O Ibovespa fechou em queda de 1,06%, aos 204.324,26 pontos, nesta quinta-feira (15), na terceira baixa seguida. Os investidores reagiram à pesquisa Quaest, à aprovação do fim da escala 6×1 no Senado e à cautela com as contas públicas. O dólar comercial subiu 1,17%, a R$ 5,087.
O índice perdeu 2.181,72 pontos no dia. Na mínima, chegou a 203.110,43 pontos e, na máxima, a 206.520,28 pontos. O volume financeiro somou R$ 40,90 bilhões.
Na semana, a bolsa acumula queda de 2,28%. Em outubro, ainda soma alta de 9,64% e, em 2026, de 26,80%.
Pesquisas eleitorais no centro das atenções
A pesquisa Quaest, divulgada na noite de quarta-feira (14), mostrou o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 46% das intenções de voto e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 44%. Com margem de erro de dois pontos, o resultado configura empate técnico.
O mercado também aguardava uma nova pesquisa Datafolha, com divulgação prevista para a noite desta quinta-feira, após o fechamento do pregão. Segundo o InfoMoney, com informações da Reuters, a expectativa era saber se Lula havia reduzido a diferença em relação a Flávio.
Na noite de quarta-feira, o Senado aprovou a proposta que acaba com a escala de trabalho 6×1 e reduz a jornada semanal. O InfoMoney classificou a aprovação como uma vitória do governo Lula.
Dólar tem maior fechamento desde 2 de outubro
O dólar comercial fechou a R$ 5,087 na compra e na venda, depois de oscilar entre R$ 5,037 e R$ 5,099. No mercado à vista, a moeda subiu 1,17%, a R$ 5,0885, o maior fechamento desde 2 de outubro. No ano, acumula queda de 7,30%.
O movimento foi na contramão do exterior. O índice DXY, que mede o dólar ante uma cesta de moedas fortes, caiu 0,18% no fim da tarde. Assim, a desvalorização do real teve origem doméstica, de acordo com o InfoMoney.
Os juros futuros subiram em toda a curva. O contrato DI para janeiro de 2029 avançou 0,25 ponto percentual, a 12,73%, e o de janeiro de 2035 encerrou a 12,87%.
Varejo fraco e cenário fiscal
No Brasil, as vendas no varejo cresceram 0,1% em agosto ante julho, abaixo da mediana das projeções, de 0,7%. Na comparação anual, a alta foi de 0,4%, contra expectativa de 1,45%.
O relatório Prisma Fiscal, do Ministério da Fazenda, passou a projetar déficit primário de R$ 53,048 bilhões em 2026 e dívida bruta de 83,40% do PIB no ano.
Inflação ao produtor nos EUA surpreende
Nos Estados Unidos, o índice de preços ao produtor (PPI) subiu 1,3% em setembro, mais que o dobro da projeção de 0,6%. Em 12 meses, a alta chegou a 6,3%, ante expectativa de 5,3%. As vendas no varejo americano avançaram 0,8%, acima da previsão de 0,3%.
Mesmo com os dados, Wall Street fechou em alta. O Dow Jones subiu 1,08%, aos 52.177,81 pontos, o S&P 500 avançou 0,33%, aos 7.744,10 pontos, e o Nasdaq ganhou 0,08%, aos 26.713,03 pontos.
Construtoras e varejo lideram perdas
A maior queda do Ibovespa foi da Direcional (DIRR3), com 9,26%, depois de divulgar vendas e lançamentos menores no trimestre, segundo a Suno. MRV (MRVE3) perdeu 4,94%, Vamos (VAMO3) recuou 4,27%, Magazine Luiza (MGLU3) caiu 4,24% e C&A (CEAB3), 4,18%.
Entre as blue chips, a Petrobras (PETR4) caiu 1,29%, o Itaú Unibanco (ITUB4) também recuou 1,29%, o Banco do Brasil (BBAS3) perdeu 1,78% e o Bradesco (BBDC4) cedeu 0,67%. A Vale (VALE3) recuou 0,45%, a sétima queda em oito pregões, com o minério de ferro na menor cotação em dois anos.
Na ponta positiva, a Embraer (EMBJ3) subiu 2,70%. Yduqs (YDUQ3) ganhou 2,12%, Caixa Seguridade (CXSE3) avançou 1,73%, TIM (TIMS3) subiu 1,36% e Ambev (ABEV3), 1,03%.
O que dizem os analistas
Para Márcio Riauba, head da mesa de operações da StoneX Banco de Câmbio, a direção do mercado vai depender menos do resultado do primeiro turno e mais da velocidade de convergência das próximas pesquisas. Segundo ele, uma disputa apertada tende a manter elevadas a volatilidade e a procura por proteção no câmbio.
Os analistas do Daycoval avaliaram que, após a euforia da semana passada, os investidores passaram a reduzir posições em ações e a reavaliar as expectativas fiscais para o próximo governo.
O economista-chefe da Suno Research, Gustavo Sung, comentou o dado do varejo. “Mantemos a nossa projeção de estagnação da atividade econômica no 3T26 e crescimento do PIB de 1,8% para 2026”, afirmou.
O economista da ASA Leonardo Costa disse que “a deterioração segue mais evidente justamente nos segmentos mais sensíveis ao crédito e às condições financeiras”. Ele revisou a projeção para o PIB do terceiro trimestre para queda de 0,2%.
No cenário externo, Andrew Dubinsky, economista do UBS Global Wealth Management, avaliou que a inflação mais forte nos bens, somada à inflação robusta nos serviços, sustenta a expectativa de nova alta de juros pelo Fed em dezembro e outra em março de 2027.
Segundo Vitor Kayo, economista-sênior da Nomad, o PPI veio bem acima do esperado tanto no índice cheio quanto no núcleo, com a energia como principal vetor, como já havia ocorrido no CPI de setembro.

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