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FAEP aponta novos mercados para a carne bovina do Paraná

Diversificação das exportações e produção de carnes de maior valor agregado são apontadas como alternativas diante das restrições da China e da União Europeia.

gado no campo

Diversificação das exportações e produção de carnes de maior valor agregado são alternativas para enfrentar restrições comerciais da China e da União Europeia.

A diversificação das exportações de carne bovina pode ampliar as oportunidades para os produtores do Paraná diante das restrições comerciais impostas pela China e pela União Europeia. O tema foi discutido nesta quarta-feira (14), durante reunião da Comissão Técnica de Bovinocultura de Corte do Sistema FAEP, com representantes do setor e especialistas.

O especialista da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Rafael Lima Filho, apresentou dados do comércio internacional e destacou a necessidade de ampliar os destinos das exportações brasileiras. Entre os mercados com potencial estão Indonésia, Filipinas, Vietnã, Japão e Coreia do Sul.

Apesar das dificuldades comerciais em 2026, a receita brasileira com exportações de carne bovina cresceu 14,1% entre janeiro e setembro. O faturamento chegou a US$ 12,97 bilhões, enquanto o volume embarcado caiu 1,5%, para 2,11 milhões de toneladas. O preço médio avançou 15,9%.

O Brasil é o maior produtor e exportador mundial de carne bovina, responsável por 31% dos embarques globais. O Paraná figura entre os dez principais estados produtores do país.

China reduz compras de carne bovina brasileira

A China, principal destino da carne brasileira no acumulado de 2026, reduziu as importações após atingir a cota estabelecida para o país.

O limite de 1,1 milhão de toneladas foi alcançado em agosto. Desde então, os embarques apresentaram retração. Em setembro, o volume exportado à China ficou 94,2% abaixo do registrado no mesmo mês de 2025.

A participação chinesa, que correspondeu a 42,5% das exportações brasileiras entre janeiro e setembro, caiu para 5,6% somente no último mês analisado.

Segundo Rafael Lima Filho, parte da carne brasileira permanece armazenada em câmaras frias na China, à espera da renovação da cota. A expectativa apresentada pelo especialista é de retomada das compras até o fim de outubro.

Estados Unidos assumem liderança nas importações

Com a redução das vendas para a China e as restrições europeias, parte da produção brasileira foi redirecionada aos Estados Unidos.

Em setembro, os norte-americanos assumiram a liderança entre os destinos da carne bovina brasileira, com participação de 21,5% nos embarques.

De janeiro a setembro, as exportações brasileiras para os Estados Unidos cresceram 45% em relação ao mesmo período de 2025, ano marcado pela aplicação de sobretaxas.

Além disso, o mercado norte-americano abriu uma cota adicional de 300 mil toneladas de carne magra, válida entre 1º de setembro e 30 de novembro de 2026.

Para Lima Filho, o redirecionamento dos embarques contribuiu para reduzir os impactos das restrições comerciais.

“Apesar das restrições, o panorama é bem positivo. Afinal, não tem carne abundante no mercado”, avaliou.

O presidente da Comissão Técnica de Bovinocultura de Corte, Rodolpho Botelho, destacou que os Estados Unidos enfrentam o menor rebanho bovino em 75 anos e preços recordes. Por isso, ampliaram as compras de carne brasileira, principalmente para a produção de hambúrgueres.

União Europeia mantém restrições à carne brasileira

A retomada das exportações para a União Europeia enfrenta obstáculos relacionados às exigências sobre o uso de antimicrobianos na produção animal.

Segundo Rafael Lima Filho, não existe previsão de retirada das restrições no curto ou médio prazo. Para recuperar o acesso ao mercado, o Brasil precisará atender aos protocolos de não uso e segregação de antimicrobianos, além de passar por procedimentos de vistoria.

Em setembro, os embarques para o bloco europeu somaram 19,7 mil toneladas, equivalentes a 15,6% do volume informado para o período. A quantidade corresponde a produtos certificados antes da aplicação das restrições.

O especialista também apontou que questões relacionadas ao desmatamento e ao bem-estar animal devem ganhar importância nas exigências internacionais.

Apesar de representar um mercado menor em volume, a União Europeia oferece preços mais elevados e pode facilitar o acesso a outros compradores exigentes.

“Não que o volume seja grande, mas é um cartão de apresentação para conquistar novos mercados”, afirmou Botelho.

Paraná precisa ampliar exportações de carnes diferenciadas

A produção de carnes com maior valor agregado representa uma oportunidade para o Paraná conquistar espaço no mercado internacional, segundo o presidente da Comissão Técnica.

Atualmente, apenas 11 propriedades paranaenses exportam carne bovina para a União Europeia, conforme dados do Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Origem Bovina e Bubalina (Sisbov).

Botelho destacou que o Estado possui poucos frigoríficos habilitados para exportação. Além disso, o Paraná ocupa somente 2,3% do território brasileiro, o que limita sua capacidade de competir em volume com outros estados.

A alternativa, segundo ele, é ampliar a produção de carnes diferenciadas, destinadas a mercados que valorizam qualidade e características específicas.

“Um mercado mais direcionado, com carnes de alta qualidade, com valor agregado maior. Para isso, o Paraná tem que ser mais eficiente, temos que ter mais empresas aptas à exportação”, disse.

O dirigente ressaltou que produtores e cooperativas paranaenses já trabalham com carne de qualidade elevada, inclusive por meio de cruzamentos industriais. Entretanto, o setor precisa assegurar regularidade na oferta para atender aos compradores internacionais.

Diversificação pode reduzir dependência da China

A abertura de novos mercados também foi defendida como estratégia para diminuir a concentração das exportações brasileiras em poucos destinos.

Entre as oportunidades apontadas estão Indonésia, Filipinas e Vietnã. Japão e Coreia do Sul também apresentam potencial para ampliar as compras, especialmente de carnes com maior valor agregado.

Botelho defendeu a atuação do governo federal, das embaixadas e dos adidos agrícolas na negociação de novos acordos comerciais.

“É importante que o Brasil abra mais mercado, diminua o mercado chinês e não fique na dependência só da China”, afirmou.

O dirigente também destacou as dificuldades enfrentadas por outros fornecedores internacionais. Segundo ele, a Austrália sofre impactos climáticos, a Argentina ainda se recupera de uma crise e o Uruguai exporta mais de 90% da produção.

Para Botelho, o Brasil precisa acompanhar as exigências sanitárias e ambientais dos países importadores. A adaptação aos protocolos atuais e futuros será necessária para ampliar o acesso aos mercados.

FAEP destaca importância da atualização dos produtores

O presidente do hhttps://www.sistemafaep.org.br, Ágide Eduardo Meneguette, ressaltou a importância do acompanhamento das mudanças no comércio internacional de carne bovina.

“Fóruns como a Comissão Técnica permitem que o produtor entenda o que está acontecendo no mercado e se prepare. A informação de qualidade ajuda a decidir melhor, sobretudo em um ano como este, de mudanças rápidas”, afirmou.

Meneguette também destacou a atuação da entidade na busca por alternativas para ampliar a competitividade da pecuária paranaense.

“O Sistema FAEP está lado a lado com o produtor de carne paranaense na busca por alternativas e por qualidade. Nossa carne é reconhecida, e vamos continuar trabalhando para abrir portas”, declarou.

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Gustavo Ferreira

Jornalista atuante em portais de notícias há 20 anos. Trabalhou como redator independente para diversas redações.

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