A redução de tarifas prevista no acordo entre Mercosul e União Europeia, que entrou em vigor provisoriamente em 1º de maio, deve beneficiar o agronegócio do Paraná. Segundo o Sistema FAEP, o tratado garante acesso a um mercado de 451 milhões de consumidores e prevê mudanças imediatas nas exportações.
Já no início da vigência, cerca de 5 mil produtos brasileiros passaram a ter tarifa de exportação zerada. Entre eles estão café solúvel, óleos vegetais e frutas. Além disso, outros produtos como carne bovina, frango e açúcar terão redução de tarifas dentro de limites anuais.
As cotas de exportação serão ampliadas gradualmente ao longo de seis anos. No caso do frango, o limite chegará a 180 mil toneladas por ano. Já para a carne bovina, a cota será de 99 mil toneladas.
Paraná pode ampliar participação no mercado europeu
Maior produtor e exportador de frango do Brasil, o Paraná tende a ser beneficiado diretamente. Mesmo que as cotas contemplem todo o Mercosul, o Estado possui condições de garantir parcela relevante dessas exportações.
Além disso, o Paraná também pode ampliar sua participação na exportação de carne bovina. A vantagem competitiva está ligada à infraestrutura logística, capacidade produtiva e ao padrão sanitário.
Desde 2021, o Estado é reconhecido como área livre de febre aftosa sem vacinação pela Organização Mundial de Saúde Animal. Segundo o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, esse status reforça a qualidade das carnes produzidas no Paraná.
“A capacidade de produção e a qualidade dos nossos produtos colocam o Paraná em posição estratégica para aproveitar o novo acordo comercial e ganhar espaço no mercado europeu”, afirmou.
Exportações do Paraná superam US$ 2 bilhões
Em 2025, o Paraná exportou 4,2 milhões de toneladas de produtos agropecuários para a União Europeia. O volume gerou mais de US$ 2 bilhões em receitas, conforme dados do Ministério da Agricultura e Pecuária.
Entre os principais produtos exportados estão carne bovina, carne de frango, café solúvel, frutas, soja, milho, carne suína, café em grãos e hortaliças.
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Regras sanitárias exigem adaptações
O acordo também estabelece novas exigências ambientais e sanitárias para os produtos exportados. Por um lado, as normas valorizam itens que já seguem padrões elevados. Por outro, exigem adaptações de parte do setor produtivo.
Muitos produtores precisarão investir em rastreabilidade, certificação e práticas sustentáveis. Consequentemente, os custos de produção podem aumentar no curto prazo.
Segundo Meneguette, é necessário apoio público para viabilizar essas adequações. “O Sistema FAEP vai promover o diálogo com o poder público para criar mecanismos como linhas de crédito e programas de fomento”, afirmou.
Acordo é resultado de 26 anos de negociação
O tratado entre Mercosul e União Europeia foi assinado em 17 de janeiro, após 26 anos de negociações. No entanto, a entrada em vigor ocorre de forma provisória, já que o texto ainda precisa ser ratificado pelos parlamentos dos 27 países europeus.
Além disso, o acordo foi encaminhado à Justiça da União Europeia, que deve avaliar sua legalidade. O processo pode levar até dois anos. Países como França, Hungria, Áustria e Irlanda já manifestaram resistência à adoção do tratado.





