Ouro em Tóquio, Richarlison cobra melhores condições para o esporte brasileiro

Medalhista olímpico com a seleção brasileira masculina de futebol em Tóquio, Richarlison divulgou neste domingo um manifesto cobrando melhores condições para o esporte brasileiro. O atacante recordou a trajetória difícil até se tornar jogador profissional e disse ter conhecido na Olimpíada histórias de atletas que chegaram no auge esportivo “com pouco ou nenhum tipo de apoio ou estrutura” para isso.

“Passou da hora de o nosso país entender que esporte não é só um cara chutando no gol ou enterrando a bola numa cesta: é bem-estar, saúde, disciplina e segurança. Nós levamos o nome do nosso país ao mais alto nível com muito orgulho, geramos exposição e rendimentos, além de representar nossa gente e nossa bandeira. Então, nada mais justo do que haver um retorno mais significativo”, escreveu o atleta do Everton, sempre ativo nas redes sociais e sem medo de se envolver em causas sociais.

Neste domingo, o Estadão revelou que o Comitê Olímpico do Brasil (COB) gastou R$ 950 milhões no ciclo olímpico (2017 – 2021), quantia investida da Lei Piva, pelo governo e patrocinadores. Mas poderia ser melhor. Em julho, o Bolsa Atleta sofreu queda de 17% em seu orçamento total. Foi a primeira vez na história que o programa, criado em 2005, amargou uma redução de orçamento.

Com papel importante na seleção principal e no clube inglês, o camisa 10 do Brasil em Tóquio também faz um mea-culpa no texto publicado em seu site oficial, reconhecendo o futebol como um esporte de maior investimento financeiro. Mas, ressalta que a realidade da grande maioria dos atletas brasileiros não desfruta das mesmas condições.

“O futebol realmente é o esporte com maior investimento no país, com boas estruturas nos grandes clubes e transmissão em todas as plataformas, mas não podemos viver eternamente em uma bolha, onde apenas alguns poucos se destacam, pois, dentro do nosso próprio esporte, mais de 90% dos jogadores no nosso país ralam todo dia por um salário mínimo ou menos. E ainda há a disparidade para o futebol feminino, que é ainda maior, apesar de toda a trajetória de lutas e conquistas das meninas nos últimos anos.”

Richarlison foi convocado para os Jogos de Tóquio para ser uma das peças-chave de André Jardine na busca pelo ouro. Apesar do pênalti desperdiçado e a bola na trave na final contra a Espanha, o jogador terminou a competição como o artilheiro, com cinco gols em seis partidas disputadas.

“A partir de agora, gostaria de pedir licença a todos vocês para ser mais uma voz gritando bem alto para ajudar a mudar essa situação. Para que possamos dar a oportunidade às crianças, que hoje se inspiram nas nossas trajetórias, para que cheguem ao Olimpo do esporte”.

Em entrevista ao Estadão recentemente, Richarlison bateu forte nos governos do Brasil e nos políticos de modo geral pedindo educação, trabalho e comida na mesa do brasileiro.