O recém-inaugurado Museu Satélite do Museu Paranaense (MUPA), em Pato Branco, iniciou as atividades com intensa participação da comunidade escolar. Um dia após a inauguração oficial, realizada na quarta-feira (20), o espaço já operava com capacidade plena e recebeu cerca de 200 alunos da rede pública municipal durante visitas mediadas nesta quinta-feira (21).
Os estudantes participaram das atividades acompanhados por professores da Escola Municipal de Artes de Pato Branco.
O espaço integra a política estadual dos Museus Satélites, iniciativa da Secretaria de Estado da Cultura (SEEC) que busca descentralizar o acesso à cultura e ampliar a presença permanente dos museus estaduais em diferentes regiões do Paraná.
Projeto amplia acesso à cultura no Interior
Mais do que receber exposições temporárias, os Museus Satélites contam com programação contínua, ações educativas e circulação regular de acervos estaduais.
A proposta busca aproximar a população do Interior dos espaços culturais e fortalecer a integração entre educação, patrimônio histórico e arte.
Para a diretora da Escola Municipal de Artes, Fabiani de Paula, o contato direto com o acervo transforma a experiência de aprendizado dos estudantes.
“Saber é uma coisa, mas poder olhar, ter o toque e a vivência do que já passou faz o aprendizado ter mais lógica”, afirmou. “Isso faz diferença inclusive para nós, adultos, que não tínhamos esse acesso na cidade. É a nossa história enquanto cidadãos.”
Visita desperta curiosidade entre os estudantes
O professor Andrei Fabiano Vieira destacou o interesse dos alunos durante a visita à exposição.
“É interessante ver a reação deles perante tudo o que está acontecendo hoje no mundo; eles terem essa volta ao passado, saber como era originalmente o nosso Brasil. Você vê o brilho no olhar observando as fotos, vendo a pele da onça”, relatou.
Segundo ele, alguns objetos históricos chamaram atenção das crianças por fazerem parte de uma realidade distante da geração atual.
“Até a própria câmera fotográfica antiga que estava ali, muitos alunos perguntaram: ‘professor, o que é isso?’”, contou.
A estudante Isadora Voitena, de 8 anos, visitou um museu pela primeira vez.
“Eu nunca fui a um museu. A primeira vez foi essa. Hoje a gente fez uma coisa muito legal e diferente. Quando chegar em casa, vou contar para os meus pais sobre a pele de onça que vi aqui hoje. É muito impressionante”, disse.
Leia também
Acervo ajuda a reforçar aprendizado em sala
O professor de artesanato Gustavo Alisson da Silva explicou que a exposição complementa conteúdos já trabalhados em sala de aula, especialmente sobre povos originários e pigmentos naturais.
“Trazer os alunos aqui acaba amarrando o contexto como um todo”, afirmou.
Segundo ele, a presença de um acervo indígena em Pato Branco fortalece a preservação cultural e amplia as possibilidades pedagógicas.
“É uma riqueza de peças que pode ser trabalhada em diversas áreas das artes. Ter isso por perto permite que tragamos os alunos sempre”, destacou.
Procura por visitas já mobiliza escolas
De acordo com a mediadora do Departamento de Cultura de Pato Branco, Aline Schenato Sabadini Brandielli, o interesse das instituições de ensino foi imediato.
“As escolas procuram bastante essa visita mediada. Os professores têm uma preocupação bem grande em que os alunos tenham o contato direto com um objeto artístico ou histórico”, explicou.
Somente no primeiro dia de funcionamento, o espaço recebeu quatro grupos escolares.
“Recebemos dois grupos pela manhã e dois grupos pela tarde. Só hoje, recebemos cerca de 200 alunos da rede pública municipal e já temos visitas agendadas para os próximos dias”, afirmou Aline.
Exposição apresenta coleção de Vladimir Kozák
Nesta primeira fase de funcionamento, os visitantes podem conhecer a exposição “A riqueza de um patrimônio em movimento: por dentro da vida e da Coleção Vladimir Kozák”.
A mostra reúne fotografias, filmes, câmeras fotográficas e adornos indígenas coletados pelo pesquisador, cineasta e etnógrafo Vladimir Kozák entre as décadas de 1940 e 1950.
O acervo apresenta registros históricos e culturais produzidos durante expedições realizadas pelo pesquisador no Paraná e em outras regiões do Brasil.





