Pesquisadoras da UEL desenvolvem sérum facial com proteína do bicho-da-seda

seda sérum facial

Pesquisadoras da Universidade Estadual de Londrina (UEL) estão em fase final de testes de um sérum facial desenvolvido a partir de fibroína, proteína extraída do casulo do bicho-da-seda. O produto apresentou resultados positivos como hidratante e no equilíbrio da saúde da pele, além de possuir potencial antioxidante e regenerador.

O sérum foi desenvolvido no Laboratório de Inovação e Tecnologia Cosmecêutica (LABITEC), do Centro de Ciências da Saúde (CCS) da UEL, e já teve patente depositada em parceria com a Bratac Fiação de Seda e a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), campus Londrina.

Projeto busca fortalecer cadeia da seda no Paraná

A pesquisa integra o projeto multidisciplinar “Seda Brasil – o fio que transforma”, iniciativa voltada ao fortalecimento da cadeia produtiva da seda no Paraná, responsável por mais de 80% da produção nacional.

O projeto conta com financiamento da Unidade Executiva do Fundo Paraná (UEF), vinculada à Secretaria Estadual de Ensino Superior, Ciência e Tecnologia (SETI).

A pesquisa do sérum é conduzida pela mestranda Maria Vitória Ferreira da Silva, do Programa de Pós-graduação em Ciências Farmacêuticas, sob orientação da professora Audrey Lonni, coordenadora do Laboratório de Tecnologia Cosmecêutica da UEL.

Audrey, Renata, Cristianne e a mestranda Maria Vitória.

Fibroína possui propriedades hidratantes e regeneradoras

Segundo os pesquisadores, embora a utilização da fibroína em dermocosméticos não seja novidade, o método de extração utilizado aliado ao desenvolvimento do sérum facial representa uma inovação na indústria cosmética.

A proteína extraída do casulo do bicho-da-seda Bombyx mori é composta principalmente por aminoácidos como glicina, alanina e serina, sendo considerada biocompatível e biodegradável.

Entre as propriedades apontadas estão o suporte à adesão celular, ação antioxidante e estímulo à regeneração tecidual.

Testes mostraram melhora na textura da pele

Para chegar ao protótipo atual, os pesquisadores desenvolveram diferentes formulações e avaliaram características físico-químicas, estabilidade, citotoxicidade, atividade antioxidante, eficácia hidratante e aceitabilidade sensorial.

Segundo a mestranda Maria Vitória, cerca de 50 voluntários participaram dos testes clínicos preliminares.

“Os relatos foram positivos. Todos elogiaram a melhoria na textura da pele após sete dias de uso consecutivos”, afirmou.

A próxima etapa será realizada em laboratório certificado para avaliação do potencial de hidratação e firmeza cutânea, etapa necessária para futuro registro do produto na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Produto pode agregar valor à cadeia produtiva da seda

Além do potencial cosmético, o sérum também representa uma alternativa de alto valor agregado para o aproveitamento de casulos de segunda linha, que normalmente possuem menor uso comercial.

De acordo com a coordenadora do projeto Seda Brasil, professora Cristianne Cordeiro, a iniciativa fortalece a competitividade da seda brasileira no mercado internacional.

O projeto Seda Brasil começou em 2018 e reúne pesquisas voltadas ao melhoramento genético das larvas, resistência dos casulos e sustentabilidade da cadeia produtiva, que envolve cerca de 2 mil pequenos e médios produtores rurais em 176 municípios paranaenses.

Pesquisa foi apresentada em congresso internacional

O estudo sobre o sérum de fibroína foi apresentado no XXVII Congresso Ibero-Americano de Químicos e Cosméticos (COLAMIQC 2025), que aconteceu entre os dias 10 e 12 de setembro de 2025, em Cartagena das Índias, na Colômbia.

O evento é considerado um dos maiores congressos latino-americanos voltados à inovação na indústria cosmética.