A Prefeitura de Curitiba elevou para o estágio de “Alerta” o Plano de Contingência para Síndromes Respiratórias devido ao aumento expressivo dos casos registrados nas últimas semanas. A medida foi anunciada pela Secretaria Municipal da Saúde (SMS), que também reforçou orientações de prevenção à população e ampliou ações para reduzir a pressão sobre a rede pública de atendimento.
O plano operacional da SMS é dividido em cinco níveis: Normalidade, Mobilização, Alerta, Emergência e Crise. A mudança para o estágio atual ocorre após duas semanas consecutivas de alta intensidade nos atendimentos por doenças respiratórias e uma semana classificada como severa.
Hospitais poderão suspender cirurgias eletivas
Com a entrada no estágio de alerta, a Secretaria Municipal da Saúde informou aos hospitais da rede SUS que poderão suspender temporariamente cirurgias eletivas em situações de aumento expressivo da demanda nos prontos-socorros ou de elevada ocupação dos leitos de UTI.
O objetivo é ampliar a disponibilidade de leitos para pacientes com quadros agudos e garantir atendimento prioritário aos casos de maior gravidade.
Segundo a determinação, não poderão ser adiados procedimentos urgentes, emergenciais, oncológicos, cardiovasculares inadiáveis ou situações cuja postergação possa causar prejuízo clínico significativo ao paciente.
Rede amplia leitos e atendimento domiciliar
A Secretaria também informou que poderá ampliar a oferta de leitos conforme a necessidade. No Hospital Municipal do Idoso, quatro novos leitos já foram ativados.
Além disso, em articulação com a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), a rede hospitalar da Região Metropolitana poderá ampliar a disponibilidade de vagas para atender pacientes de Curitiba.
Outro reforço será a atuação do Serviço de Atenção Domiciliar (SAD). Um novo fluxo foi implantado para acelerar processos de desospitalização e liberar vagas hospitalares para pacientes que necessitam de internação.
Hospitais da rede SUS passarão a encaminhar para avaliação do SAD pacientes internados há mais de quatro dias que apresentem condições clínicas compatíveis com continuidade do tratamento em casa.
UPAs e unidades básicas recebem reforço
Nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e unidades básicas de saúde, a Secretaria reforçou a distribuição de máscaras para pacientes com sintomas respiratórios.
Além disso, as escalas médicas das UPAs foram ampliadas para atender o aumento da procura por atendimento.
O medicamento Oseltamivir, utilizado em casos de influenza, ficará concentrado nas nove UPAs do município. O tratamento seguirá os critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde e será destinado principalmente a idosos, gestantes, crianças menores de cinco anos, imunossuprimidos, indígenas, pacientes com comorbidades e casos com sinais de alerta ou gravidade.
Atendimentos serão reorganizados nas unidades de saúde
Durante o período de maior pressão sobre o sistema, as unidades básicas reorganizarão suas agendas. Metade das consultas será destinada ao atendimento programado e a outra metade ao atendimento de casos agudos, especialmente pacientes com sintomas respiratórios.
Demandas não urgentes, como exames de rotina e check-ups sem indicação clínica prioritária, terão agendamento para períodos posteriores à sazonalidade das doenças respiratórias.
A Secretaria também orientou que capacitações presenciais sejam adiadas, sempre que possível, até após a semana epidemiológica 23, que termina em 13 de junho.
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Teleatendimento será ampliado
A SMS ampliará o uso da teleassistência para acompanhamento de pacientes já vinculados às unidades de saúde. O serviço atenderá, principalmente, gestantes, hipertensos, pessoas que necessitam de renovação de receitas e pacientes que precisam apenas apresentar resultados de exames.
Segundo a secretária municipal da Saúde, Tatiane Filipak, a medida ajudará a reduzir a circulação de pessoas nas unidades e permitirá que os atendimentos presenciais sejam direcionados aos casos mais urgentes.
“Dessa forma, essas equipes de telessaúde atuarão como retaguarda ativa da rede, absorvendo a demanda do paciente crônico e diminuindo o fluxo presencial nas unidades”, afirmou.
Atendimentos respiratórios atingem nível severo
Os números registrados nas últimas semanas demonstram o crescimento da demanda por atendimento respiratório em Curitiba.
Na semana epidemiológica 19, entre os dias 10 e 16 de maio, foram contabilizados 19.697 atendimentos. Já na semana 20, entre 17 e 23 de maio, o número subiu para 22.352 casos.
Na semana epidemiológica 21, entre 24 e 30 de maio, a rede municipal registrou 23.569 atendimentos relacionados a doenças respiratórias, índice considerado severo pelo Plano de Contingência.
Segundo os parâmetros da SMS, volumes entre 17,6 mil e 23,1 mil atendimentos semanais são classificados como intensidade alta. Acima de 23,1 mil, o cenário passa a ser considerado severo.
Secretaria reforça medidas de prevenção
A Secretaria Municipal da Saúde orienta a população a reforçar os cuidados preventivos para reduzir a transmissão de doenças respiratórias.
Entre as recomendações estão o uso de máscara em caso de sintomas respiratórios, a higienização frequente das mãos, a manutenção dos ambientes ventilados, a redução de aglomerações e a prática da etiqueta respiratória, cobrindo boca e nariz ao tossir ou espirrar.
A vacinação contra a gripe também é recomendada para os grupos prioritários. A população pode ainda consultar outras vacinas disponíveis, como a vacina contra o vírus sincicial respiratório para gestantes e os imunizantes contra a covid-19 para públicos específicos.
Quando procurar atendimento
Em casos de sintomas respiratórios leves, a orientação é procurar a unidade de saúde de referência ou entrar em contato com a Central Saúde Já Curitiba pelo telefone 3350-9000.
O serviço funciona de segunda a sexta-feira, das 7h às 22h, inclusive feriados, e aos sábados e domingos, das 8h às 20h.
Já as UPAs devem ser procuradas prioritariamente por pacientes com situações de urgência e emergência ou com sinais de agravamento do quadro clínico.





