A Frente Parlamentar da Agropecuária declarou apoio a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial. Durante encontro com integrantes da bancada ruralista, o candidato afirmou que, se eleito, permitirá que a própria frente indique o nome para comandar o Ministério da Agricultura e Pecuária. C-Level
A aproximação ocorre nos primeiros dias da disputa contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A FPA reúne parlamentares ligados às pautas do agronegócio e terá participação nas discussões sobre propostas apresentadas pela campanha de Flávio para o setor.
Entre os temas abordados estão crédito rural, juros, infraestrutura, armazenagem, fertilizantes, bioenergia e agricultura familiar.
Flávio promete ouvir bancada do agro
Durante o encontro, Flávio afirmou que pretende manter diálogo permanente com representantes do setor caso seja eleito.
“Com relação ao crédito, vou buscar reduzir sempre a taxa de juros para baratear o financiamento. Vamos fazer um governo responsável, trazer muitos investimentos em infraestrutura, ampliar a nossa capacidade de armazenagem para melhor negociar os preços das nossas commodities, não só aqui no Brasil, mas com todo o mundo”, declarou.
O candidato também citou a agricultura familiar e os trabalhadores rurais entre os grupos que pretende incluir nas políticas do setor.
Flávio afirmou ainda que buscará reduzir a dependência brasileira de insumos importados, especialmente fertilizantes, e ampliar investimentos em pesquisa, inovação, biocombustíveis e geração de energia.
FPA deverá participar da escolha do ministro
Um dos anúncios do encontro foi a intenção de entregar à Frente Parlamentar da Agropecuária a indicação do futuro ministro da Agricultura e Pecuária em um eventual governo.
A participação da bancada ruralista na escolha já aparece nas articulações para uma eventual composição ministerial. O presidente da FPA, deputado federal Pedro Lupion, está entre os nomes mencionados nas discussões para a pasta.
Flávio afirmou que pretende utilizar a interlocução com o setor também na formulação de políticas relacionadas à produção, crédito e infraestrutura.
Lupion critica cenário enfrentado pelos produtores
Durante o encontro, Pedro Lupion fez críticas ao governo Lula e afirmou que os produtores enfrentam dificuldades relacionadas ao endividamento e ao custo do crédito.
“Se há alguém de joelho nesse país é o produtor rural, mas obviamente que não é para o atual presidente. Nós estamos de joelho devido ao tamanho do problema financeiro que o país nos colocou, que a economia brasileira se encontra e o resultado está aí”, declarou.
Lupion também criticou os juros cobrados dos produtores e afirmou que o cenário limita novos investimentos.
“Estamos falando de um juro real para o produtor de mais de 20% e isso impede qualquer tipo de produção. Quando impede a produção, impede a geração de emprego e impede o crescimento econômico”, afirmou.
As declarações representam a avaliação política da liderança da FPA sobre a condução da economia e das políticas para o setor. Após o primeiro turno, Lupion também afirmou publicamente que pretende discutir com Flávio Bolsonaro a agenda da frente parlamentar para os próximos anos.
Endividamento entra na pauta da bancada
O presidente da FPA afirmou que o endividamento dos produtores será uma das questões apresentadas durante a campanha do segundo turno.
Segundo Lupion, propostas discutidas anteriormente para financiamento rural e renegociação de dívidas não atenderam às demandas defendidas pela bancada.
Ele também citou juros, dívida pública e déficit primário ao explicar as críticas feitas à atual política econômica.
A senadora Tereza Cristina, que comandou o Ministério da Agricultura durante o governo Jair Bolsonaro, também participou das articulações do grupo.
Caiado e Daniel Vilela apoiam Flávio no segundo turno
Agro amplia articulação no segundo turno
O apoio da FPA ocorre em meio à reorganização de alianças após o primeiro turno.
Lideranças do agronegócio já vinham indicando maior aproximação com Flávio Bolsonaro e defendendo a existência de um interlocutor direto entre o setor e uma eventual futura administração.
Flávio disputa o segundo turno com Lula, marcado para 25 de outubro.

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