O Sistema FAEP alertou que produtores rurais podem enfrentar dificuldades na compra de fertilizantes para a safra 2026/27. O cenário é consequência das restrições de exportação impostas por Rússia e China, principais fornecedores globais do insumo. A aquisição ocorre, principalmente, entre abril e junho, período considerado estratégico para o planejamento agrícola.
Dependência externa aumenta vulnerabilidade
Atualmente, o Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes utilizados na produção agrícola. Em 2025, foram adquiridas 45,5 milhões de toneladas no mercado internacional.
Essa dependência torna o país mais vulnerável às oscilações externas. Além disso, fatores geopolíticos, como a guerra no Oriente Médio, contribuem para o aumento dos preços e a redução da oferta.
Como resultado, o produtor rural pode enfrentar custos mais elevados e dificuldade no acesso ao insumo.
FAEP orienta planejamento e gestão
Diante desse cenário, o Sistema FAEP reforça a necessidade de planejamento por parte dos produtores. A entidade recomenda uma postura preventiva e maior controle na gestão financeira.
Entre as orientações estão evitar compras concentradas em períodos de preços elevados, priorizar aquisições escalonadas e monitorar a relação de troca entre fertilizantes e produtos agrícolas.
Além disso, é fundamental garantir um volume mínimo do insumo para não comprometer a produção.
Segundo o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, o momento exige cautela e estratégia. Ele destaca que decisões impulsivas podem impactar diretamente a rentabilidade da safra.
Copel cria canal exclusivo para produtor rural após pedido da FAEP
Custos com diesel também preocupam
Outro fator que pressiona o setor é o aumento no preço do diesel. No Paraná, o combustível registrou alta superior a 20% no valor de revenda em comparação com fevereiro.
Com a mecanização crescente, o diesel é essencial em toda a cadeia produtiva. Atualmente, cerca de 73% da energia utilizada na agropecuária brasileira é proveniente de combustíveis fósseis.
Além disso, o diesel representa aproximadamente 40% do custo do frete, o que impacta diretamente o escoamento da produção.
Impacto atinge diversas cadeias produtivas
No Paraná, culturas como soja, milho, trigo e cana-de-açúcar dependem de máquinas movidas a diesel em praticamente todas as etapas da produção.
Já setores como avicultura, suinocultura e produção de leite exigem logística contínua, o que amplia a dependência do combustível.
Diante desse cenário, o planejamento estratégico se torna essencial para reduzir riscos e garantir a sustentabilidade econômica da safra 2026/27.





