O Ibovespa, principal índice da B3, fechou em alta de 2,63% nesta sexta-feira (2), aos 192.114,55 pontos, no último pregão antes do primeiro turno das eleições. O dólar à vista terminou praticamente estável, a R$ 5,2165, com investidores ajustando posições e reagindo a dados fracos de emprego nos Estados Unidos.
O resultado colocou a bolsa no maior patamar de fechamento desde 22 de abril, quando o índice encerrou o dia com 192.888,96 pontos. O volume financeiro negociado somou R$ 43,7 bilhões.
A sessão foi marcada por volatilidade. O índice chegou à mínima de 186.144,24 pontos no início da tarde e acelerou na reta final, atingindo a máxima de 192.118,70 pontos. Na semana, o Ibovespa acumulou valorização de 4,71%.
Petrobras atinge R$ 700 bilhões em valor de mercado
A Petrobras liderou os ganhos entre as ações de maior peso no índice. O papel preferencial (PETR4) subiu 2,81%, a R$ 51,17, e o ordinário (PETR3) avançou 3,25%, a R$ 56,62. Com o resultado, a estatal alcançou R$ 700 bilhões em valor de mercado pela primeira vez.
A alta ocorreu após a confirmação de uma nova descoberta de petróleo no polo Morpho, na Margem Equatorial.
A Vale (VALE3) subiu 2,56%, a R$ 72,10, mesmo sem a referência do minério de ferro na Bolsa de Dalian, fechada por feriado na China. O Itaú (ITUB4) ganhou 1,54%, a R$ 44,83, e registrou valor de mercado recorde de R$ 510,25 bilhões.
Dólar oscila e fecha a R$ 5,2165
O dólar à vista recuou 0,07% e fechou a R$ 5,2165. A moeda caiu até R$ 5,2006 após a divulgação do relatório de emprego americano, mas passou de R$ 5,23 no início da tarde, com máxima de R$ 5,2320. Na semana, a divisa acumulou alta de 0,67% frente ao real.
O real não acompanhou a desvalorização global do dólar. O índice DXY, que compara a moeda americana a uma cesta de seis divisas fortes, caiu 0,19%, aos 101,91 pontos.
“Quem tinha que se posicionar para o primeiro turno já se posicionou”, afirmou o estrategista-chefe da Monte Bravo, Rai Chicoli. Para ele, a alta da bolsa pode ter sido sustentada mais pelo investidor local do que pela entrada de capital estrangeiro.
Euro e moedas emergentes
O euro era cotado a R$ 5,87 no fim da tarde. Frente ao dólar, a moeda europeia subia 0,15%, a US$ 1,126, mas caminhava para a maior queda semanal desde o início de junho, de 1,17%.
Moedas de países emergentes como o peso mexicano, o peso chileno e o rand sul-africano perderam mais de 2% na semana.
Payroll fraco anima bolsas no exterior
Os Estados Unidos criaram 29 mil vagas de trabalho em setembro, bem abaixo da projeção de 85 mil. O dado reforçou a expectativa de que o Federal Reserve, o banco central americano, mantenha os juros em outubro.
Em Nova York, o Dow Jones subiu 0,49%, aos 51.177,44 pontos. O S&P 500 avançou 0,74%, aos 7.722,93 pontos, e o Nasdaq ganhou 1,19%, aos 27.190,86 pontos.
Eleição no radar dos investidores
A pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (1º) mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 42% das intenções de voto no primeiro turno, contra 38% de Flávio Bolsonaro (PL). Na simulação de segundo turno, Lula tem 48% e Flávio, 45%, em empate técnico.
A consultoria Capital Economics prevê uma disputa acirrada, sem vencedor no primeiro turno. Segundo a empresa, um desempenho forte de Flávio no domingo poderia valorizar o real e as ações entre 3% e 4%.
O estrategista Álvaro Vivanco, do Wells Fargo, avalia que o câmbio pode testar R$ 4,75 em caso de vitória de Bolsonaro. Ele também vê oportunidade de compra de reais se a cotação subir para R$ 5,30.
O primeiro turno das eleições ocorre neste domingo (4). Os mercados voltam a operar na segunda-feira (5), já sob efeito do resultado das urnas.

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