Botox no controle da dor orofacial. Devemos usar ou não?

A toxina botulínica, mais conhecida através da marca Botox, é uma substância produzida por uma bactéria chamada Clostridium botulinum, que paralisa o movimento dos músculos no local onde é aplicada.

O estímulo elétrico para a contração de um músculo, parte do cérebro, atravessa a medula espinhal, corre pelos nervos até o seu ramo mais fino. A passagem da informação entre o nervo e o músculo é feita com a liberação de uma substância chamada acetilcolina, liberada pelo nervo.

A toxina botulínica age através do bloqueio da liberação desta substância pela terminação do nervo. Se o músculo não recebe a acetilcolina, ele não contrai.

Assim, a toxina botulínica paralisa a musculatura, bloqueando a informação do estímulo elétrico de chegar até o músculo.

Está sendo indicada para a eliminação das dores musculares orofaciais de forma incorreta. Como o botox é capaz de cortar ou diminuir substancialmente a comunicação entre o nervo e o músculo, essa diminuição da dor é possível e o paciente acaba por se sentir muito melhor logo após a aplicação. Entretanto, esse alívio da dor é seguido de uma alteração muscular cada vez maior. Os músculos acabam por entrar em hipofunção (atividade abaixo do patamar de normalidade), acarretando prejuízos que, eventualmente, podem se tornar permanentes, uma vez que estudos tem demonstrado que isso gera sequelas na estrutura muscular.

Nesses casos, quando a dor retornar se tornará cada vez mais incontrolável e menos responsiva aos mais diversos tratamentos.

Para uma análise e um tratamento adequado das dores orofaciais, consulte um dentista especialista em disfunção temporomandibular e dor orofacial, o qual fará uma avaliação do caso, indicando os procedimentos corretos para alívio da dor.

Concluímos que o Botox, quando este for indicado com finalidade de diminuição de dor orofacial, não deve ser utilizado, pois os efeitos deste produto na musculatura, poderá apenas retirar uma dor momentânea, mas em contrapartida poderá lesar terminações nervosas, o que traz problemas futuros aos pacientes como a volta da dor.

*Dr. Leandro Freitas Tonial é especialista em Ortodontia, em DTM e Dor Orofacial e mestrando em DTM e Dor Orofacial – SLMANDIC – São Paulo – SP