Um estudo da Universidade de Warwick, na Inglaterra, aponta que a obsessão com o peso pode afetar negativamente a saúde mental de jovens, mesmo entre aqueles com peso considerado adequado. A pesquisa indica que adolescentes que controlam rigorosamente o corpo por meio de dietas restritivas e exercícios físicos apresentam mais sintomas de ansiedade, depressão e sofrimento psicológico na vida adulta.
Os resultados foram publicados em janeiro na revista Current Psychology. O levantamento utilizou dados do Millennium Cohort Study (MCS), que acompanha milhares de jovens desde a infância. Além disso, os pesquisadores analisaram informações coletadas entre 2018 e 2019, quando 10.625 adolescentes de 17 anos participaram do estudo, e em 2021, quando os participantes tinham 20 anos.
Estudo identifica quatro perfis entre jovens
Os participantes responderam a entrevistas e questionários sobre peso, hábitos alimentares, prática de exercícios, saúde mental e bem-estar. A partir desses dados, os pesquisadores identificaram quatro perfis principais, combinando estado nutricional e comportamentos de controle do peso.
O grupo com melhores indicadores psicológicos foi o de jovens com peso considerado normal que não realizavam dieta ou exercícios com foco em emagrecimento. Por outro lado, aqueles com sobrepeso, baixo peso ou peso normal associado a controle rígido da alimentação e atividade física apresentaram piores resultados de saúde mental aos 20 anos.
Relação com o corpo é fator determinante
Segundo a psicóloga Patrícia Cristina Gomes, especialista em transtornos alimentares, o impacto está na relação do jovem com os hábitos. “Dieta equilibrada e exercício físico podem ser fatores protetivos. No entanto, quando o cuidado ocorre por medo de engordar, insatisfação corporal ou comparação social, torna-se um sinal de alerta”, explicou.
Nesses casos, os comportamentos deixam de promover saúde e passam a funcionar como reguladores de ansiedade e autoestima. Consequentemente, aumentam os riscos de sofrimento psicológico.
Estigma corporal agrava problemas de saúde mental
O estudo também aponta que o estigma relacionado ao peso está associado a pior saúde mental, independentemente do índice de massa corporal (IMC). Muitos jovens com peso normal relataram sentir pressão social, insatisfação com a aparência e exposição constante a comparações.
Esses fatores foram ligados a níveis mais altos de ansiedade, sintomas depressivos e sofrimento psicológico. Além disso, a pesquisa identificou maior presença de neuroticismo entre jovens com preocupação excessiva com o corpo, característica associada a emoções negativas e dificuldade de lidar com frustrações.
Meninas apresentam maior vulnerabilidade
De acordo com a pesquisa, meninas e mulheres jovens são mais vulneráveis a esse cenário. A pressão estética, ampliada pelas redes sociais, contribui para a construção de padrões irreais de corpo e comportamento.
Entre os sinais de alerta estão mudanças no padrão alimentar, culpa após comer, necessidade de compensação com exercícios e rigidez excessiva com a alimentação. Além disso, a prática de atividade física como obrigação ou punição também pode indicar sofrimento emocional.
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Especialistas indicam atenção de pais e cuidadores
Outro ponto de atenção é a forma como o jovem se expressa sobre o próprio corpo. Comentários frequentes de desvalorização, medo intenso de engordar e comparação constante com outras pessoas podem indicar insatisfação corporal.
Segundo especialistas, a terapia cognitivo-comportamental pode ajudar a reduzir a autocrítica e fortalecer uma relação mais saudável com o corpo. Além disso, é importante que familiares evitem comentários sobre peso e reforcem valores que vão além da aparência.
Fonte: Agência Einstein





