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Ibovespa recua 0,17% com Petrobras em baixa; dólar cai a R$ 5,04

Bolsa devolve alta da manhã à espera do segundo turno; moeda americana tem ajuda do Banco Central e fecha em queda de 0,50%

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O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, fechou esta segunda-feira (19) em leve queda de 0,17%, aos 205.079,25 pontos, pressionado pelas ações da Petrobras. O dólar comercial seguiu caminho parecido e recuou 0,50%, cotado a R$ 5,0481 na venda. Com a eleição presidencial a menos de uma semana do segundo turno, investidores preferiram ajustar posições e realizar parte dos lucros acumulados em outubro.

O índice chegou a subir 0,95% pela manhã, quando tocou 207.387 pontos, mas perdeu força no início da tarde e marcou mínima de 204.268 pontos. O volume negociado divergiu entre as fontes: R$ 21,6 bilhões, segundo o Diário do Grande ABC e o Investing.com, e R$ 31,99 bilhões, segundo o InfoMoney/Reuters. Mesmo com a queda, a Bolsa acumula alta de 10,06% em outubro e de 27,28% em 2026.

Petrobras pesa; consumo e construção disparam

A maior pressão sobre o índice veio da Petrobras. As ações preferenciais (PETR4) caíram 2,82% e as ordinárias (PETR3), 2,93%, em um movimento de correção. Na sexta-feira, os papéis tinham renovado máximas históricas. Mesmo assim, as preferenciais ainda acumulam valorização de cerca de 100% no ano, segundo o InfoMoney.

Também ficaram entre as maiores baixas a MBRF (-4,11%), a Porto Seguro (-3,13%) e a Caixa Seguridade (-2,95%). A queda da MBRF veio depois que o Ministério da Agricultura registrou um foco de Doença de Newcastle em uma criação de perus em Santa Catarina. Segundo a ABPA, um acordo com a China prevê a suspensão das exportações brasileiras de carne de aves quando há ocorrência da doença. O tema interessa diretamente à cadeia avícola, que tem peso na economia do Sul do país. A Caixa Seguridade recuou após a rescisão do contrato de distribuição da controlada Too Seguros com o Banco Pan.

Na ponta positiva, a Azzas 2154 subiu 13,25% e a MRV avançou 10,94%. As duas foram impulsionadas por elevação de recomendação para compra pelo Citi, segundo o Estadão Conteúdo. Cogna (+8,65%), Vamos (+8,11%) e C&A (+7,40%) completaram a lista das maiores altas.

Entre os bancos, o resultado foi misto. Banco do Brasil subiu 1,35% e BTG Pactual, 2,02%. Já Bradesco caiu 1,28%, Itaú recuou 0,40% e Santander cedeu 1,80%. A Vale fechou em alta de 0,23%, apoiada pelos futuros do minério de ferro na China. A B3 subiu 1,76%, beneficiada pelo maior volume de negócios e pela entrada de capital estrangeiro.

Dólar cai com atuação do Banco Central

O dólar à vista oscilou pouco mais de dois centavos ao longo do dia. A moeda fechou a R$ 5,0481, em um pregão marcado pela valorização das moedas latino-americanas. Segundo o Investing.com, a queda também teve a ajuda do Banco Central: a autoridade retomou a rolagem de swaps cambiais e vendeu o lote integral de 75 mil contratos, o equivalente a US$ 3,75 bilhões. No mês, o dólar recua 2,45% e, no ano, 8,03%. O euro comercial caiu 0,77%, a R$ 5,6590. Os juros futuros terminaram perto da estabilidade.

Eleição e contas públicas no radar

As pesquisas eleitorais divulgadas nesta segunda-feira mostraram disputa acirrada entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na BTG/Nexus, Flávio aparece com 46,5% e Lula com 45,9%, em empate técnico. Na Atlas/Bloomberg, o placar é de 49,8% a 47,6% para o candidato do PL. O debate de domingo na TV Band, considerado empate pelo mercado, foi marcado mais por provocações do que por propostas.

As contas públicas também entraram no radar. O Ministério do Planejamento informou que as medidas anunciadas pelo governo exigem remanejamento de R$ 20 bilhões no Orçamento de 2027. Entre elas estão o reajuste de 15,04% do Bolsa Família e o Desenrola 3.0. No Boletim Focus, o mercado manteve em 5,22% a projeção de inflação para 2026 e reduziu de 1,85% para 1,83% a estimativa de crescimento do PIB.

Exterior: Nasdaq sobe e petróleo oscila

Em Nova York, as ações de tecnologia se recuperaram parcialmente da forte queda da semana anterior. O Nasdaq subiu 1,11% e o S&P 500, 0,41%. O Dow Jones fechou praticamente estável, com baixa de 0,07%. O petróleo foi volátil ao longo do dia, entre tensões no Oriente Médio e o alívio de sanções dos Estados Unidos à Rússia. O Brent para dezembro terminou em leve queda de 0,28%, a US$ 109,55 o barril.

O que dizem os analistas

Para o economista e consultor financeiro Leonardo Mendes, da Manchester Investimentos, o mercado dividiu-se entre realizar os lucros do primeiro turno e montar posições para o segundo. Sobre o debate, ele resumiu: “Teve pouca fala de política econômica.”

O diretor da tesouraria do Travelex Bank, Marcos Weigt, avalia que o real se recuperou junto com as moedas de outros países emergentes. Para ele, os preços só devem mudar de patamar com uma virada clara nas pesquisas: “O mercado vai se movimentar apenas se as pesquisas andarem de forma expressiva”. Weigt também vê um cenário assimétrico para o câmbio depois da eleição, com mais espaço de piora numa vitória de Lula do que de melhora numa vitória de Flávio.

Segundo o economista-chefe da Bravonte Capital, Eduardo Velho, a menor aversão ao risco no exterior e a valorização das moedas emergentes têm mantido o dólar abaixo de R$ 5,07. Gustavo Trotta, sócio da Valor Investimentos, descreve o clima como de cautela: parte do mercado já trabalha com a vitória de Flávio, mas quer ver se o discurso de responsabilidade fiscal resiste às promessas de campanha.

O gestor de renda variável da Paramis Avantgarde, Luciano França, atribuiu a queda da Petrobras ao recuo do petróleo e a um movimento de realização de lucros. Para ele, o grande gatilho nos próximos dias virá das pesquisas eleitorais. Na mesma linha, o economista-chefe da Forum Investimentos, Bruno Perri, prevê uma semana de bastante cautela e sem grandes movimentos, salvo mudança forte nas pesquisas. Analistas do BB Investimentos estimam que o Ibovespa deve oscilar entre 204 mil e 207 mil pontos ao longo da semana, com volatilidade elevada.

O que vem pela frente

A agenda desta terça-feira (20) concentra indicadores nos Estados Unidos: dados de emprego da ADP, construção de novas casas e estoques de petróleo. Na Europa, sai o índice ZEW de confiança na Alemanha.

No Brasil, o Bradesco divulga seu balanço na quinta-feira (22). No domingo (25), os eleitores voltam às urnas para o segundo turno.

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Paulo Felipe

Jornalista com 15 anos de experiência em redações de jornais impressos e portais de notícias. Há 4 anos se dedica exclusivamente a escrever para portais de notícias. Somou-se a equipe do Diário do Sudoeste

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