O Ibovespa fechou em queda de 0,51% nesta terça-feira (27), aos 175.710,05 pontos, pressionado pela baixa do minério de ferro e do petróleo. O dólar comercial caiu 0,97% e terminou a R$ 5,35. Foi o segundo pregão depois da reeleição do presidente Lula (PT), que derrubou a Bolsa na véspera e fez o dólar disparar.
Na máxima do dia, o índice chegou a 178.526,08 pontos e, na mínima, a 175.130,23 pontos. O volume financeiro foi de R$ 71,2 bilhões.
Dólar devolve parte da alta da véspera
O recuo do dólar ocorreu depois da disparada de segunda-feira (26), quando a moeda subiu 8,36% e fechou a R$ 5,4066. Pela manhã daquele dia, a cotação passou de R$ 5,60.
A queda dos juros dos títulos públicos no Brasil e nos Estados Unidos ajudou o real a recuperar parte das perdas.
Construtoras lideram as altas
De acordo com a B3, as maiores altas do Ibovespa foram:
- Tenda (TEND3): 10,20%, a R$ 23,01;
- Magazine Luiza (MGLU3): 8,49%, a R$ 5,75;
- Direcional (DIRR3): 5,35%, a R$ 9,25;
- Vamos (VAMO3): 5,05%, a R$ 2,91;
- TIM (TIMS3): 5,03%, a R$ 19,00.
As maiores baixas foram:
- Natura (NATU3): -6,94%, a R$ 5,50;
- Totvs (TOTS3): -6,78%, a R$ 35,35;
- MRV (MRVE3): -5,71%, a R$ 4,46;
- CSN (CSNA3): -4,99%, a R$ 4,76;
- Gerdau (GOAU4): -4,51%, a R$ 11,00.
Eleição, fiscal e rebaixamentos
Na segunda-feira, o Ibovespa caiu 13,88%, aos 176.608,23 pontos. Foi a maior queda desde 2020. A Elos Ayta, calculou perda de R$ 734 bilhões em valor de mercado das empresas da B3.
O resultado da eleição frustrou apostas em Flávio Bolsonaro (PL) e em uma agenda fiscal mais favorável. O Citigroup e a BCA Research rebaixaram a recomendação de ativos brasileiros. Para as instituições, “o perfil de risco-retorno para ações, títulos e moeda se deteriorou”.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reafirmou a Lula a necessidade de uma sinalização propositiva ao mercado, segundo a Reuters. O Tesouro Nacional cancelou o leilão de LFT e recomprou R$ 16,8 bilhões em NTN-B.
Exterior e Fed no radar
Em Nova York, o Dow Jones subiu 0,04%, o S&P 500 avançou 0,60% e o Nasdaq ganhou 1,18%. A alta se deve ao otimismo com ações de tecnologia e de inteligência artificial, em meio à temporada de balanços.
O Federal Reserve anuncia a decisão de juros nesta quarta-feira (28), onde 90% do mercado espera a manutenção da taxa entre 3,75% e 4% ao ano.
O que dizem os analistas
“O foco dos investidores agora se desloca da eleição para a condução da política econômica”, afirmou Matheus Villela, analista da gestora Aware Investments.
Sobre o Fed, Thomas Block, estrategista de política monetária da Fundstrat, afirmou, que “seria improvável que alterasse as taxas uma semana antes de uma eleição nacional”.
A consultoria 4intelligence avaliou que “a inesperada virada de Lula no segundo turno devolveu aos ativos domésticos todo o prêmio de risco”.

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