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Chuva derruba rendimento do trigo e dificulta plantio da soja

Deral aponta produtividade média de 2.400 quilos por hectare no trigo, além de problemas na qualidade dos grãos e atraso nas atividades agrícolas.

chuva lavoura

O excesso de chuva registrado entre setembro e outubro compromete os trabalhos agrícolas no Sudoeste do Paraná. Segundo Ivano Carniel, do Departamento de Economia Rural (Deral), núcleo de Pato Branco, o acumulado chegou a 504 milímetros em 45 dias, dificultando o plantio da soja, a colheita do trigo e o manejo das lavouras.

Somente na primeira quinzena de outubro, o volume de precipitação alcançou 215 milímetros. A sequência de dias chuvosos reduziu as oportunidades de trabalho no campo e prejudicou o andamento das atividades programadas pelos produtores.

Na região, o plantio da soja atingiu aproximadamente 45% da área estimada, enquanto a semeadura do milho está praticamente concluída. Já a colheita do trigo ultrapassou metade da área cultivada, mas apresenta produtividade cerca de 35% inferior à expectativa inicial.

Chuva limita plantio da soja no Sudoeste

De acordo com Ivano Carniel, os produtores conseguiram executar a maior parte dos trabalhos agrícolas durante setembro. Entretanto, as condições meteorológicas mudaram em outubro, com registros de chuva em quase todos os dias da primeira quinzena.

As principais oportunidades para retomar as atividades ocorreram nos dias 7 e 8 de outubro. Nesse intervalo, a presença de sol permitiu que parte dos agricultores realizasse operações de plantio, colheita de trigo e pulverização.

Mesmo assim, as condições de trabalho permaneceram difíceis devido ao excesso de umidade acumulado nas lavouras.

“O que a gente observa é que os trabalhos de campo que puderam ser realizados pelos produtores foram exclusivamente feitos durante o mês de setembro”, explicou Carniel.

O técnico ressaltou que o avanço de 45% no plantio da soja ainda está dentro dos percentuais esperados para este período do calendário agrícola.

Apesar disso, a preocupação está relacionada à concentração das atividades nos próximos períodos de tempo seco, caso a instabilidade continue.

Atraso na soja pode comprometer a segunda safra

Além das dificuldades imediatas de plantio, o excesso de chuva pode provocar reflexos no planejamento da segunda safra.

Os produtores que pretendiam antecipar a implantação das lavouras de soja enfrentam obstáculos para cumprir o calendário inicialmente estabelecido.

Segundo Carniel, esse atraso poderá reduzir as possibilidades de implantação das culturas de segunda safra dentro da janela agrícola adequada, a partir de janeiro.

O problema preocupa especialmente os agricultores que dependem da conclusão do primeiro ciclo produtivo para iniciar o cultivo seguinte.

Assim, mesmo com o percentual atual de semeadura dentro da média esperada, a continuidade das chuvas poderá comprometer o planejamento das propriedades.

Produtividade do trigo está 35% abaixo do esperado

A situação também preocupa os produtores de trigo no Sudoeste. A colheita ultrapassou metade da área cultivada, mas os resultados registrados até agora estão abaixo das projeções iniciais.

O rendimento médio observado é de 2.400 quilos por hectare, aproximadamente 35% inferior à produtividade inicialmente esperada.

Além da redução no volume produzido, o trigo colhido apresenta problemas de qualidade. Uma parcela expressiva dos grãos não atende aos padrões exigidos pelo mercado.

Carniel alertou que as lavouras ainda não colhidas poderão apresentar resultados inferiores aos registrados até o momento.

“O restante da área do trigo que está ainda no campo deve ter resultados piores do que a gente tem observado até agora”, afirmou.

A avaliação considera as condições enfrentadas pelas lavouras durante o período de chuvas frequentes e a dificuldade dos produtores para concluir a colheita.

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Baixa luminosidade favorece doenças e atrasa desenvolvimento

Outro problema identificado pelo Deral é a redução da incidência de luz solar nas áreas agrícolas.

A sequência de dias nublados prejudica o desenvolvimento das lavouras já implantadas. Com menor luminosidade, as plantas apresentam crescimento mais lento e poderão ter seu ciclo prolongado.

Além disso, a impossibilidade de acessar as áreas para realizar os trabalhos de manejo aumenta os riscos relacionados à sanidade das culturas.

Entre os principais problemas estão a maior proliferação de pragas, doenças e plantas invasoras. Essas condições exigem acompanhamento dos produtores, mas as chuvas também dificultam as operações de pulverização e controle.

Para Carniel, a combinação de excesso de umidade, baixa luminosidade e restrições ao manejo representa um dos principais desafios enfrentados pela agricultura regional neste momento.

As previsões de continuidade das chuvas nos dias seguintes também ampliam a preocupação com o andamento da safra.

Produtores aguardam período de tempo seco

A recuperação do ritmo dos trabalhos agrícolas dependerá da ocorrência de períodos de estabilidade meteorológica.

A expectativa é que a redução das chuvas permita aos produtores retomar o plantio da soja, concluir a colheita do trigo e realizar os tratamentos necessários nas lavouras.

“A gente espera que gradativamente o tempo tenha condição de dar mais uma janela com período de sol para que o produtor possa realizar suas atividades de campo a contento”, afirmou Carniel.

Enquanto isso, o setor agrícola regional acompanha as condições meteorológicas e os impactos sobre o calendário produtivo.

Com o milho praticamente semeado, as principais preocupações permanecem concentradas na conclusão do plantio da soja, na qualidade do trigo ainda não colhido e nos possíveis reflexos sobre a segunda safra de 2027.

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Paulo Felipe

Jornalista com 15 anos de experiência em redações de jornais impressos e portais de notícias. Há 4 anos se dedica exclusivamente a escrever para portais de notícias. Somou-se a equipe do Diário do Sudoeste

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