O Ibovespa fechou em queda de 0,86% nesta quarta-feira (21), aos 206.495,23 pontos, pressionado pela nova pesquisa Quaest, que mostrou empate técnico no segundo turno da eleição presidencial, e pelo balanço da WEG. O dólar comercial subiu 0,17% e fechou a R$ 5,027.
O índice perdeu 1.800,75 pontos no dia. A máxima foi de 209.244,71 pontos, nos primeiros negócios, e a mínima de 205.988 pontos. O volume financeiro foi de R$ 37,1 bilhões, segundo o InfoMoney. A tabela de fechamento aponta volume de R$ 24,6 bilhões.
Mesmo com a queda, a bolsa acumula alta de 10,82% em outubro e de 28,16% em 2026. Na terça-feira (20), o Ibovespa havia subido 1,57%, aos 208.295,98 pontos.
Pesquisa eleitoral e balanços pesam na bolsa
A pesquisa Quaest divulgada pela manhã mostrou Flávio Bolsonaro (PL) com 45% e Lula (PT) com 44% no segundo turno, empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. A rejeição de Flávio caiu de 54% para 52%, e a de Lula, de 53% para 47%. O segundo turno acontece em quatro dias.
Segundo o Money Times, o mercado vê Flávio Bolsonaro como o candidato mais alinhado às suas expectativas, pela possibilidade de ajuste fiscal e de cortes mais agressivos na Selic. O Ibovespa chegou a operar em alta pela manhã e mudou de direção após a divulgação da pesquisa.
A temporada de balanços do terceiro trimestre também influenciou o pregão. A WEG (WEGE3) caiu 7,34% depois de divulgar lucro líquido de R$ 1,66 bilhão, alta de 0,9% sobre o mesmo período de 2025, com margens abaixo do esperado. O Bradesco divulga o balanço após o fechamento desta quinta-feira (22).
Maiores altas e baixas do Ibovespa
As maiores altas do Ibovespa foram de Totvs (TOTS3), com 2,78%, TIM (TIMS3), com 1,73%, MBRF (MBRF3), com 1,46%, Vivo (VIVT3), com 1,40%, e Embraer (EMBJ3), com 1,11%.
Entre as maiores quedas estiveram Hapvida (HAPV3), com recuo de 8,48%, WEG (WEGE3), com 7,34%, Cogna (COGN3), com 7,08%, Marcopolo (POMO4), com 5,45%, e Azzas (AZZA3), com 5,04%.
Entre as blue chips, a Vale (VALE3) recuou 2,15% e a Petrobras (PETR4) caiu 0,79%. Nos bancos, o Itaú (ITUB4) subiu 0,20%, enquanto Banco do Brasil (BBAS3) caiu 0,41% e Bradesco (BBDC4), 0,15%.
Dólar sobe com busca por proteção
O dólar oscilou entre R$ 5,012 e R$ 5,043 durante o dia e interrompeu uma sequência de três pregões de queda. O dólar registrou alta de 0,18%, com fechamento a R$ 5,0272 e R$ 5,0279, respectivamente. No ano, a moeda americana acumula queda de 8,41%.
O euro comercial fechou a R$ 5,648 na venda, com alta de 0,16%. Os juros futuros caíram ao longo da curva. O contrato de DI para janeiro de 2027 recuou para 13,473%, e o de janeiro de 2029, para 12,56%.
Bolsas de Nova York sobem com tecnologia
No exterior, as bolsas americanas fecharam em alta, apoiadas por resultados de empresas de tecnologia. O Dow Jones subiu 0,69%, o S&P 500 avançou 0,59% e o Nasdaq ganhou 1,05%, aos 26.702,86 pontos.
O petróleo Brent para dezembro fechou a US$ 108,82, com alta de 0,03%.
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O que dizem os analistas
“Hoje o dia é de cautela. A eleição está a quatro dias e o mercado vai reagir a cada nova pesquisa”, disse ao InfoMoney João Debom, sócio da Supernova Investimentos. Segundo ele, com a bolsa perto da máxima histórica, boa parte do otimismo já está nos preços, e uma surpresa negativa pode provocar uma realização rápida.
Para Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, a queda resultou da combinação de cautela eleitoral e realização de lucros depois da forte valorização recente da bolsa. Segundo ele, a proximidade do segundo turno aumentou a procura por proteção no câmbio.
“A incerteza eleitoral, com a disputa bastante acirrada entre Flávio e Lula, elevou a busca por proteção no câmbio”, afirmou ao Money Times Emerson Junior, head de câmbio e contas internacionais da Convexa Investimentos.
Fábio Murad, consultor da Wiser Asset, avalia que os juros longos caem por causa da compressão dos prêmios de risco e das expectativas para a política fiscal após a eleição. “O mercado está comprando expectativas antes de conhecer as medidas econômicas concretas”, disse ao InfoMoney. Ele ressaltou que os problemas fiscais estruturais seguem sem solução, independentemente do vencedor.
Agenda dos próximos dias
Os investidores acompanham nesta quinta-feira (22) a nova pesquisa Datafolha e o balanço do Bradesco. O debate na TV Globo antecede o segundo turno, marcado para domingo (25).

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