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Mercado financeiro

Ibovespa cai 13,88% e dólar sobe 8,25% após reeleição de Lula

Bolsa tem a maior queda desde março de 2020, com circuit breaker logo na abertura; dólar fecha a R$ 5,403 e juros futuros disparam

bolsa dólar

O Ibovespa fechou em queda de 13,88% nesta segunda-feira (26), aos 176.608,23 pontos, no primeiro pregão depois da reeleição do presidente Lula (PT). Foi a maior perda percentual do índice desde março de 2020. O dólar comercial subiu 8,25% e terminou cotado a R$ 5,403.

A queda levou a B3 a acionar o circuit breaker às 9h57, com as negociações suspensas por 30 minutos. Foi a primeira vez que o mecanismo foi usado desde março de 2020. No pior momento do dia, o índice chegou a 169.516,43 pontos, e a máxima foi de 205.088,74 pontos. O volume financeiro somou R$ 76,9 bilhões.

O dólar oscilou entre R$ 5,392 e R$ 5,605. Na abertura, chegou a subir mais de 12%.

Por que o mercado caiu

Lula foi reeleito no domingo (25) com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro (PL). Segundo analistas, o mercado vinha apostando em outro resultado e passou a reavaliar o risco fiscal do país.

O risco-país subiu 26%, para 151,6 pontos. Os juros futuros dispararam: o DI para janeiro de 2029 fechou em 15,25%, alta de 2,65 pontos percentuais, e o de janeiro de 2028 foi a 14,905%.

O Tesouro Nacional cancelou os leilões de títulos prefixados e de NTN-B previstos para o dia e recomprou cerca de R$ 7,1 bilhões em títulos prefixados.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou que o governo pretende alterar a regra fiscal para perseguir o centro da meta. “Nós vamos mudar a lei ou, se necessário, a Constituição para buscar formalmente o centro da meta”, afirmou, segundo o InfoMoney.

Bancos e varejo lideram as quedas

As maiores baixas do Ibovespa foram de Magazine Luiza (MGLU3), com recuo de 58,23%, Vamos (VAMO3), com 56,79%, Hapvida (HAPV3), com 54,93%, C&A (CEAB3), com 47,47%, e Cosan (CSAN3), com 46,73%.

Entre os bancos, o Banco do Brasil (BBAS3) caiu 29,33%, o Bradesco (BBDC4), 21,70%, e o Itaú (ITUB4), 13,66%. A Petrobras (PETR4) recuou 8,18%. A presidente da estatal, Magda Chambriard, classificou a queda das ações como um “movimento especulativo”.

Exportadoras sobem com o dólar

Na contramão, as exportadoras se beneficiaram da alta do dólar. Suzano (SUZB3) subiu 10,08%, Embraer (EMBJ3) avançou 8,89%, WEG (WEGE3), 4,21%, Vale (VALE3), 4,01%, e Klabin (KLBN11), 3,24%.

No exterior, as bolsas de Nova York fecharam em alta. O Dow Jones subiu 0,28%, o S&P 500 avançou 0,70% e a Nasdaq ganhou 0,83%.

O que dizem os analistas

“Vai ser um dia difícil. O mercado vai reavaliar tudo”, afirmou Bruno Funchal, CEO da Bradesco Asset Management.

Para William Jackson, economista-chefe para mercados emergentes da Capital Economics, “a vitória surpreendente de Lula vai frustrar as esperanças de reformas”. Já Thomas Haugaard, gerente de portfólio da Janus Henderson, avaliou que “a atenção agora se desloca rapidamente da eleição para a equipe e o plano fiscal”.

Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, vê risco de novas perdas. “Considero elevado o risco de uma correção mais profunda”, disse. Fábio Murad, consultor da Wiser Asset, ponderou que “a continuidade do governo não determina, sozinha, uma baixa permanente”.

Segundo Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, a queda reflete o descompasso entre as expectativas do mercado e o resultado das urnas.

Antes da abertura, um relatório do BTG Pactual assinado por Carlos Sequeira e outros analistas projetou que a reeleição de Lula “pode custar à bolsa brasileira cerca de 35 mil pontos nas próximas semanas”.

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Paulo Felipe

Jornalista com 15 anos de experiência em redações de jornais impressos e portais de notícias. Há 4 anos se dedica exclusivamente a escrever para portais de notícias. Somou-se a equipe do Diário do Sudoeste

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