Paraná tem menor recusa para doação de órgãos no Brasil

O Paraná se consolidou como o estado com a menor taxa de recusa familiar para doações de órgãos no Brasil, resultado do fortalecimento estratégico e contínuo do Sistema Estadual de Transplantes.

Ao lado de Santa Catarina, o Estado mantém índice de 30% de recusa, abaixo da média nacional de 45%, conforme o último Registro Brasileiro de Transplantes (RBT).

História de superação reforça importância da doação

Entre os beneficiados está a jovem Mariana Chuch, de 17 anos, transplantada de coração há quase um ano. Após enfrentar uma longa jornada de saúde, ela hoje retoma a vida com novos planos, incluindo o sonho de cursar Psicologia.

Diagnosticada com miocardiopatia dilatada ainda nos primeiros dias de vida, Mariana passou por diversos tratamentos até que, após complicações como AVC e trombose, recebeu a indicação de transplante. Um mês após a internação, surgiu um coração compatível.

“Enfrentei o centro cirúrgico com medo e esperança, acreditando na vida”, relembra. Após a recuperação, a jovem segue com rotina adaptada, mas com qualidade de vida restabelecida.

Doação pode salvar várias vidas

A doação de órgãos é um ato de solidariedade capaz de beneficiar até oito pessoas. Em 2025, o Paraná realizou 773 transplantes, sendo 31 de coração. Nos dois primeiros meses de 2026, foram registradas 123 doações, incluindo três transplantes cardíacos.

No cenário nacional, os transplantes de rim e córnea lideram. Em 2025, o Brasil registrou 4.969 transplantes de rim e 13.366 de córnea, segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO).

No Paraná, a tendência se repete. Foram 445 transplantes de rim e 1.066 de córneas, coordenados pela Central Estadual de Transplantes (CET/PR).

Estratégia e acolhimento reduzem recusas

De acordo com o secretário estadual da Saúde, César Neves, a redução da recusa familiar está ligada à qualificação das equipes e ao fortalecimento do diálogo com a sociedade.

“A abordagem humanizada e o preparo técnico das equipes são fundamentais para esse resultado”, destaca.

O modelo inclui padronização de protocolos, monitoramento de indicadores e atuação integrada entre hospitais, Organizações de Procura de Órgãos (OPOs) e a Central Estadual.

Sanepar envia alertas por SMS sobre falta de água

Conversa com a família é decisiva

No Brasil, a autorização para doação depende exclusivamente da família. Por isso, declarar o desejo de ser doador aos familiares é fundamental.

Segundo a coordenadora do Sistema Estadual de Transplantes, Juliana Ribeiro Giugni, a comunicação prévia facilita a decisão em momentos delicados.

“Somente os parentes mais próximos podem autorizar a doação. Sem esse consentimento, o processo não ocorre”, explica.

Critérios garantem justiça na fila de espera

Os órgãos são destinados a pacientes inscritos em uma lista única nacional, fiscalizada pelo Sistema Nacional de Transplantes.

A seleção considera critérios técnicos como gravidade do paciente, tempo de espera, tipo sanguíneo e compatibilidade com o órgão doado, garantindo transparência e equidade no processo.