A Secretaria Municipal de Assistência Social de Pato Branco divulgou o 2º Boletim Informativo da Vigilância Socioassistencial – Maio de 2026, edição especial voltada à campanha “18 de Maio – Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes”. O documento reúne orientações sobre prevenção, escuta protegida, sinais de alerta e dados relacionados aos casos de violência sexual acompanhados pelo município.
De acordo com o boletim, o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) registrou 36 casos de violência sexual contra crianças e adolescentes em Pato Branco durante o ano de 2025. Do total, 77,8% das vítimas eram do sexo feminino e 41,6% dos casos envolveram crianças entre 6 e 12 anos.
O levantamento também aponta que a maior parte das situações envolve pessoas conhecidas ou com vínculo familiar com as vítimas, incluindo padrastos, pais, mães e outros familiares. Segundo o documento, essa característica reforça a necessidade de fortalecimento das ações de prevenção, proteção e escuta qualificada dentro da rede de atendimento.
Campanha reforça importância da denúncia
A edição especial do boletim integra as ações do Maio Laranja, campanha nacional de enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes. Em 2026, o Brasil completa 26 anos de mobilização da data instituída pela Lei Federal nº 9.970/2000.
O material destaca que o 18 de Maio representa um chamado permanente à mobilização social, ao fortalecimento das políticas públicas e à atuação articulada da rede de proteção. O boletim reforça ainda a importância da prevenção, da denúncia e do atendimento humanizado às vítimas.
O documento também apresenta sinais físicos, emocionais e comportamentais que podem indicar situações de violência sexual, como mudanças bruscas de comportamento, isolamento, medo excessivo, queda no rendimento escolar e lesões físicas.
Leia também
Região Sul concentra maior número de registros
Os dados sistematizados pela Vigilância Socioassistencial mostram que a Região Sul de Pato Branco concentrou 58,3% dos registros de violência sexual acompanhados pelo CREAS em 2025. Ao considerar o período entre 2022 e 2025, o território permanece como o principal indicador de recorrência dos casos no município.
O boletim aponta ainda que, entre 2022 e 2025, foram registrados 269 casos de violência sexual contra crianças e adolescentes acompanhados pelo CREAS. Em 2022 foram 89 registros; em 2023, 83; em 2024, 61; e em 2025, 36 casos.
Apesar da redução gradual nos registros, a Vigilância Socioassistencial alerta que isso não significa necessariamente diminuição da violência, podendo estar relacionado à subnotificação e às dificuldades de denúncia.
Rede de proteção e escuta protegida
O boletim também destaca a atuação da rede de proteção, envolvendo assistência social, saúde, educação, segurança pública e sistema de justiça. Recentemente, o Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDDCA) aprovou o novo fluxo municipal de atendimento às crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violência, alinhado à Lei nº 13.431/2017.
Entre os canais de denúncia disponíveis estão o Disque 100, o Disque Denúncia 181 e o Conselho Tutelar de Pato Branco. O boletim reforça que denúncias também podem ser realizadas por meio das escolas, unidades de saúde, CRAS, CREAS e forças de segurança.





