O dólar encerrou esta sexta-feira em baixa frente ao real, acompanhando o movimento global de desvalorização da moeda norte-americana. O cenário foi influenciado por sinais de alívio nas tensões geopolíticas no Oriente Médio, especialmente após o Irã anunciar a liberação do tráfego comercial no Estreito de Ormuz.
A moeda chegou a recuar quase 0,80% ao longo do dia, atingindo a mínima de R$ 4,95, mas perdeu força no fim do pregão. Ainda assim, fechou em queda de 0,20%, cotada a R$ 4,9836 — o menor valor de fechamento desde 27 de março de 2024.
Cotação do dólar hoje
- Fechamento: R$ 4,9836
- Variação no dia: -0,20%
- Mínima do dia: R$ 4,950
- Acumulado na semana: -0,53%
- Acumulado no ano: -9,21%
No mercado futuro, o dólar para maio — atualmente o mais negociado na B3 — recuava 0,22% no fim da tarde, cotado a R$ 4,9960.
O que influenciou a queda do dólar
A desvalorização da moeda americana está diretamente ligada ao aumento do otimismo no cenário internacional. Declarações do governo iraniano indicando que o Estreito de Ormuz está “completamente aberto” para o tráfego comercial reforçaram expectativas de redução das tensões na região.
Além disso, o cessar-fogo entre Israel e grupos no Líbano e a possibilidade de retomada das negociações entre Irã e Estados Unidos contribuíram para diminuir a busca por ativos considerados mais seguros, como o dólar.
Com a perspectiva de normalização no fluxo de petróleo, o preço do barril do tipo Brent caiu para perto de US$ 90, reduzindo preocupações inflacionárias globais.
Impactos nos mercados
Nos Estados Unidos, o cenário levou à queda nos rendimentos dos títulos públicos (Treasuries). No Brasil, houve reflexo direto na curva de juros, com recuo nas taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI).
Apesar disso, o mercado ainda projeta cautela na política monetária. A expectativa predominante é de que a taxa básica de juros, a Selic — atualmente em 14,75% ao ano — seja reduzida em apenas 0,25 ponto percentual na próxima reunião, e não em 0,50 ponto.
Cenário interno
No noticiário doméstico, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo federal já finalizou um plano de renegociação de dívidas para famílias e empresas. Segundo ele, o pacote será anunciado em breve e não envolverá aumento de gastos primários.
O conjunto de fatores — alívio externo e expectativas internas — ajudou a sustentar a trajetória de queda do dólar frente ao real, ainda que o mercado siga atento às incertezas no cenário internacional.





