Chá pode fortalecer ossos de mulheres, aponta estudo

O consumo de chá pode estar associado a ossos mais fortes em mulheres, especialmente acima dos 65 anos, segundo estudo publicado na revista Nutrients. A pesquisa analisou o impacto da ingestão de chá e café na saúde óssea e identificou uma leve associação entre o consumo frequente de chá e maior densidade mineral óssea no quadril.

O levantamento acompanhou quase 10 mil mulheres ao longo de dez anos, participantes do Study of Osteoporotic Fractures, focado em fraturas relacionadas à osteoporose. Além disso, os pesquisadores compararam dados sobre consumo das bebidas com exames de densidade óssea do quadril e do colo do fêmur.

Chá apresenta efeito positivo; café exige moderação

De acordo com o estudo, o chá apresentou possível efeito protetor sobre os ossos. Por outro lado, o café não demonstrou prejuízo significativo quando consumido de forma moderada. No entanto, ingestões elevadas — acima de cinco xícaras por dia — podem estar associadas a maior risco de perda óssea.

Segundo a reumatologista Isabella Monteiro, do Einstein Hospital Israelita em Goiânia, o consumo equilibrado é essencial. “Até duas ou três xícaras por dia, o café não costuma trazer prejuízos importantes, desde que a ingestão de cálcio seja adequada. O problema está no excesso”, explicou.

Apesar dos achados, a especialista ressalta que os resultados têm maior relevância populacional. “A diferença observada é muito pequena e não altera condutas clínicas no consultório”, afirmou.

Subgrupos mostram variações nos efeitos

A pesquisa também analisou diferentes perfis de participantes. Entre os resultados, mulheres com maior consumo de álcool apresentaram possíveis efeitos mais negativos do café na saúde óssea. Em contrapartida, mulheres com obesidade pareceram se beneficiar mais do consumo de chá.

Entretanto, essas associações ainda precisam ser confirmadas. Por isso, especialistas reforçam que decisões médicas devem considerar fatores de risco consolidados, conforme orientações da Sociedade Brasileira de Reumatologia.

Osteoporose é comum após a menopausa

A osteoporose é caracterizada pela redução da massa e da qualidade dos ossos, o que aumenta o risco de fraturas, principalmente na coluna, quadril e punho. A condição é mais frequente após a menopausa devido à queda nos níveis de estrogênio.

Estima-se que cerca de um terço das mulheres acima dos 50 anos terá uma fratura osteoporótica ao longo da vida. O diagnóstico é realizado por meio da densitometria óssea, exame simples e indolor.

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Prevenção depende de hábitos consolidados

As diretrizes da Sociedade Brasileira de Reumatologia recomendam a realização do exame a partir dos 65 anos ou antes, em casos com fatores de risco. Entre eles estão menopausa precoce, histórico familiar, fraturas anteriores e uso prolongado de corticoides.

Os principais pilares para prevenção e tratamento incluem ingestão adequada de cálcio e vitamina D, prática regular de atividade física, prevenção de quedas e uso de medicamentos quando necessário.

Embora o chá e o café possam fazer parte da rotina, especialistas destacam que essas bebidas não substituem cuidados essenciais. “Podem ser consumidas com moderação, dentro de um estilo de vida equilibrado, mas não substituem medidas comprovadas para proteger a saúde óssea”, reforçou Isabella Monteiro.

Fonte: Agência Einstein