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Ibovespa cai 1% e dólar passa de R$ 5 com eleição no radar

Investidores embolsam lucros após semana de recordes; pesquisas apontam disputa apertada no 2º turno

Escritório de Trading ao Pôr do Sol

O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, fechou esta terça-feira (13) em queda de 1,04%, aos 206.887 pontos, enquanto o dólar comercial subiu 0,71% e terminou o dia cotado a R$ 5,02. O movimento foi atribuído pelo mercado à realização de lucros após a forte alta da semana passada e à cautela com o cenário eleitoral, a menos de duas semanas do segundo turno.

Ao longo do pregão, o índice oscilou entre a máxima de 209.071 pontos e a mínima de 206.146 pontos, com volume financeiro de R$ 45,5 bilhões. Mesmo com o recuo, a Bolsa acumula valorização de cerca de 11% em outubro e de 28,4% em 2026, segundo o InfoMoney.

Eleição e realização de lucros

Na semana anterior, o Ibovespa havia subido quase 9% e renovado recordes após o resultado do primeiro turno. Na volta do feriado de Nossa Senhora Aparecida, os investidores aproveitaram para embolsar parte desses ganhos.

O noticiário eleitoral reforçou a cautela. A pesquisa BTG/Nexus, divulgada nesta terça, mostrou o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 48% das intenções de voto e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 45%, em empate técnico dentro da margem de erro. Outros levantamentos divulgados no dia, como Futura Inteligência e PoderData/Aya, também indicaram disputa apertada.

Também entraram no radar o anúncio do governo federal de um projeto para perdoar R$ 12,6 bilhões em dívidas tributárias de microempreendedores individuais (MEIs) e a expectativa de votação, no Senado, da proposta que acaba com a escala 6×1.

Petrobras sobe; bancos e varejo caem

As ações preferenciais da Petrobras (PETR4) subiram 1,52% e ajudaram a limitar as perdas. A PRIO liderou as altas do índice. Já a Vale recuou 1,09%, acompanhando a queda do minério de ferro na China.

Os grandes bancos fecharam no vermelho: Banco do Brasil caiu 1,58%, Itaú 1,57% e Bradesco 0,97%. O pior desempenho ficou com a Vamos, que despencou 11,22%, seguida por Yduqs, Lojas Renner e Magazine Luiza, todas com perdas acima de 7%. A Localiza, que perdeu 5,72% após rebaixamento de recomendação pelo JPMorgan, foi a ação mais negociada do dia.

Dólar e juros sobem

O dólar chegou a R$ 5,028 na máxima do dia. A alta no Brasil foi na contramão do exterior, onde a moeda americana perdeu força frente a outras divisas. Os juros futuros também avançaram em toda a curva, devolvendo parte da queda registrada na semana anterior.

O Boletim Focus, do Banco Central, elevou a projeção de inflação de 2026 para 5,22% e reduziu a estimativa para a Selic ao fim do ano para 13,25%.

Exterior

Em Nova York, os três principais índices fecharam em leve queda: o Dow Jones recuou 0,35%, o S&P 500 caiu 0,02% e o Nasdaq perdeu 0,15%.

Os investidores repercutiram os balanços de grandes bancos americanos e aguardam o índice de inflação ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos, que sai nesta quarta-feira. O petróleo Brent fechou em queda de 0,90%, a US$ 105,69 o barril.

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O que dizem os analistas

Para Marcos Bassani, especialista em investimentos e sócio da Boa Brasil Capital, em declaração à Exame, a alta do dólar e dos juros é um movimento natural depois da forte valorização da Bolsa. Segundo ele, “os próximos pregões dessa semana serão definidos pelas pesquisas e realizações de lucros”.

Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, avaliou ao InfoMoney que o mercado está ajustando posições após um ganho expressivo, mas que o recuo não indica reversão da tendência de alta. Ele destacou que a pressão sobre o real vem principalmente de fatores domésticos, como pesquisas eleitorais, a discussão sobre a escala 6×1 e incertezas fiscais.

Luca Girardi, analista de investimentos da Nomad, afirmou à Exame que a atenção dos investidores nesta semana deve se dividir entre os balanços das empresas e o CPI americano, que pode sinalizar o rumo dos juros nos Estados Unidos.

Alexandre Wolwacz, o Stormer, sócio-fundador da Liberta, disse ao InfoMoney que a tendência de alta segue estabelecida e que recuos como o desta terça estão sendo usados por investidores que perderam o rali anterior.

Na quarta-feira (14), o mercado acompanha o resultado do setor de serviços de agosto no Brasil e o CPI de setembro nos Estados Unidos.

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Gustavo Ferreira

Jornalista atuante em portais de notícias há 20 anos. Trabalhou como redator independente para diversas redações.

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