Cinco partidos ou federações que aparecem com cadeiras na Câmara dos Deputados não alcançam, pelos números disponíveis da apuração, os requisitos da cláusula de desempenho de 2026. PSOL/Rede, Renovação Solidária, PDT, Avante e Missão ficam abaixo de pelo menos uma das exigências previstas para a próxima legislatura.
A cláusula condiciona o acesso aos recursos do Fundo Partidário e à propaganda partidária gratuita no rádio e na televisão. Ela não impede a posse dos deputados eleitos nem determina o encerramento das legendas. Os critérios aplicáveis à legislatura seguinte às eleições de 2026 estão previstos na Emenda Constitucional nº 97.
Pelos dados analisados, o PSOL/Rede é o caso mais próximo de superar a regra pelo critério de votação. A federação ultrapassou o percentual nacional exigido, mas chegou ao mínimo de 1,5% em apenas oito unidades da Federação.
Como funciona a cláusula de barreira em 2026
Para cumprir a cláusula de desempenho, um partido ou federação precisa atender a pelo menos um de dois caminhos.
Pelo critério de votos, precisa alcançar no mínimo 2,5% dos votos válidos nacionais para deputado federal. Essa votação deve estar distribuída por pelo menos nove unidades da Federação, com no mínimo 1,5% dos votos válidos em cada uma delas.
A segunda possibilidade é eleger ao menos 13 deputados federais, distribuídos por pelo menos nove unidades da Federação. O Distrito Federal integra essa contagem. Nas federações, o desempenho dos partidos integrantes é analisado em conjunto.
Uma votação nacional elevada, portanto, não basta quando estiver concentrada em poucos estados. O mesmo vale para o número de deputados: alcançar 13 cadeiras não atende à regra se os eleitos estiverem distribuídos por menos de nove unidades da Federação.
PSOL/Rede fica a uma unidade da Federação do mínimo
O PSOL/Rede alcançou 4,89% dos votos válidos nacionais, acima dos 2,5% exigidos.
A federação, porém, chegou a pelo menos 1,5% dos votos em oito unidades: Ceará, Distrito Federal, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo.
Pelo critério das cadeiras, aparecem 15 deputados eleitos, número superior ao mínimo de 13. Entretanto, as vagas estão distribuídas por apenas seis unidades da Federação.
No Espírito Santo, a federação ficou próxima de alcançar a nona unidade necessária.
Com 2.134.985 votos válidos para deputado federal no estado, seriam necessários 32.024 votos para atingir 1,5%. PSOL/Rede somou 31.839, diferença de 185 votos.
Renovação Solidária não alcança os dois critérios
A federação Renovação Solidária, formada por PRD e Solidariedade, registra 1,86% dos votos válidos nacionais.
Ela alcançou pelo menos 1,5% dos votos em sete estados: Ceará, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rondônia e São Paulo.
Na distribuição de vagas considerada, a federação aparece com sete deputados, eleitos em seis estados.
Dessa forma, fica abaixo tanto do critério de votação quanto da alternativa baseada no número e na distribuição dos parlamentares.
PDT tem seis cadeiras na Câmara
O PDT alcançou 1,64% dos votos válidos nacionais e superou 1,5% em oito estados: Amapá, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Roraima.
O partido aparece com seis cadeiras, distribuídas por Amapá, Bahia, Maranhão, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.
Assim, também fica abaixo dos dois caminhos previstos pela cláusula.
Avante e Missão também ficam abaixo
O Avante obteve 1,59% dos votos válidos nacionais e alcançou pelo menos 1,5% em Amazonas, Bahia, Maranhão, Minas Gerais, Pernambuco e Rio de Janeiro.
O partido aparece com cinco deputados eleitos, sendo três na Bahia e um em Minas Gerais e Pernambuco.
O Missão registrou 1,08% dos votos nacionais. A legenda alcançou pelo menos 1,5% somente em São Paulo e aparece com uma cadeira, também pelo estado.
DC, UP, Mobiliza, Democrata, PSTU, Agir e PCO também aparecem abaixo dos requisitos, mas sem cadeiras na distribuição analisada.
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Resultado ainda pode sofrer alterações
O cenário não é necessariamente definitivo. Decisões judiciais que alterem a validade de votos podem levar a uma nova totalização e modificar percentuais ou a distribuição das vagas.
No caso do PSOL/Rede no Espírito Santo, por exemplo, uma alteração no total de votos considerados válidos exigiria um novo cálculo do percentual necessário para alcançar 1,5%.
Fusões e incorporações também podem produzir efeitos sobre o cumprimento da cláusula, conforme a situação jurídica das legendas envolvidas.
Deputados eleitos não perdem os mandatos
Ficar abaixo da cláusula de desempenho não retira os mandatos conquistados nas urnas e não cancela o registro da legenda.
A restrição está relacionada principalmente ao acesso ao Fundo Partidário e à propaganda partidária gratuita. A legislação também prevê regras específicas para parlamentares eleitos por partidos que não alcançaram a cláusula.
O Fundo Partidário é destinado ao custeio das atividades permanentes das legendas e não deve ser confundido com o Fundo Eleitoral, utilizado no financiamento das campanhas.
Os números apresentados correspondem ao quadro disponível na apuração analisada e ainda podem ser modificados pela totalização eleitoral ou por decisões posteriores.

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