‘Título paulista vai iniciar nova fase na história do São Paulo’, promete Pablo

Um dos centroavantes mais cobiçados do futebol brasileiro em 2018, Pablo chegou ao São Paulo por R$ 28,6 milhões. Investimento alto. No começo, sofreu com lesões sérias, inclusive uma cirurgia na coluna. No ano passado, o atacante chegou a perder a vaga titular para Brenner. Só ganhar mais oportunidades quando o atacante de 21 anos foi vendido para o futebol americano. Em 98 jogos, ele acumula 35 participações diretas no placar (25 gols e 10 assistências).

Com a contratação do técnico Hernán Crespo, o atacante iniciou uma volta por cima. É o artilheiro do time na temporada com seis gols, além de duas assistências. O título paulista pode ser o marco simbólico de uma reviravolta pessoal. O paranaense de Cambé aposta que o clube vai retomar sua trajetória de conquistas após o fim do jejum que aconteceu domingo com a conquista do Campeonato Paulista em cima do Palmeiras por 2 a 0.

O que significa a conquista do título paulista?

Foi uma conquista emocionante. Um time grande como o São Paulo não pode ficar tanto tempo sem vencer. Os nove anos sem título pesavam muito. Nós chegamos perto em algumas temporadas, mas não tínhamos conseguido. Neste ano, fizemos um trabalho consistente no Campeonato Paulista e merecemos o título. Para mim, foi uma sensação indescritível que quero repetir mais vezes. Meu avô era torcedor são-paulino e dizia que um dia o neto vestiria a camisa do São Paulo. Foi uma conquista especial. Mas não podemos parar só no Campeonato Paulista. Temos outras competições pela frente, como o Campeonato Brasileiro que começa agora.

Como foi dar a volta olímpica no estádio vazio e depois encontrar a torcida do lado de fora?

Foi uma grande satisfação dar esse título para a torcida. Nós já estamos jogando sem torcida faz um ano. Isso também faz muita falta. Quando eu saí do estádio com a taça, eu percebi que ela é pesada. Nós estávamos comemorando e tudo foi muito rápido. Tivemos de voltar porque a multidão estava aumentando. Era uma empolgação muito grande. A torcida precisava desse título. Estamos muito felizes com tudo o que eles fizeram. Durante o jogo, nós ouvimos o apoio dos torcedores mesmo do lado de fora. Foi emocionante. É muita felicidade. Representa o que o clube passou ao longo dos anos.

Você sentia o peso do jejum?

Enquanto o time não ganha tem muita cobrança, muita pressão. E um clube como o São Paulo, que é vencedor, é “obrigado” a vencer porque a camisa é muito pesada. É um time vitorioso, tricampeão do mundo, que tem uma identidade vencedora. Cheguei no São Paulo há três anos e, desde o começo, eu senti a pressão pela conquista.

O que foi decisivo para o título paulista?

Foram vários fatores. Havia uma força de vontade muito grande. Não fomos campeões na temporada passada, e isso doeu muito. Nós abrimos sete pontos de vantagem e perdemos o título. Aquilo uniu ainda mais o grupo. Acho que a contribuição individual dos atletas, somada à chegada da nova comissão técnica, foram importantes. Foi o conjunto da obra.

Como tem sido a sua contribuição individual?

Eu tento ser um jogador solidário, ajudar os companheiros. Poucas pessoas entendem a dedicação pela equipe. Tem dias que as coisas não vão bem e a gente tem que tentar na garra, na dedicação e na determinação. Acho que o primeiro tempo da final foi parecido com o jogo do Allianz. Eu já estou habituado a me doar pelo time. Quero ajudar de toda forma.

Quais as diferenças entre o trabalho atual, com o Crespo, e os trabalhos anteriores?

Em 2019, nós fomos para a decisão com o Corinthians e perdemos no final da partida. Foi muito doloroso. No ano passado, a queda no Brasileirão ficou martelando bastante. Mas ficou a crença de que poderíamos vencer. A nova comissão técnica mostrou que nós tínhamos potencial para vencer. Essa foi uma mudança. O Diniz deixou um legado muito importante, que todos reconhecem. E o Crespo soube aproveitar bem esse legado. Também foi difícil para ele, pegar um time que tinha acabado de não conquistar um título e que não teria férias, emendando uma disputa na outra. Ele também tem muitos méritos.

Depois de tantas dificuldades em sua passagem pelo São Paulo, como é ser o artilheiro do clube e da temporada?

Tive muitas dificuldades no começo, com críticas e cobranças. Tive de fazer uma cirurgia na coluna e também sofri uma lesão no tornozelo que me impediu de jogar por quase seis meses. Mas sei que posso ajudar o time. Sempre tive essa consciência. O camisa 9 é cobrado para fazer gols. Estou muito feliz com meu momento, fazendo gols e dando assistências. O importante é que muitos jogadores do time também fazem gols. Na final, acho que conseguimos comprovar que fomos o melhor time do Campeonato Paulista.