O Ibovespa fechou esta sexta-feira (6) em leve queda de 0,09%, aos 136.102,10 pontos, descolando do desempenho positivo das bolsas norte-americanas. O movimento reflete a cautela dos investidores diante das incertezas fiscais no Brasil, com expectativa pelas medidas compensatórias ao aumento do IOF, que devem ser anunciadas no domingo (9) pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, após reunião com líderes partidários.
Durante o pregão, o índice oscilou entre a mínima de 135.600,86 pontos e a máxima de 136.889,88 pontos. Na semana, o Ibovespa acumulou retração de 0,67%. O volume financeiro foi de R$ 24,3 bilhões.
Setores domésticos pressionam o Ibovespa
As ações mais sensíveis ao cenário fiscal, como as dos setores de varejo e financeiro, lideraram as perdas. Os papéis do Magazine Luiza (MGLU3) caíram 5,56%, Lojas Renner (LREN3) recuaram 4,66% e Banco do Brasil (BBAS3) cedeu 2,38%.
Em contrapartida, as ações da Petrobras subiram, impulsionadas pela valorização do petróleo no mercado internacional. PETR3 avançou 1,18% e PETR4, 0,91%.
O Ibovespa futuro com vencimento em junho também recuou 0,09%, aos 136.780 pontos.
Payroll nos EUA surpreende
No exterior, o mercado reagiu positivamente à divulgação do payroll de maio nos Estados Unidos, que mostrou criação de 139 mil vagas no mês, acima da expectativa de 130 mil. O salário médio por hora subiu 0,4% em relação a abril, chegando a US$ 36,24 — uma alta de 3,9% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Apesar dos dados robustos, analistas divergem sobre os próximos passos do Federal Reserve. Segundo Christian Iarussi, economista e sócio da The Hill Capital, “o payroll reforça que a economia americana segue aquecida, o que é positivo globalmente, mas reduz as apostas em cortes agressivos de juros pelo Fed”.
Max Bohm, estrategista da Nomos, destaca que a indefinição persiste. “O dado veio acima das expectativas e mostra que os EUA não estão caminhando para uma recessão. Por outro lado, isso reduz as chances de cortes de juros no curto prazo, o que aumenta a volatilidade nos mercados.”
Já Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, avalia que o Fed ainda deve cortar a taxa ao menos uma vez neste ano. “Apesar do mercado de trabalho aquecido, o crescimento dos salários em linha com as expectativas permite ao banco central alguma folga”, explicou.
Juros futuros em queda e dólar desvaloriza
As taxas dos contratos futuros de Depósitos Interfinanceiros (DIs) encerraram em queda, com os investidores atentos às próximas decisões do Copom (Comitê de Política Monetária), que se reúne nos dias 17 e 18 de junho, e às medidas fiscais que devem ser divulgadas nos próximos dias.
Confira as taxas dos DIs por volta das 16h36:
- DI jan/26: 14,900% (de 14,910%)
- DI jan/27: 14,290% (de 14,365%)
- DI jan/28: 13,780% (de 13,840%)
- DI jan/29: 13,710% (de 13,790%)
No mercado de câmbio, o dólar comercial caiu 0,29%, encerrando cotado a R$ 5,5690. Na semana, a moeda norte-americana acumulou queda de 2,64%.
Segundo Bruno Komura, analista da Potenza Capital, “o dólar continua em tendência de queda com o payroll em linha com o esperado. Apesar da pressão nos salários, o mercado acredita em dois ou três cortes de juros pelo Fed até o fim do ano.”
Lucas Brigato, sócio da Ethimos Investimentos, reforça que o foco do mercado está no anúncio de medidas fiscais. “O Congresso exige soluções estruturais. O desempenho do dólar e dos juros futuros depende diretamente do conteúdo dessas propostas.”
Nos Estados Unidos, os principais índices acionários encerraram em alta, impulsionados pelos dados do payroll e pela retomada das negociações comerciais com a China, previstas para começar na próxima segunda-feira (9).
Desempenho dos principais índices de Nova York:
- Dow Jones: +1,05%, aos 42.762,87 pontos
- Nasdaq 100: +1,20%, aos 19.529,95 pontos
- S&P 500: +1,20%, aos 6.000,36 pontos
A expectativa agora recai sobre a próxima reunião do Federal Reserve, marcada para 18 de junho, quando serão divulgadas novas projeções econômicas e o direcionamento da política monetária dos EUA, dados que podem impactar no Ibovespa.
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