FAEP cobra medidas contra leite importado da Argentina e Uruguai

Leite

O Sistema FAEP manifestou preocupação com a decisão do governo federal de não aplicar medidas antidumping sobre as importações de leite em pó provenientes da Argentina e do Uruguai. A entidade defende a adoção de mecanismos que garantam concorrência justa e protejam os produtores brasileiros diante da entrada de produtos importados com preços considerados desleais.

A decisão foi tomada após a 237ª reunião ordinária do Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex-Camex), vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), realizada nesta quinta-feira (28).

Apesar de o colegiado reconhecer a existência da prática de dumping nas importações dos dois países vizinhos, o governo optou por não aplicar medidas compensatórias neste momento.

Investigação apontou prática de dumping

Em abril de 2026, o Departamento de Defesa Comercial (Decom), ligado ao MDIC, concluiu uma investigação que identificou margens de dumping de até 60% para o leite em pó importado da Argentina e de até 50% para os produtos oriundos do Uruguai.

Além disso, o órgão apontou prejuízos à cadeia produtiva brasileira, especialmente aos produtores de leite que enfrentam dificuldades para competir com os preços praticados pelos produtos importados.

Ao longo do mês de maio, entidades do setor agropecuário intensificaram a mobilização em defesa da aplicação das medidas antidumping.

Entre elas estiveram o Sistema FAEP, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e outras federações estaduais.

FAEP considera decisão preocupante

Para o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, a decisão do governo federal gera preocupação para os produtores brasileiros.

“Essa decisão é preocupante. O reconhecimento da prática de dumping confirma um problema que já vinha sendo apontado pelo setor produtivo. A competição desleal do produto importado tem prejudicado nossos pecuaristas”, afirmou.

Segundo ele, a entidade continuará atuando para reverter o cenário e defender a produção nacional.

“O Sistema FAEP segue atuando em defesa de condições justas de concorrência e da valorização de quem produz leite”, acrescentou Meneguette.

Setor busca revisão da decisão

Diante da decisão, o Sistema FAEP informou que irá intensificar as articulações junto ao governo federal e aos representantes do setor para buscar uma revisão do processo.

A entidade defende a retomada das discussões sobre a investigação envolvendo as importações de leite em pó oriundas do Mercosul, com o objetivo de assegurar condições equilibradas de mercado.

Segundo o Sistema FAEP, a ausência de medidas antidumping pode ampliar as dificuldades enfrentadas pelos produtores brasileiros, especialmente em um cenário de custos elevados e margens reduzidas.

Histórico de defesa da cadeia leiteira

Desde 2023, o Sistema FAEP tem defendido a adoção de medidas para reduzir os impactos das importações sobre a produção nacional.

Entre as ações apoiadas pela entidade está a aprovação do Decreto nº 5.396/2024, que incluiu o leite em pó e a muçarela importados na alíquota comum do ICMS no Paraná.

Na avaliação da federação, iniciativas desse tipo contribuem para reduzir distorções de mercado e fortalecer a competitividade dos produtores locais.

Atividade é estratégica para o Paraná

A pecuária leiteira está presente nos 399 municípios paranaenses e desempenha papel importante na geração de renda, empregos e desenvolvimento econômico do meio rural.

Por esse motivo, o Sistema FAEP considera fundamental a adoção de políticas que garantam sustentabilidade ao setor e protejam os produtores diante da concorrência internacional.

A entidade reforça que continuará acompanhando o tema e defendendo medidas que assegurem condições justas para a produção de leite no Paraná e em todo o Brasil.