O Ibovespa, principal índice da B3, fechou esta terça-feira (20) em alta de 1,57%, aos 208.295,98 pontos, puxado por bancos e varejo em meio às pesquisas para o segundo turno presidencial. O dólar à vista caiu 0,58%, a R$ 5,0189, na terceira queda seguida.
O avanço foi de 3.216,73 pontos em relação ao fechamento de segunda-feira (19), quando o índice terminou aos 205.079,25 pontos. Ao longo do pregão, a Bolsa oscilou entre 205.082,26 e 208.941,57 pontos. O nível de fechamento é o mais alto desde 9 de outubro, data do recorde histórico do índice.
O volume financeiro foi de R$ 29,1 bilhões, segundo a Exame e o Estadão Conteúdo. O portal BP Money informou giro de R$ 41,90 bilhões. Em outubro, o Ibovespa acumula alta de 11,78%. No ano, o ganho chega a 29,28%.
Varejo e bancos lideram ganhos
A Magazine Luiza (MGLU3) liderou as altas do índice, com valorização de 14,79%. Na sequência vieram Vamos (VAMO3), com 8,32%, Natura (NATU3), com 7,75%, e Hapvida (HAPV3), com 7,55%. Empresas mais sensíveis aos juros ganharam força com o recuo das taxas futuras.
Entre os bancos, o BTG Pactual (BPAC11) subiu 4,36%, o Bradesco (BBDC4) avançou 2,89%, o Itaú (ITUB4) ganhou 1,88% e o Banco do Brasil (BBAS3) teve alta de 1,04%. A B3 (B3SA3), dona da Bolsa, saltou 5,38%.
Fora do Ibovespa, o varejo também chamou atenção. A Casas Bahia (BHIA3) disparou 20,17%, após a ratificação do pedido de recuperação judicial pelos acionistas. A Americanas (AMER3) subiu 15,58%, com o encerramento de seu processo de recuperação judicial.
Petrobras sobe e Vale recua
A Petrobras fechou em alta mesmo com a queda do petróleo no mercado internacional. As ações ordinárias (PETR3) subiram 0,48%, e as preferenciais (PETR4) avançaram 0,36%.
Na ponta negativa, a Embraer (EMBJ3) caiu 1,71% e liderou as perdas. A Vale (VALE3) recuou 1,39%, e a Suzano (SUZB3) perdeu 0,59%. Exportadoras com receita em dólar foram pressionadas pela queda da moeda americana e pela realização de lucros após altas recentes.
Dólar tem terceira queda seguida
O dólar comercial fechou a R$ 5,0184 na compra e a R$ 5,0189 na venda, com recuo de 0,58%. Durante a sessão, a moeda variou entre R$ 5,005 e R$ 5,042. O euro comercial caiu 0,35%, a R$ 5,6390 na venda.
No exterior, o índice DXY, que compara o dólar a uma cesta de seis moedas fortes, operava em baixa de 0,26% por volta das 17h, aos 101,718 pontos.
Os juros futuros também recuaram. O contrato de DI para janeiro de 2029 caiu de 12,709% para 12,580%. O vencimento de janeiro de 2031 passou de 12,789% para 12,650%.
Pesquisas eleitorais ditam o ritmo
O principal fator do pregão foi o cenário eleitoral. A primeira pesquisa Real Time Big Data para o segundo turno mostrou Flávio Bolsonaro (PL) com 48% e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 45% das intenções de voto, empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
A votação está marcada para domingo (25). Os investidores aguardam novas pesquisas da Quaest, na quarta-feira (21), e do Datafolha, na quinta-feira (22). A agenda econômica doméstica do dia foi esvaziada.
Wall Street fecha sem direção única
Em Nova York, o Dow Jones subiu 1,02%, aos 52.495,88 pontos, e o S&P 500 avançou 0,28%, aos 7.712,57 pontos. O Nasdaq fechou praticamente estável, com queda de 0,02%, aos 26.424,82 pontos, pressionado por ações de tecnologia e pelas dúvidas sobre os custos dos investimentos em inteligência artificial.
O petróleo Brent para dezembro caiu 0,69%, a US$ 108,79 por barril, na ICE, em Londres, depois de superar US$ 110 durante a sessão. A commodity recuou diante da expectativa de avanço diplomático entre Estados Unidos e Irã, apesar de novos ataques no Oriente Médio.
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O que dizem os analistas
Para Marcos Bassani, estrategista de investimentos e sócio-fundador da Boa Brasil Capital, a possibilidade de vitória de Flávio Bolsonaro contribuiu para a alta do Ibovespa e a queda do dólar, com investidores trocando a moeda americana por ativos de risco. Ele pondera, porém, que a incerteza ainda limita uma tendência definida. “O Ibovespa trabalha dentro de uma lateralidade de preço”, disse.
Segundo Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, o movimento reflete a expectativa de parte do mercado por um ajuste fiscal mais profundo e rápido em um eventual governo de oposição.
Gabriel Mollo, analista de investimentos da Daycoval Corretora, avaliou que as pesquisas reforçaram, em parte do mercado, a percepção de vantagem de Flávio e aumentaram a disposição para assumir risco.
Emerson Junior, head de câmbio e contas internacionais da Convexa Investimentos, prevê que o câmbio siga influenciado pelo apetite a risco externo e pela “calibragem de posições voltada à reta final da disputa presidencial”, afirmou.
Vitor Kayo, economista da Nomad, destacou o recuo dos títulos do Tesouro americano, motivado por dados mais fracos do mercado imobiliário dos Estados Unidos e pela redução das apostas em novas altas de juros pelo Federal Reserve.
Agenda dos próximos dias
Na quarta-feira (21), a WEG (WEGE3) divulga balanço do terceiro trimestre. Na sexta-feira (23), sai o IPCA-15 de outubro, a prévia da inflação oficial. O Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, decide sobre os juros na próxima semana.

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