Gripe chega mais cedo ao Brasil em 2026 e gera preocupação

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A temporada de gripe começou antes do esperado em 2026 e já pressiona os serviços de saúde em boa parte do país. Dados divulgados por Fiocruz, Ministério da Saúde e levantamentos laboratoriais apontam crescimento da circulação da Influenza A, principal responsável pelo avanço dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), levando o governo federal a antecipar a campanha nacional de vacinação.

Segundo levantamento do Instituto Todos pela Saúde, o Brasil registrou 3.584 casos de gripe entre janeiro e meados de março de 2026, ante 1.838 no mesmo período de 2025, quase o dobro. No mesmo intervalo, mais de 800 pessoas morreram por vírus respiratórios no país, e o Ministério da Saúde informou cerca de 14 mil casos de SRAG até meados de março.

A Fiocruz confirmou a tendência de alta. No boletim InfoGripe divulgado no fim de março e início de abril, a instituição informou que a influenza A continuava aumentando no país e que a maior parte das unidades federativas do Norte, Centro-Oeste, Nordeste e Sudeste estava em nível de alerta, risco ou alto risco, com sinal de crescimento. Em outro balanço, a Fiocruz apontou que, nas quatro semanas epidemiológicas analisadas, 27,4% dos casos positivos de vírus respiratórios eram de influenza A.

O Ministério da Saúde antecipou o início da campanha nacional de vacinação contra a influenza para 28 de março nas regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Sudeste, com o Dia D na mesma data e vacinação gratuita nas unidades básicas de saúde até 30 de maio. A medida busca ampliar a proteção antes do auge sazonal, com prioridade para crianças, gestantes, idosos e outros grupos de risco.

No Paraná, a campanha também começou em 28 de março. O estado recebeu 332 mil doses para o início da ação e projetou imunizar 4,592 milhões de pessoas, com meta de cobertura de 90% dos grupos prioritários. A Secretaria de Estado da Saúde informou que a campanha seria realizada em mais de 1.850 salas de vacinação nos 399 municípios paranaenses.

Apesar do reforço na mobilização, os dados estaduais mostravam, até a semana epidemiológica 8, redução de SRAG no primeiro bimestre de 2026 na comparação com o mesmo período de 2025. Foram 2.100 casos e 91 mortes neste ano, contra 2.322 casos e 150 óbitos no ano passado, queda de 9,56% nas notificações e de 39,33% nas mortes.

O que diz a vigilância

A Sesa destaca que a SRAG é caracterizada por quadro respiratório grave, com sintomas como febre, tosse, dor de garganta, dificuldade para respirar e queda na saturação de oxigênio. O monitoramento é contínuo no estado para orientar a rede assistencial e acompanhar a evolução dos vírus respiratórios.

A circulação da Influenza A preocupa especialmente porque ela aparece como uma das principais causas de gravidade e óbito entre idosos, enquanto em crianças pequenas a incidência de SRAG costuma ser associada também ao vírus sincicial respiratório e ao rinovírus. A Fiocruz e o Ministério da Saúde reforçam que a vacina continua sendo a principal forma de prevenir internações e mortes.

Paraná em foco

No Paraná, a antecipação da campanha ganha peso porque o estado entra agora no período de maior circulação de vírus respiratórios, com o avanço do frio. Além da campanha regular, o governo estadual fez atos de mobilização e distribuição de doses aos municípios para acelerar a cobertura.

Em 13 de abril, a Sesa informou que o estado já havia vacinado 597 mil pessoas contra a gripe e reiterou que, pelo SUS, a vacinação seguia restrita aos grupos prioritários: crianças de 6 meses a menores de 6 anos, idosos, gestantes, puérperas, povos indígenas, quilombolas, pessoas em situação de rua, pessoas com comorbidades ou deficiência permanente e trabalhadores de categorias específicas.

Dados que valem destaque

  • Brasil: 3.584 casos de gripe entre janeiro e meados de março de 2026, contra 1.838 no mesmo período de 2025.
  • Brasil: mais de 800 mortes por vírus respiratórios no período citado.
  • Fiocruz: 27,4% dos casos positivos nas últimas quatro semanas eram de influenza A.
  • Paraná: 2.100 casos e 91 mortes por SRAG até a semana epidemiológica 8 de 2026.
  • Paraná em 2025 no mesmo recorte: 2.322 casos e 150 mortes.
  • Paraná: campanha iniciada com 332 mil doses e meta de vacinar 4,592 milhões de pessoas.