O Paraná intensificou o combate ao greening com a publicação de uma nova portaria da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), em março. A medida estabelece regras obrigatórias para prevenção, controle e contenção da doença, considerada a principal ameaça à citricultura no Estado, setor que representa mais de 60% da produção de frutas.
Causado pela bactéria Candidatus Liberibacter spp. e transmitido pelo psilídeo-dos-citros, o greening não tem cura. Por isso, o monitoramento constante e a eliminação de plantas com sintomas são as principais estratégias de controle.
Segundo o Sistema FAEP, a nova portaria reforça ações no campo e atende a uma exigência do Ministério da Agricultura e Pecuária. A medida determina que os estados adotem planos de contingência para conter o avanço da doença.
O presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, destacou a importância da mobilização coletiva. Ele afirmou que orientar os produtores e eliminar plantas infectadas são medidas decisivas para frear a disseminação.
Regras ampliam fiscalização e exigências
A nova regulamentação estabelece obrigações como cadastro de propriedades, inspeções periódicas e controle do inseto vetor. Além disso, os produtores devem enviar relatórios com informações sobre plantas infectadas e eliminadas.
De acordo com a Adapar, o objetivo é evitar o aumento dos focos no Estado. Isso porque já há sinais de avanço do greening em áreas monitoradas.
O chefe de divisão de Sanidade da Citricultura, Diego Juliani de Campos, ressaltou que a doença se espalha rapidamente. Por isso, propriedades sem sintomas podem ser contaminadas por áreas vizinhas em pouco tempo.
Citricultura tem peso relevante na economia
O controle da doença é estratégico para o Paraná. Dados do IBGE indicam que o Estado ocupa a terceira posição na produção de laranja, quarta em tangerina e sexta em limão no Brasil.
Além disso, o citrus representa 62,3% da produção da fruticultura estadual, conforme o Departamento de Economia Rural da Secretaria da Agricultura.
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Produtores reforçam importância do controle coletivo
No campo, produtores destacam que o enfrentamento do greening depende da atuação conjunta. O citricultor Alexandre Vagetti, de Paranavaí, afirmou que já eliminou plantas infectadas ao identificar a doença.
Segundo ele, a ação imediata é essencial para evitar prejuízos maiores. Além disso, destacou que a responsabilidade é coletiva, pois a falta de controle em uma propriedade pode afetar áreas vizinhas.
A produtora Ana Maria Gorzoni Tomaz também relatou perdas causadas pela doença. Em algumas áreas, foi necessário erradicar pomares inteiros para replantio. Já em áreas mais novas, o trabalho envolve monitoramento constante e eliminação pontual das plantas afetadas.
Portaria define prazos para eliminação de plantas
A norma detalha como deve ocorrer a eliminação de plantas com sintomas. Pomares com até oito anos ou acima de 15 anos devem ser erradicados imediatamente.
Já plantas entre nove e 12 anos podem ser eliminadas em até quatro anos. Por outro lado, aquelas com idade entre 13 e 15 anos têm prazo de até três anos para retirada.
Além disso, os produtores devem intensificar o controle do inseto vetor. O manejo deve seguir orientações técnicas e metodologia regulamentada pela Adapar.
Programa nacional orienta ações no país
As medidas estão alinhadas ao Programa Nacional de Prevenção e Controle do HLB, instituído pelo Ministério da Agricultura. O programa estabelece diretrizes para eliminação de plantas contaminadas e manejo adequado das áreas afetadas.
A luta contra o greening no Paraná não é recente. Desde os primeiros casos, entidades públicas e privadas atuam de forma conjunta. Um dos marcos foi a criação da Câmara Setorial da Citricultura, que reúne órgãos públicos, cooperativas e empresas para monitorar e propor ações no Estado.





