China reconhece Brasil livre de aftosa

gado pasto

O reconhecimento do Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação pela China deve abrir novas oportunidades para a pecuária do Paraná, segundo avaliação do Sistema FAEP. A decisão do governo chinês, anunciada após mais de 20 anos de negociações, elimina restrições sanitárias que ainda limitavam parte das exportações brasileiras de produtos pecuários e pode ampliar a presença das proteínas animais produzidas no Estado no mercado internacional.

O Paraná já possui o status de área livre de febre aftosa sem vacinação desde 2021. Agora, com o reconhecimento do território brasileiro pela China, a expectativa é de fortalecimento das relações comerciais e ampliação das oportunidades para produtores e exportadores paranaenses.

Além disso, o anúncio ocorre um ano após a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) reconhecer oficialmente o Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação. O resultado é fruto de um trabalho desenvolvido ao longo de décadas por produtores rurais, serviços veterinários oficiais e governos estaduais.

Paraná pode ampliar competitividade no mercado chinês

Para o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, o elevado padrão sanitário da pecuária paranaense coloca o Estado em posição estratégica para aproveitar o novo cenário comercial.

“O elevado status sanitário paranaense e a organização da cadeia pecuária colocam o Estado em posição favorável para aproveitar o novo cenário comercial. O principal reflexo esperado é o fortalecimento da competitividade das nossas proteínas, ainda mais para um mercado consumidor com alta demanda, como a China”, afirma.

Consequentemente, a medida pode estimular o aumento das exportações de proteínas animais brasileiras para o mercado chinês. O cenário também tende a favorecer frigoríficos exportadores instalados no Paraná, fortalecendo a cadeia produtiva da carne bovina.

Demanda maior pode refletir nos preços e na reposição

Na prática, o reconhecimento sanitário pode resultar em maior demanda chinesa por produtos pecuários brasileiros. Além disso, o crescimento das exportações pode contribuir para a sustentação ou até mesmo para a valorização dos preços do boi gordo.

Por outro lado, os reflexos positivos não devem se limitar aos animais destinados ao abate. O mercado de reposição também pode ser beneficiado, especialmente nos segmentos de bezerros e garrotes, que tendem a registrar maior procura diante do aumento das perspectivas para a pecuária de corte.

China já é um dos principais mercados para a carne bovina do Paraná

De acordo com o técnico do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema FAEP, Fábio Peixoto Mezzadri, os números demonstram a relevância do mercado chinês para a pecuária bovina paranaense.

“Em 2025, o Paraná exportou 23,5 mil toneladas de produtos bovinos para China, movimentando US$ 126,9 milhões. O principal volume corresponde às carnes bovinas congeladas desossadas, responsáveis pela maior parte do valor exportado pelo Estado”, explica.

Os dados reforçam a importância do mercado asiático para o setor. Além disso, evidenciam o potencial de crescimento das exportações diante da redução das barreiras sanitárias anteriormente existentes.

Parceria estratégica entre Brasil e China ganha força

A China foi o principal destino das exportações do agronegócio brasileiro em 2025. Ao longo do ano, o país respondeu por mais de US$ 50 bilhões em compras de produtos do setor, consolidando-se como um dos mercados mais importantes para a produção agropecuária nacional.

Neste sentido, o reconhecimento sanitário livre de aftosa representa mais um passo no fortalecimento das relações comerciais entre os dois países. Segundo Mezzadri, a medida amplia a confiança internacional nas cadeias produtivas brasileiras e cria novas possibilidades de expansão para o setor.

“O reconhecimento sanitário reforça a confiança nas cadeias produtivas nacionais e fortalece a parceria estratégica entre os dois países, ao mesmo tempo em que cria novas possibilidades de expansão para produtores e exportadores brasileiros e, especialmente, os paranaenses”, conclui.