Região

A enfermagem nas suas diferentes maneiras

No município de São João há 26 profissionais dessa área, dos quais dois são auxiliares, 11 técnicos e 13 enfermeiros - Crédito: Divulgação

Hoje (12), comemora-se o Dia Internacional da Enfermagem; e no dia 20 o Dia Nacional do Técnico e Auxiliar de Enfermagem. Conheça um pouco da história das três profissionais há mais tempo em atuação hoje em São João

A área da Saúde — em especial a pública — funciona como um corpo humano ou uma máquina. Se estiver faltando alguma parte, certamente não se desenvolverá como deve.

Nesse segmento, vários são os profissionais que atuam; todos com a mesma importância. Contudo, hoje falamos sobre os que trabalham na Enfermagem.

Isso porque, nesta quarta-feira (12), comemora-se o Dia Internacional da Enfermagem; enquanto que no dia 20 de maio é celebrado o Dia Nacional do Técnico e do Auxiliar de Enfermagem.

No município de São João, por exemplo, há 26 profissionais dessa área, dos quais dois são auxiliares, 11 técnicos e 13 enfermeiros, distribuídos entre o Pronto Atendimento, Sala de Vacina, Estratégia Saúde da Família, Centro de Saúde e Epidemiologia.

Vários profissionais já passaram e contribuíram para a história da saúde do município. No momento, a enfermeira que está há mais tempo na Secretaria de Saúde e continua em atuação é Simona Fabricia Scholz.

Simona está há 18 anos trabalhando na Secretaria Municipal de Saúde – Crédito: Arquivo pessoal

Natural de São João, ela tem 41 anos de idade e está há 18 na saúde pública; formou-se em Enfermagem, no ano de 2002, pelo Centro Universitário Campus de Andrade, em Curitiba.

Simona conta que sempre teve interesse na área da saúde; desde a infância gostava de cuidar. Além disso, quando estudava no Ensino Médio, a sua avó sempre lhe incentivava a fazer enfermagem.

“A nona olhava duas profissionais de enfermagem passar em frente à sua loja e me falava: ‘Mona, meu sonho é ver você assim, de branco, igual a elas’”, relembra, completando que hoje trabalha com essas duas profissionais que serviram de exemplo [uma, anteriormente, era auxiliar e agora é técnica; e a outra que era técnica e agora é também enfermeira].

A sua trajetória na profissão começou logo na sequência em que se formou. Ela voltou para São João, trabalhou cerca de três meses no extinto Hospital e Maternidade São João — atualmente Pronto Atendimento Municipal (PAM).

Durante esse período, inscreveu-se no concurso público da prefeitura, passou e foi convocada para o quadro de funcionários da Secretaria Municipal de Saúde, sendo que hoje é enfermeira no setor de Epidemiologia, no Centro de Saúde.

“O que mais me marcou até agora são as pessoas que trabalharam junto, todas deixaram uma marca. Agradeço a todas as pessoas que passaram e outras que ainda trabalham comigo e me ensinaram muito”.

Quanto às pessoas que desejam ingressar na área, Simona explica um pouco sobre as atribuições da sua profissão. “O enfermeiro tem a responsabilidade de gerenciamento, organização e liderança. Sistematização da assistência, além de várias atribuições que são exclusivas do enfermeiro. É um campo vasto, pois hoje, além da saúde pública e hospitalar, a enfermagem está abrindo vários outros campos de atuação. Então, se tiver vontade de ser da área da enfermagem, sejam bem-vindos, mas saibam: a responsabilidade é grande, com muitos desafios, porém, gratificante”.

Nica também é concursada há 18 anos – Crédito: Arquivo pessoal

Nica

Elisane Giovanella (mais conhecida como Nica) tem 45 anos de idade e é a auxiliar de enfermagem com mais tempo de atuação hoje em dia no município, há 18 anos.

Natural de São João, ela também tem formação em Técnica de Enfermagem. Contudo, é concursada como auxiliar. “Ingressei na saúde, porque desde a infância me identifico com essa área em ajudar o próximo”, justifica.

Assim como Simona, Nica estudou em Curitiba durante um período e, quando concluiu o curso de Auxiliar de Enfermagem, voltou a São João para cuidar de sua mãe e resolveu se inscrever no mesmo concurso.

