Nesta quarta-feira, 2 de abril de 2025, celebra-se o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) para promover informações sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e combater o preconceito. A data destaca a importância da inclusão escolar e da alfabetização de crianças e adolescentes com TEA, desafios essenciais para garantir os direitos dessa população.
O Que é o Transtorno do Espectro Autista?
Luciana Brites, psicopedagoga, psicomotricista e diretora-executiva do Instituto NeuroSaber, explica que o TEA é um transtorno do neurodesenvolvimento marcado por déficits na interação social, dificuldades na comunicação verbal e não verbal, além de comportamentos repetitivos e interesses restritivos. Entre as características mais comuns estão o baixo contato visual, atraso na fala, pouca reciprocidade social, desinteresse em socializar e rituais específicos.
“Por volta dos 2 anos, sinais de autismo podem surgir. O diagnóstico precoce é crucial para o tratamento, pois o TEA é um espectro: algumas crianças falam, mas não se comunicam, enquanto outras são pouco fluentes ou não verbais. A alfabetização de uma criança não verbal é possível, embora mais desafiadora”, afirma Luciana.
De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), o TEA é classificado em três níveis de suporte: nível 1 (apoio leve), nível 2 (apoio moderado) e nível 3 (apoio substancial), refletindo a intensidade das necessidades individuais.
Alfabetização e Inclusão no Ensino Regular
A alfabetização de crianças com autismo enfrenta barreiras, mas é viável na maioria dos casos, conforme destaca Luciana Brites. “A inclusão no ensino regular é possível, porém exige capacitação docente e adaptações pedagógicas. O grande desafio é qualificar professores para atender tanto alunos típicos quanto atípicos.”
Para estimular o aprendizado, a especialista sugere atividades como:
- Consciência fonológica: Trabalhar sílabas e fonemas, repetindo palavras e destacando sons.
- Rimas: Ler histórias e enfatizar palavras que rimam, ajudando na percepção auditiva.
- Adaptações individuais: Considerar a singularidade de cada aluno no planejamento escolar.
Crianças com TEA frequentemente memorizam palavras com facilidade, mas enfrentam dificuldades em habilidades fonológicas complexas, como compreender o contexto das palavras.
Importância do Diagnóstico Precoce
A detecção precoce do autismo é um fator determinante para o sucesso da inclusão escolar. “Identificar atrasos na cognição social na primeira infância permite intervenções mais eficazes. Isso exige integração entre sistemas de saúde e educação, com escolas e unidades de saúde trabalhando juntas”, explica Luciana.
A especialista reforça que a inclusão depende de um tripé: famílias, escolas e profissionais de saúde. “O professor sozinho não realiza a inclusão. Tudo começa com a capacitação de educadores e equipes de saúde. Muitas vezes, é na escola que transtornos são identificados, possibilitando o encaminhamento a equipes multidisciplinares.”
Política Nacional de Educação Inclusiva
Desde 2008, o Ministério da Educação (MEC) implementa a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, alinhada à Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. A política promove a convivência em salas de aula comuns, respeitando as diferentes formas de comunicação e aprendizado.
O MEC destaca que identificar barreiras à escolarização e planejar soluções é responsabilidade da equipe escolar, com apoio do Atendimento Educacional Especializado (AEE). Iniciativas como salas de recursos multifuncionais (SRM) e atividades colaborativas são fundamentais para garantir o acesso ao currículo. Atualmente, 36% das escolas brasileiras possuem SRMs.
Dados do Censo Escolar 2022, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), revelam:
- 1,372 milhão de estudantes da educação especial em classes comuns.
- 89,9% das matrículas do público-alvo da educação especial em turmas regulares.
- 129 mil matrículas desde a educação infantil.
A inclusão escolar de autistas e a alfabetização eficaz dependem, portanto, de diagnósticos precoces, capacitação profissional e políticas públicas robustas, assegurando que cada criança tenha suas necessidades atendidas no ambiente educacional.
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