmulo de gordura abdominal.
Os pesquisadores identificaram que compostos presentes na canela, especialmente os polifenóis, podem contribuir para melhorar o metabolismo da glicose e ajudar na prevenção de doenças cardiovasculares.
Como a canela pode ajudar no controle da glicose
De acordo com especialistas, substâncias presentes na especiaria podem estimular mecanismos celulares importantes para o controle do açúcar no sangue.
“Os compostos encontrados na canela contribuem para a ativação de um transportador chamado GLUT-4, responsável por facilitar a entrada de glicose nas células”, explica a nutricionista e fitoterapeuta Vanderlí Marchiori, conselheira da Associação Brasileira de Fitoterapia (ABFIT).
Além disso, pesquisas indicam que a canela pode retardar o esvaziamento do estômago, o que ajuda a reduzir picos de glicose após as refeições.
Possíveis benefícios cardiovasculares
O estudo também aponta indícios de que a especiaria pode contribuir para o controle do colesterol e dos triglicérides. Uma das hipóteses é que a canela interfira na absorção dessas moléculas gordurosas no intestino, reduzindo sua presença na circulação sanguínea.
Há ainda evidências de que o ingrediente pode favorecer a sensação de saciedade e auxiliar no controle do peso corporal, embora os efeitos observados sejam considerados modestos.
Segundo a nutricionista Priscila Santana Amad, do Einstein Hospital Israelita, a pesquisa analisou diversos estudos científicos já publicados.
“Trata-se de uma revisão guarda-chuva, que reúne resultados de várias revisões e estudos clínicos para avaliar o conjunto das evidências científicas”, explica.
Apesar dos resultados promissores, os autores destacam que ainda são necessárias mais pesquisas para confirmar os efeitos da canela em diferentes perfis de pacientes.
11 erros na cozinha aumentam risco de infecção alimentar
Como incluir a canela na alimentação
A canela é extraída de árvores do gênero Cinnamomum, originárias da Ásia. A parte utilizada da planta é uma camada interna do galho chamada floema, responsável pela produção de óleos aromáticos e protetores.
Entre as variedades mais conhecidas estão a canela-do-ceilão (Cinnamomum zeylanicum), originária do Sri Lanka, e a canela-da-china (Cinnamomum cassia), também chamada de cássia.
O ingrediente pode ser utilizado em pó ou em pau e aparece tanto em preparações doces quanto salgadas.
Ela é frequentemente usada em bolos, mingaus, curau, cremes e frutas, como banana e maçã. A especiaria também pode ser adicionada ao café, cappuccino e outras bebidas.
Na culinária salgada, faz parte de misturas de temperos como curry e pimenta síria e pode ser usada em carnes, molhos, arroz e pratos com peixe.
Consumo deve ser moderado
Apesar dos benefícios, especialistas alertam que o consumo deve ser feito com moderação. O excesso pode irritar as mucosas da boca e do estômago.
Além disso, doses elevadas, especialmente da canela-da-china, podem causar toxicidade no fígado.
“A recomendação é consumir até 2 gramas por dia, o equivalente a uma colher de café rasa”, orienta Vanderlí Marchiori.
Gestantes também devem evitar o consumo sem orientação profissional.
Especialistas reforçam que nenhum alimento isolado é capaz de prevenir doenças. Os benefícios da canela fazem parte de um conjunto de hábitos saudáveis que incluem alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, controle do estresse e sono adequado.
Fonte: Agência Einstein





