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China aplica sobretaxa à carne bovina brasileira

Tarifa adicional de 55% passou a valer sobre volumes que excedem a cota anual de importação; Sistema FAEP defende abertura de novos mercados.

carne

A cobrança de uma sobretaxa de 55% pela China sobre a carne bovina brasileira que ultrapassar a cota anual de importação exige a abertura de novos mercados, segundo avaliação do Sistema FAEP. A medida passou a valer em 1º de outubro, após o Brasil atingir o limite estabelecido para 2026.

A cota brasileira foi fixada em 1,106 milhão de toneladas. Acima desse volume, a tarifa adicional de 55% se soma à alíquota padrão de 12%, elevando a tributação de importação para 67%.

O mecanismo faz parte das medidas de salvaguarda adotadas pela China para proteger a indústria doméstica. As regras estão em vigor desde 1º de janeiro de 2026 e estabelecem cotas específicas por país fornecedor.

FAEP defende diversificação de mercados

Para o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, a tarifa reduz a competitividade do produto brasileiro no mercado chinês.

“Essa medida encarece a entrada da carne brasileira no mercado chinês, tirando competitividade dos nossos produtos. Uma solução é o governo federal trabalhar para abrir novos mercados, para que os produtores não sejam penalizados. A diversificação de compradores oferece alternativas ao setor”, afirmou.

Segundo Meneguette, o impacto também alcança os pecuaristas paranaenses.

“O Paraná tem apenas uma planta habilitada para exportação de carne bovina para o país asiático, desde 2023. Ou seja, essa sobretaxa impacta os nossos pecuaristas, que trabalham para produzir carne de qualidade”, acrescentou.

China é um dos principais destinos da carne brasileira

A dimensão das vendas ao mercado chinês ajuda a explicar a preocupação do setor.

Em 2025, as exportações brasileiras de carne bovina fresca, refrigerada e congelada para a China somaram aproximadamente US$ 8,84 bilhões.

O volume comercializado chegou a 1,65 milhão de toneladas.

Mato Grosso, São Paulo, Goiás e Mato Grosso do Sul concentram atualmente a parcela mais expressiva das exportações brasileiras de carne bovina ao mercado chinês.

No mercado internacional, a carne bovina produzida no Brasil é comercializada em mais de 170 países dos cinco continentes.

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Gestão de custos ganha importância

Diante do cenário externo, o Sistema FAEP orienta os pecuaristas a basear as decisões de produção e comercialização no custo total da atividade.

O acompanhamento permite avaliar se os preços oferecidos pelo mercado cobrem as despesas e garantem rentabilidade à propriedade.

“Como as atividades pecuárias exigem altos investimentos, é fundamental que o produtor assuma compromissos financeiros apoiados em projetos técnicos que levem em conta os fatores de risco. Além das restrições às exportações, o câmbio e as taxas de juros precisam entrar na conta”, afirmou Meneguette.

A entidade também mantém cursos e Assistência Técnica e Gerencial voltados à bovinocultura de corte.

As ações têm como objetivo auxiliar os produtores no acompanhamento de custos, receitas e riscos diante das mudanças no mercado.

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Gustavo Ferreira

Jornalista atuante em portais de notícias há 20 anos. Trabalhou como redator independente para diversas redações.

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