Passou e, quando foi convocada, começou as suas atividades na Estratégia Saúde da Família (ESF), na comunidade Ouro Verde. Depois de algum tempo, passou a trabalhar na Unidade Básica de Saúde (UBS) Central; posteriormente na UBS Novo Horizonte; e, hoje, está na UBS Aldino Scholz, no Centro.

Segundo ela, seu trabalho consiste no “acolhimento, administração de medicação, curativo, visitas domiciliares, preparo de inalação, auxílio à enfermeira na sondagem médica em procedimentos, além da aferição de sinais vitais”.

Infelizmente, no próximo dia 19, completará um ano que a sua mãe faleceu. Além de marcar a sua vida pessoal, Nica afirma que também foi o que mais lhe marcou na vida profissional. “Por eu ser da área da saúde, sempre cuidando de outros pacientes, não tive em minhas mãos o que pudesse salvá-la”, lamenta.

Contudo, apesar desse momento triste, a profissional considera linda a sua profissão. “O ato de cuidar e de ajudar outras pessoas é maravilhoso. Ver o reconhecimento de ter ajudado e ter dado atenção; ou o simples fato de um bom acolhimento, vendo no rosto do paciente a satisfação da cura de uma enfermidade, não tem preço”.

Marisete trabalha há 22 anos na saúde pública – Crédito: Arquivo pessoal

Mari

Das três profissionais que contamos as histórias hoje, Marisete Lorensi Sibert é a que está há mais tempo em atuação na área da Enfermagem no município de São João: 22 anos concursada como técnica.

Ela tem 55 anos e é natural de Abelardo Luz (SC). Entretanto, quando tinha apenas dois aninhos se mudou com seus pais e sua irmã mais velha para São João.

Com o passar dos anos e ajudando os seus pais em sua pequena mercearia, Marisete atendia muitas pessoas, sobretudo àquelas mais carentes. “Havia sempre os comentários sobre a saúde, a necessidade dessas pessoas e isso foi despertando em mim o desejo de ajudá-las”.

Assim, resolveu fazer o curso de Auxiliar de Enfermagem e passou, em 1998, no concurso público para essa função. Algum tempo depois, fez o curso Técnico de Enfermagem, pelo Senac Pato Branco, também acabou passando no concurso público do Município. Em 2011, ela concluiu a graduação em Enfermagem, pela então Fadep (hoje Unidep).

“Pensando nessa necessidade é que resolvi ingressar na área de Saúde, atuando na enfermagem, ajudando essas pessoas na recuperação de sua saúde. Por isso, como sempre me identifiquei com a saúde pública, em 1998 prestei concurso público na Secretaria de Saúde”.

Inicialmente, ela exerceu a função de auxiliar de enfermagem na Unidade Central de Saúde. Depois, a função de técnico na mesma unidade. “Em 2012, já formada em enfermagem, exerci a função de chefe da unidade de saúde Prefeito Aldino Scholz, função essa exercida até dezembro de 2018. Atualmente estou atuando na sala de vacina da secretaria de saúde de São João”, descreve.

Quanto os fatos que lhe marcaram durante todos esses mais de 20 anos de profissão, Marisete diz que são vários, dentre eles um transporte de paciente, vítima de acidente.

Ela conta que, devido à gravidade do paciente, ele precisou ser encaminhado para outro município. “Ele havia sido dado como em óbito. Mas insisti e continuamos até o outro município. Dediquei-me ao máximo, com todas as ações necessárias, para mantê-lo. Com isso, felizmente, o paciente foi recuperado. Esse fato me marcou muito, pois como profissional da saúde, atuando na área de enfermagem, sei que muitas vezes colocamos nossa vida em risco para salvar outras vidas”.

Em relação à pandemia da covid-19, Marisete diz o seguinte: “Notamos que os profissionais de enfermagem são os primeiros a atuar para salvar vidas e cuidar das vítimas. Colocamos nossas vidas e de nossos familiares em risco, para manter a vida dos outros. Mas, infelizmente, não somos reconhecidos, nem valorizados”, finaliza.

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