Padre Judinei Vanzeto

Vacina para todos é o grito da população mundial, é o grito de grande parte do povo brasileiro. Pois passado quase um ano e meio do início da pandemia no Brasil, até agora menos de 30% da população recebeu a primeira dose de imunizante. Os primeiros a serem vacinados foram as pessoas idosos, população indígena, profissionais da saúde e outros grupos de risco. Agora a vacina está chegando para grupos específicos do segmento da sociedade. Tudo isso poderia ter sido INICIADO o ano passado e, certamente, teria evitado o interrompimento precoce de milhares de vidas.

Estava pensando no trabalho maravilhoso e incansável dos profissionais da saúde que foram vacinados por estarem diretamente ligados à linha de frente no enfrentamento do novo coronavírus. Também pensei nos profissionais que, desde o início da pandemia, estão servindo a população na linha de frente para atender os mais diversos serviços essenciais da população, como, por exemplo, nos supermercados, nas padarias, nos restaurantes, os profissionais de comunicação, os motoristas, os bancários, os frentistas de postos de combustíveis, os garis, os comerciários etc. Estes, infelizmente, ainda não receberam a vacina, mas que também estão arriscando suas vidas em prol de serviços essenciais.

Lembrei dos líderes religiosos de todas as denominações de fé que incansavelmente, desde o início da pandemia, atuam na linha de frente no atendimento em grupo ou individual da saúde espiritual e mental dos fiéis. Pois só para constar, no Brasil mais de 130 diáconos, padres e bispos da Igreja Católica perderam a vida heroicamente cuidando das necessidades espirituais e matérias da população.

Tantos membros de comunidades perderam suas vidas em decorrência das complicações da covid-19. Nessa esteira, entristece perceber que os líderes religiosos neste país não são considerados como prestadores de serviços social essencial. Por exemplo, eu vou receber a primeira dose por ser gestor de ensino superior e não por ser padre, mas como padre é que tenho tido maior contato com o povo. Pois desde março do ano passado venho atendendo diariamente dezenas de pessoas com ansiedade, desejo de suicídio, problemas conjugais, perda de sentido na vida. Pessoas doentes do corpo e da alma, sendo, assim, um instrumento no alívio da dor e sofrimento de tantas pessoas. Por outro lado, é verdade que muitos religiosos já receberam a dose da vacina devido à idade, mas não por ser religioso a serviço do povo.

No Brasil, infelizmente, passamos do número de 500 mil pessoas falecidas em decorrência das complicações da covid-19. Membros de nossas famílias, pessoas amigas, pessoas muito próximas de nós partiram em tenra idade. Pessoas que viraram estatística de morte por covid-19. Uma vida perdida já nos bastava para nos entristecer.

Infelizmente são milhares de vidas que se foram. Milhares de famílias enlutadas. Muitas lágrimas derramadas em leitos de hospitais e portas de funerárias. Muitas pessoas não conseguiram elaborar o luto devido a orientação de sepultamento imediato. Essa pandemia tem causando muita dor e sofrimento. Essa pandemia tem levado grandes e pequenos, ricos e pobres, estudantes e operários. Essa doença não escolhe idade e nem classe social. Também tem provocado muitas reflexões sobre a própria vida.

A vacina tem sido uma esperança apresentada pela ciência. A ciência, por sua vez, é uma dádiva da inteligência humana dada por Deus. E esperamos que o mais rápido possível toda a população possa receber a primeira e a segunda dose para estancar essa cruel pandemia.

Jornalista, diretor administrativo da Rádio Vicente Pallotti, gestor da Unilasalle/Fapas Polo Coronel Vivida e pároco da Paróquia São Roque de Coronel Vivida-PR

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