O Ibovespa fechou em queda de 0,18%, aos 206.505,98 pontos, nesta quarta-feira (14), pressionado pela inflação acima do esperado nos Estados Unidos e pela cautela com o segundo turno da eleição presidencial. O dólar comercial subiu 0,17% e terminou cotado a R$ 5,028.
O índice perdeu 381,54 pontos e registrou a segunda queda seguida. Na mínima do dia, chegou a 203.463,77 pontos e, na máxima, a 207.220,81 pontos. O volume financeiro somou R$ 45,40 bilhões.
Na semana, o Ibovespa acumula baixa de 1,22%. Em outubro, ainda soma alta de 10,82% e, em 2026, de 28,16%.
Inflação americana acima do previsto
O principal fator externo do dia foi o índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos. Em setembro, os preços subiram 0,6% na comparação mensal, em linha com as projeções. A taxa em 12 meses, porém, chegou a 3,7%, acima dos 3,6% esperados.
O núcleo do índice, que exclui alimentos e energia, avançou 2,6% em 12 meses, ante previsão de 2,5%. Após a divulgação, os juros futuros americanos passaram a indicar chances semelhantes de manutenção ou de alta da taxa pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) na reunião de outubro, de acordo com a Reuters.
Em Wall Street, o S&P 500 caiu 1,10%, aos 7.719,54 pontos, e o Nasdaq recuou 1,88%, aos 26.692,87 pontos, com perdas em ações ligadas à inteligência artificial. O Dow Jones teve baixa menor, de 0,09%, aos 51.621,78 pontos.
Serviços fracos e pesquisas eleitorais
No Brasil, o IBGE informou que o volume do setor de serviços caiu 0,1% em agosto em relação a julho. Economistas consultados pela Reuters esperavam alta de 0,4%. Na comparação com agosto de 2025, houve avanço de 0,6%, abaixo da projeção de 1,1%.
O mercado também aguardava a nova pesquisa Quaest sobre o segundo turno entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), com divulgação prevista para depois das 18h. O Datafolha deve publicar levantamento na quinta-feira (15). Na terça-feira (13), outras pesquisas mostraram empate técnico entre os dois candidatos.
O Banco Central informou que o Brasil recebeu US$ 2,415 bilhões líquidos na semana seguinte ao primeiro turno, entre 5 e 9 de outubro. No mês, até o dia 9, o fluxo cambial total está positivo em US$ 3,214 bilhões.
Petrobras sobe e bancos pesam
A Petrobras evitou uma queda maior do índice. As ações preferenciais (PETR4) subiram 2,22%, a R$ 58,11, e as ordinárias (PETR3) avançaram 1,94%. O petróleo Brent para novembro fechou em alta de 0,35%, a US$ 106,06 o barril, em meio às tensões no Estreito de Ormuz.
Dados preliminares da Agência Nacional do Petróleo (ANP) indicaram que a produção de petróleo da estatal chegou a 2,96 milhões de barris por dia em setembro. A maior alta do Ibovespa foi da PRIO (PRIO3), com 2,29%, seguida por Copasa (CSMG3), com 1,97%.
Entre os bancos, o Itaú Unibanco (ITUB4) caiu 1,41%, o Bradesco (BBDC4) recuou 1,08%, o Santander (SANB11) perdeu 2,08% e o BTG Pactual (BPAC11), 2,81%. O Banco do Brasil (BBAS3) chegou a subir à tarde, mas fechou com baixa de 0,25%. A Vale (VALE3) recuou 0,66%, após nova queda do minério de ferro na China.
A maior baixa do índice foi da Tenda (TEND3), com 5,46%. Usiminas (USIM5) perdeu 4,76%, Magazine Luiza (MGLU3) caiu 4,49%, Cyrela (CYRE3) recuou 4,31% e Minerva (BEEF3), 4,13%. Fora do Ibovespa, as ações da Casas Bahia (BHIA3) recuaram 24,31%.
Dólar segue acima de R$ 5
O dólar comercial fechou a R$ 5,028 na compra e na venda, depois de oscilar entre R$ 5,019 e R$ 5,055. Pelo dólar à vista, a alta foi de 0,14%, a R$ 5,0298. No ano, a moeda acumula queda de 8,37%.
A Ptax, taxa de referência calculada pelo Banco Central, fechou em R$ 5,0441 na venda. Os juros futuros terminaram sem direção única. O contrato DI para janeiro de 2027 encerrou a 13,475%, e o de janeiro de 2029, a 12,48%.
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O que dizem os analistas
A recuperação do Ibovespa ao longo da tarde “exige mais interpretação do que entusiasmo”, afirmou Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, ao InfoMoney. Segundo ela, a sessão foi marcada pela inflação americana acima do esperado, pela alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA e pela persistência do risco eleitoral.
O sócio e estrategista da Zermatt Partners, Enrico Cozzolino, avaliou que a bolsa subiu quase 9% em uma semana com o rali eleitoral e que, por isso, qualquer notícia negativa vira motivo para realização de lucros. Para ele, as maiores quedas se concentraram nas ações mais sensíveis aos juros, que haviam sido as mais beneficiadas pela alta.
Leonel Oliveira Matos, analista de inteligência de mercados da StoneX, disse que o CPI mostra uma inflação americana mais persistente do que o previsto. Na avaliação dele, o dado talvez não seja suficiente para uma alta de juros em outubro, mas aumenta as apostas de aperto pelo Fed, fortalece o dólar no mundo e pressiona o câmbio brasileiro.
O economista-sênior do Inter, André Valério, afirmou que o resultado de serviços confirma a moderação da atividade econômica. Ele projeta crescimento de 1,7% em 2026, cenário que, segundo ele, permitiria ao Copom cortar a Selic nas duas próximas reuniões, levando a taxa para 13,25%.
Leonardo Mendes, economista e financial advisor da Manchester Investimentos, apontou como principal risco nos Estados Unidos a transmissão do choque de energia para os demais preços. Segundo ele, caso o movimento se prolongue, as expectativas de inflação podem ser contaminadas e a desinflação ficará mais lenta.
Agenda de quinta-feira
Na quinta-feira (15), saem os dados do varejo no Brasil e nos Estados Unidos, além da inflação ao produtor (PPI) americana. No campo político, o mercado acompanha a pesquisa Datafolha sobre o segundo turno.

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