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FAEP conhece robôs e satélites usados no agro dos EUA

Delegação paranaense visita empresas e propriedades rurais na Califórnia para conhecer tecnologias de automação e inteligência artificial.

FAEP conhece robôs e satélites usados no agro dos EUA

Produtores e lideranças rurais do Paraná conheceram, durante uma viagem técnica promovida pelo Sistema FAEP aos Estados Unidos, tecnologias de robótica, inteligência artificial e monitoramento por satélites aplicadas à agricultura. As visitas ocorreram em empresas e propriedades rurais da Califórnia, onde máquinas autônomas ajudam a reduzir custos e enfrentar a escassez de mão de obra.

Entre as soluções apresentadas estão robôs agrícolas utilizados na pulverização de lavouras e sistemas de observação por satélite capazes de monitorar diariamente grandes áreas. As tecnologias permitem reunir dados sobre o desenvolvimento das culturas e apoiar decisões dentro das propriedades.

A delegação reúne 32 produtores, lideranças rurais e representantes da Comissão Estadual de Mulheres da FAEP (CEMF), de 19 municípios paranaenses. A programação prossegue até o fim de outubro, com visitas a empresas, universidades e propriedades rurais de outros estados norte-americanos.

Robôs agrícolas reduzem custos de pulverização

Uma das visitas ocorreu na Yamaha Agriculture, empresa localizada na região de Carneros, na Califórnia. O grupo conheceu o robô Prospr, desenvolvido para automatizar operações agrícolas em cultivos perenes, principalmente vinhedos e pomares.

O equipamento realiza atividades repetitivas, sujas ou perigosas, classificadas pelo conceito conhecido como 3Ds, do inglês dull, dirty e dangerous.

A automação permite reduzir a exposição dos trabalhadores aos produtos fitossanitários e diminuir a dependência de mão de obra. Além disso, pode reduzir o consumo de combustível em comparação com sistemas convencionais.

Segundo os dados apresentados pela Yamaha Agriculture, o custo de consumo do Prospr é de US$ 0,34 por hectare. Já o conjunto convencional formado por trator e pulverizador apresenta custo de US$ 2,21 por hectare.

Comparativo de custos | Yamaha Agriculture

Robô agrícola x sistema convencional

Robô Prospr
US$ 0,34
por hectare
Trator + pulverizador
US$ 2,21
por hectare
Robô Prospr15,4%
Sistema convencional100%
84,6% menor
Diferença proporcional de custos, equivalente a US$ 1,87 por hectare.
Fonte: Yamaha Agriculture. Comparação dos valores de consumo operacional informados pela empresa. Não representa o custo total de produção.

Outra vantagem do equipamento é a possibilidade de operar durante a noite, quando as condições meteorológicas podem ser mais favoráveis à pulverização. O funcionamento prolongado também amplia os períodos disponíveis para executar as tarefas agrícolas.

O Prospr já opera há dois anos na Austrália e na Nova Zelândia, em cultivos como uvas e maçãs. Nos Estados Unidos, a Yamaha Agriculture amplia gradualmente sua atuação.

O Brasil também está nos planos de expansão futura da empresa, principalmente em atividades agrícolas que enfrentam dificuldades para contratar trabalhadores.

Satélites monitoram lavouras diariamente

A delegação paranaense também conheceu a Planet Labs, empresa fundada em São Francisco e especializada no desenvolvimento e na operação de satélites de observação da Terra.

A companhia possui 250 equipamentos em órbita, responsáveis pelo monitoramento diário da superfície terrestre. As imagens têm aplicações na agricultura, no acompanhamento ambiental, na gestão territorial e na análise de dados geoespaciais.

Os satélites produzem imagens multiespectrais com resolução espacial próxima de três metros por pixel. Essa tecnologia permite acompanhar áreas agrícolas e florestais, ambientes naturais e edificações.

Na agricultura, os dados ajudam a identificar diferenças entre talhões, acompanhar o desenvolvimento das lavouras e comparar resultados de diferentes safras.

O processamento contínuo das imagens também permite construir séries históricas. Dessa forma, os produtores podem identificar áreas com comportamentos distintos e direcionar inspeções técnicas para locais com possíveis anomalias.

Imagens podem auxiliar no CAR e no seguro rural

Além do monitoramento das lavouras, as imagens de satélite podem contribuir para a elaboração do Cadastro Ambiental Rural (CAR) no Brasil.

A tecnologia permite identificar características das propriedades, como áreas de vegetação nativa e cursos d’água, fornecendo informações para o levantamento ambiental.

Outra possibilidade envolve o desenvolvimento de seguros agrícolas paramétricos. Nessa modalidade, as seguradoras utilizam indicadores previamente definidos, como condições de seca, excesso de chuva e alterações observadas nas áreas seguradas.

O presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, destacou a importância dessas aplicações para os produtores brasileiros.

“O seguro rural e o CAR são dois aspectos fundamentais para os nossos produtores rurais, mas que têm causado problemas no Brasil. Com a precisão das imagens de satélites, o agricultor pode fazer uma gestão de risco mais assertiva, reduzindo determinados custos e agilizando processos”, afirmou.

Inteligência artificial avança na agricultura

A Califórnia concentra um ecossistema de empresas voltadas à inovação tecnológica, com destaque para o desenvolvimento de soluções baseadas em inteligência artificial.

Atualmente, o estado norte-americano reúne 368 empresas classificadas como unicórnios, startups avaliadas em pelo menos US$ 1 bilhão.

Parte desse desenvolvimento está relacionada às chamadas hard technologies, que integram recursos digitais a equipamentos e sistemas físicos.

Nesse segmento, empresas investem em robótica, automação e veículos autônomos, incluindo tecnologias destinadas à produção agropecuária.

Para Meneguette, o contato com esses ambientes de inovação permite avaliar oportunidades de aplicação das novas ferramentas no campo paranaense.

“A Califórnia é o centro mundial do desenvolvimento de tecnologias envolvendo inteligência artificial, sendo que muitas são para uso no campo. A viagem técnica é uma forma de aproximar as nossas lideranças rurais dos ambientes de pesquisa e inovação, estimulando, no futuro, a adoção de tecnologias economicamente viáveis por meio da IA, automação e digitalização das atividades agropecuárias”, destacou.

Automação exige qualificação dos trabalhadores

A expansão da automação agrícola também modifica as atividades profissionais e as exigências de qualificação no meio rural.

Fernando Franco, representante da Campfire, empresa especializada em conectar organizações ao ecossistema de inovação do Vale do Silício, ressaltou a necessidade de adaptação dos trabalhadores.

“A automação está substituindo determinas atividades, inclusive no meio rural, modificando significativamente as exigências do mercado de trabalho. Por isso a importância da capacitação contínua e da adaptação dos profissionais”, afirmou.

A viagem técnica do Sistema FAEP continuará até o final de outubro, com visitas programadas nos estados de Nebraska, Iowa, Illinois e Missouri.

A missão busca aproximar os representantes do agronegócio paranaense de tecnologias que possam contribuir para a eficiência produtiva e a modernização das atividades rurais.

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Gustavo Ferreira

Jornalista atuante em portais de notícias há 20 anos. Trabalhou como redator independente para diversas redações.

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