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Mercado financeiro

Ibovespa cai 0,82% e dólar fecha a R$ 5,49, maior do ano

Bolsa brasileira acompanha venda de ações de tecnologia em Nova York e dúvidas sobre o quadro fiscal; Petrobras e Bradesco pesam no índice

bolsa dólar

O Ibovespa fechou esta quinta-feira (5) em queda de 0,82%, aos 166.191,45 pontos, pressionado pelo tombo das bolsas de Nova York e pelas dúvidas sobre a política fiscal do governo. O dólar comercial subiu 0,68% e encerrou a R$ 5,4886, a maior cotação do ano.

A perda do índice foi de 1.372,02 pontos. O Ibovespa oscilou entre a máxima de 168.994 pontos e a mínima de 166.189,74 pontos e terminou o pregão praticamente na mínima do dia. O volume financeiro ficou em cerca de R$ 25 bilhões, abaixo da média.

A queda veio um dia depois de o índice interromper uma sequência de seis baixas consecutivas, com alta de 1,23% na quarta-feira (4). Em novembro, a bolsa acumula recuo de 1,03%. No ano, a alta é de 3,14%.

Petrobras e Bradesco pesam; Vale e Itaú sobem

Entre as ações de maior peso, a Petrobras teve piora perto do fechamento. Os papéis PN recuaram 2,48%, a R$ 45,95, e os ON caíram 3,03%, a R$ 51,78, mesmo com a alta do petróleo no exterior.

O Bradesco PN perdeu 2,06%, a R$ 13,77. Na ponta positiva, a Vale subiu 0,51%, a R$ 62,67, acompanhando a valorização do minério de ferro na China. O Itaú PN avançou 0,65%, a R$ 39,97, e o Banco do Brasil terminou estável.

A maior queda do Ibovespa foi da Tenda, que recuou 17,72%, a R$ 16,25, depois de divulgar o balanço do terceiro trimestre. Também caíram CSN Mineração (-6,49%), Embraer (-4,96%), RaiaDrogasil (-4,86%) e Gerdau (-3,58%).

Entre as maiores altas, a C&A subiu 9,25% após resultados acima das expectativas. Smart Fit (+5,48%), Cosan (+4,60%), Assaí (+4,32%) e Hapvida (+2,70%) completaram a lista.

Wall Street tem o pior dia desde abril de 2025

O principal fator externo foi a forte venda de ações de tecnologia nos Estados Unidos. A vitória dos democratas nas eleições legislativas elevou a expectativa de regras mais duras para o setor de inteligência artificial, especialmente para os data centers.

O Nasdaq despencou 5,52%, aos 24.315 pontos, e entrou em território de correção, com queda de mais de 10% desde o recorde de 6 de outubro. O S&P 500 recuou 4,36%, aos 7.353,73 pontos, e o Dow Jones caiu 3,44%, aos 51.523,06 pontos. Foi o pior pregão dos três índices desde abril de 2025.

O petróleo Brent subiu 2,72%, a US$ 90,52 o barril.

Copom e fiscal no radar

No mercado doméstico, os investidores repercutiram a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que manteve na quarta-feira (4) a taxa Selic em 13,75% ao ano. A decisão foi unânime e interrompeu uma sequência de cinco cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual.

Os juros futuros fecharam em queda. O DI para janeiro de 2028 recuou de 14,433% para 14,310%, e o contrato para janeiro de 2031 passou de 15,06% para 14,935%. No fim da tarde, a curva indicava cerca de 70% de chance de manutenção da Selic em dezembro.

A agenda fiscal seguiu no foco. A reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com ministros e economistas terminou sem medidas anunciadas. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que não há “fórmula mágica” e que as propostas devem vir depois da viagem internacional do presidente, na próxima semana.

O mercado também aguarda o nome para o Ministério da Fazenda no próximo governo e medidas para conter o endividamento. Lula deve fazer um pronunciamento em cadeia nacional no domingo (8).

Entre os indicadores, a produção industrial caiu 0,8% em setembro na comparação com agosto, segundo o IBGE. O PMI de serviços recuou de 49,2 para 44,5 pontos em outubro, a maior contração desde abril de 2021.

INVENTUM tem palestra de Sérgio Sacani nesta sexta-feira (6)

O que dizem os analistas

Para o gestor e sócio fundador da Cardinal Partners, Marcelo Audi, a bolsa brasileira sofreu menos porque tem pouca exposição ao setor que derrubou Nova York. “Temos uma correção forte dos ativos do segmento de IA, que é um mercado que não temos no Brasil”, afirmou.

Segundo Luca Girardi, analista de investimentos da Nomad, a piora do ambiente externo foi decisiva para a virada dos ativos brasileiros. A pressão começou nas empresas de semicondutores e se espalhou pelo setor de tecnologia.

No câmbio, a falta de definições em Brasília sustentou a procura por proteção. “O mercado acompanhou com cautela as reuniões de transição entre Lula, ministros e economistas no Palácio da Alvorada”, disse Emerson Junior, head de câmbio e contas internacionais da Convexa Investimentos.

Para os próximos pregões, o head da mesa de renda variável e sócio da AW Capital, Lucas Xavier, vê as ações em níveis baixos, mas condiciona a recuperação às definições do governo. “Os preços seguem muito baratos, mas podem ser que fiquem mais. Acredito que tudo depende do plano econômico”, afirmou.

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Paulo Felipe

Jornalista com 15 anos de experiência em redações de jornais impressos e portais de notícias. Há 4 anos se dedica exclusivamente a escrever para portais de notícias. Somou-se a equipe do Diário do Sudoeste

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